Itaú BBA - Câmara aprova texto base da reforma da Previdência

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Câmara aprova texto base da reforma da Previdência

Julho 12, 2019

Texto principal da reforma é aprovado na Câmara dos Deputados, com margem expressiva de votos favoráveis

• Texto principal da reforma é aprovado na Câmara dos Deputados, com margem expressiva de votos favoráveis.

• Esperamos corte de juros mais intenso em julho (0,50 p.p., ante 0,25 p.p.), em face do avanço melhor que o esperado da reforma da Previdência e as perspectivas de afrouxamento monetário ao redor do globo.

• Inflação de junho segue com trajetória benigna.

• Atividade acima das expectativas em maio, mas ainda fraca.

• Fed sinaliza com mais intensidade um ciclo de flexibilização monetária à frente.

Câmara aprova texto base da reforma da Previdência

A Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno o texto base da reforma da previdência. Ao todo, a proposta contou com 379 votos a favor da proposta e 131 contrários, uma margem expressiva sobre os levantamentos anteriores à aprovação, que mostravam entre 330 e 350 votos favoráveis. Esta surpresa positiva nos leva a crer, agora, que a economia gerada pelo texto final deve ficar perto dos R$ 865 bilhões ao longo da próxima década, acima dos R$ 750 bilhões que tínhamos em nossas contas no cenário anterior.

Apesar do ímpeto positivo da reforma, ainda há riscos de que a proposta tenha seu processo finalizado na Câmara apenas no segundo semestre. Até o presente momento, os deputados ainda não encerraram a votação dos destaques, e, com isso, existe o risco de que o segundo turno das votações ocorra apenas após o recesso legislativo (18 a 31 de julho). Ainda assim, esperamos que a tramitação seja totalmente finalizada no Congresso até o fim do terceiro semestre.

Corte de juros em ritmo mais rápido à frente

Publicamos nossa atualização mensal de cenário (acesse aqui). A trégua na guerra comercial alcançada recentemente alivia marginalmente o cenário para países emergentes, mas as tensões devem perdurar. Neste contexto, as negociações avançam lentamente, e as chances de um acordo no curto prazo são baixas. O comércio e o investimento a nível global seguem ameaçados, pelo menos o suficiente para que bancos centrais de diversos países respondam com mais estímulos monetários – e o Brasil não é a exceção.

Mantivemos nosso cenário macroeconômico doméstico praticamente inalterado (tabela 1). A principal mudança foi na trajetória para a taxa Selic: dado o progresso melhor que o esperado da reforma da previdência na Câmara dos Deputados e as perspectivas de flexibilização monetária ao redor do globo, incluindo nos Estados Unidos, acreditamos que há espaço para iniciar o ciclo de cortes de juros no Brasil com mais força. Agora, esperamos que o Copom reduza a taxa Selic em 0,50 p.p. já na sua próxima reunião, em 31 de julho (anteriormente, esperávamos 0,25 p.p. de corte), com outros dois cortes de mesma magnitude nas reuniões seguintes, terminando o ano com Selic em 5% a.a., nível que deve se manter também em 2020.

Dinâmica da inflação continua benigna

O IPCA de junho (gráfico 1) registrou alta de 0,01%, ligeiramente acima da nossa projeção (-0,01%) e da mediana das expectativas de mercado (-0,03%). A diferença em relação ao nosso valor projetado veio da menor deflação em alimentos no domicílio e da alta observada em alguns bens industriais, com destaque para itens de higiene pessoal.

Apesar da surpresa positiva, as medidas de núcleo de inflação seguem em patamares confortáveis. O núcleo de serviços subjacente, por exemplo, registrou alta de 0,2% no mês de junho. Com isso, o acumulado em 12 meses desacelerou de 3,9% para 3,7%. Assim, mantemos nossa avaliação de que a inflação segue em trajetória benigna, resultado da elevada capacidade ociosa na economia brasileira, inércia favorável e expectativas para a inflação à frente ancoradas. 

Atividade com sinais ambíguos em maio

Indicadores de atividade relacionados ao comércio (PMC) desapontaram as projeções em maio (gráfico 2). As vendas no varejo restrito recuaram 0,1% no mês, abaixo da nossa projeção e da mediana das expectativas do mercado (altas de 0,2% e 0,1%, respectivamente). Já no conceito ampliado (que inclui veículos e materiais de construção), o indicador avançou 0,2% no período, ligeiramente abaixo da nossa projeção e da mediana das expectativas do mercado (altas de 0,4% e 0,3%, respectivamente).

Contrariando a tendência observada no comércio, o setor de serviços (gráfico 3) surpreendeu positivamente as expectativas em maio. A receita do setor de serviços (PMS) atingiu 4,8% em maio, acima das expectativas do mercado (3,3%) e da nossa (3,5%). Este resultado anual foi inflado pelo efeito de base causado pela parada dos caminhoneiros em maio de 2018. Na margem, o indicador permaneceu estável (0% de variação mensal), e não mostra aceleração à frente. 

Fed sinaliza que pode flexibilizar política monetária em breve

Tanto na ata da reunião de política monetária do Fed quanto na comunicação do seu presidente, Jerome Powell, o banco central norte-americano deu sinais mais claros de que pode iniciar um ciclo de corte de juros em sua próxima reunião, em 31 de julho (poucas horas antes, portanto, da decisão de política monetária do Brasil). Nos documentos, o Fed mencionou que “diversos membros” julgaram que uma acomodação monetária será bem-vinda se as incertezas continuarem pesando sobre o cenário econômico.

Do lado de guerra comercial, as negociações seguem em ritmo lento, sem perspectivas de um acordo entre os Estados Unidos e a China, que continua apresentando o fim de todas as tarifas impostas nos últimos anos e o fim de sanções à Huawei como condições necessárias para voltar à mesa de negociações, demandas que são vistas como exageradas por parte do país americano.

Destaques da próxima semana

No cenário doméstico, a reforma da previdência ainda deve permanecer em foco. A Câmara ainda não finalizou, até o momento de publicação deste relatório, a votação dos destaques sobre o texto principal, o que pode ocorrer na próxima semana. Com a proximidade do recesso do Congresso, na quinta-feira, será importante monitorar como estas etapas finais da tramitação evoluem, uma vez que, se a reforma não for aprovada até quarta, seu trâmite deve ser concluído apenas após o recesso (há notícias na mídia, ainda sem confirmação oficial, de que a votação em segundo turno deve ficar para agosto). Adicionalmente, o indicador mensal de atividade de maio, IBC-Br, será lançado pelo Banco Central na segunda-feira. Esperamos um aumento de 0,5% no mês, que levaria a um crescimento de 4,3% em comparação com maio de 2018, período com forte recuo da atividade, devido à greve dos caminhoneiros.

Do lado internacional, os destaques devem ficar por parte dos indicadores de atividade na China, com dados de PIB e produção industrial, e nos Estados Unidos, com vendas no varejo. Além disso, na quarta-feira, o Fed divulga seu livro bege, com informações sobre o setor real da economia e as percepções para o futuro colhidas entre empresários e analistas do mercado.


Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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