Itaú BBA - Cenário crescentemente desafiador no Brasil

Semana em Revista

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Cenário crescentemente desafiador no Brasil

Junho 8, 2018

As tensões nos mercados financeiros tem levado os bancos centrais a reagir

Publicamos nossa revisão mensal de cenário 

Inflação de maio surpreende, mas segue em nível baixo 

Produção industrial sobe 0,8% em abril 

EUA: Demanda doméstica forte mantém expectativa de aumentos dos juros 

Paralisação e piora das condições financeiras devem afetar crescimento

Publicamos nossa revisão de cenário (acesse aqui). No Brasil, a continuidade do movimento de fortalecimento do dólar, em um ambiente de volatilidade nos mercados internacionais, pressiona a taxa de câmbio e nos motivou a revisar nossa projeção para 3,70 reais por dólar ao fim de 2018 e 2019 (antes, 3,50). Domesticamente,  reduzimos nossas projeções de crescimento do PIB de 2,0% para 1,7% em 2018 e de 2,8% para 2,5% em 2019 devido à piora das condições financeiras (câmbio mais depreciado, alta dos juros de mercado e queda dos preços de ativos financeiros) e aos efeitos da paralisação dos caminhoneiros. Do ponto de vista fiscal, o menor crescimento econômico e as medidas tomadas para encerrar a paralisação – que são apenas parcialmente compensadas por cortes de gastos e aumentos de impostos – aumentam os riscos de curto prazo, mas continuamos esperando que a meta de déficit primário seja cumprida em 2018. Nesse contexto, o banco central ainda deve manter a taxa Selic em 6,5% até o fim do ano. Acreditamos que a dinâmica cambial pode influenciar as próximas decisões caso haja impacto relevante sobre as expectativas de inflação (Tabela 1).

Inflação de maio surpreende, mas segue em nível baixo

O IPCA apresentou variação de 0,40% em maio, acima do teto das expectativas de mercado. O resultado foi influenciado principalmente pela alta nos preços de combustíveis e alimentos, o que provavelmente já reflete o impacto das paralisações dos caminhoneiros. O índice havia registrado variação de 0,22% no mês anterior e 0,31% em maio do ano passado. Por ora, avaliamos que o impacto das paralisações dos caminhoneiros sobre o abastecimento e a oferta de alguns produtos – especialmente alimentos perecíveis e combustíveis –, provoque uma pressão pontual e transitória na inflação. No quadro geral, a inflação segue em patamar baixo, tanto no índice cheio quanto nas medidas de núcleo, com o IPCA mostrando variação de 1,3% de janeiro a maio (ante 1,4% no mesmo período de 2017), e a taxa em 12 meses atingindo 2,86% (Gráfico 1). Para frente, projetamos aceleração da inflação em 12 meses, para 4,0% em junho – com estimativa de alta mensal de 0,95% para o IPCA –, subindo para 4,1% em setembro. Para o ano, projetamos inflação de 3,8% em 2018 e 4,1% em 2019.

Produção industrial sobe 0,8% em abril

Segundo o IBGE, a produção industrial subiu 0,8% na comparação mensal dessazonalizada em abril, resultado acima da mediana das expectativas de mercado (Gráfico 2). Em termos anuais, a alta foi de 8,9%, um resultado bem mais forte que em março (1,2%) deste ano.  Este resultado, foi positivamente influenciado pelo número maior de dias úteis no mês. O mês de abril teve 21 dias úteis em 2018, número acima do normal, enquanto o mês de abril de 2017 teve apenas 18. Entre as categorias econômicas, houve alta mensal dessazonalizada nas quatro categorias: bens de consumo duráveis (2,8%), bens de capital (1,4%), bens intermediários (1,0%) e demais bens de consumo (0,5%). Vale destacar que este resultado ainda não considera os impactos gerados pela paralisação dos caminhoneiros. 

Os primeiros indicadores coincidentes (confiança da indústria, utilização da capacidade instalada, dados semanais de comércio exterior e consumo de energia, licenciamento de veículos, entre outros) sinalizam queda mensal dessazonalizada de 6,4% da produção industrial em maio (recuo de 3,4% na comparação anual). Há evidências de interrupção nas cadeias de produção e suprimentos a partir de 23 de maio, o que deve gerar muita volatilidade nos dados mensais de atividade para maio (queda com interrupção), junho (alta por normalização e compensação da interrupção) e julho (queda por perda de influência da compensação).

EUA: Demanda doméstica forte mantém expectativa de aumentos dos juros 

A dinâmica de crescimento continua forte nos EUA. A sondagem de manufatura (ISM, na sigla em inglês) vem apresentando oscilações, mas permanece próximo do pico deste ano (Gráfico 3). Além disso, os riscos de guerra comercial, a volatilidade nos mercados emergentes e a incerteza política na Itália não tiveram impacto significativo nas condições financeiras norte-americanas até o momento. Neste contexto, a taxa de desemprego continuará caindo, enquanto os salários e a inflação continuarão subindo, o que é consistente com a visão de que o Fed, Banco Central americano, deve apertar sua postura de política monetária, levando o crescimento do PIB e do emprego a desacelerar para suas tendências de longo prazo. Continuamos projetando quatro aumentos da taxa de juros em 2018, seguidos de três aumentos em 2019. Também esperamos que a taxa de juros do título do Tesouro de 10 anos suba para 3,25 no fim de 2018 e para 3,50 no fim de 2019.

Destaques da próxima semana 

No Brasil, o IBGE divulga as vendas no varejo na quarta-feira e a receita real do setor de serviços no dia seguinte (ambos de abril). Na sexta-feira, o índice de atividade do Banco Central (IBC-Br) de abril também deve ser divulgado. Do lado político, o Datafolha registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pesquisa de intenção de votos para presidente, que poderá ser divulgada no domingo (10/06).

Do lado internacional, as atenções estarão voltadas para as decisões de política monetária do Fed, Banco Central americano, na quarta-feira, assim como as decisões do Banco Central Europeu e do Banco Central do Japão, ambos na quinta-feira. Do lado geopolítico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que se encontrará com o líder norte-coreano Kim Jong-un na terça-feira em Singapura.



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