Itaú BBA - Brasil no centro das atenções globais

Semana em Revista

< Voltar

Brasil no centro das atenções globais

Maio 22, 2020

Rússia e Brasil passaram a ocupar, respectivamente, a 2a e a 3a posição global em termos do total de casos, atrás apenas dos EUA.

 Brasil ocupa a terceira posição global em total de casos de Covid-19

 Jair Bolsonaro sinaliza veto a reajuste para servidores públicos

 Tímida elevação da confiança em maio

 China não define meta para o crescimento econômico em 2020

Brasil ocupa a terceira posição global em total de casos de Covid-19

Ao longo dos últimos dias, Rússia e Brasil passaram a ocupar, respectivamente, a segunda e a terceira posição global em termos do total de casos, atrás apenas dos EUA. Esses também foram os três países que tiveram maiores aumentos de registros desde a última semana, mas com tendências distintas. Nos EUA, novos casos e novas mortes já vêm recuando de forma lenta há um tempo. Na Rússia, os novos casos parecem ter feito um pico, mas a contagem de mortes parece baixa demais. Já no Brasil, tanto novos casos quanto óbitos seguem em tendência de alta, concedendo ao país uma posição indesejável de destaque dentro desse contexto. Segundo o Ministério da Saúde, foram confirmados no Brasil 20.047 óbitos e 310.087 casos até o momento da publicação deste relatório (veja mais no nosso monitor semanal do Covid-19 aqui). Esses países são seguidos pela Índia, que tem uma situação aparentemente menos crítica, mas que também vem acelerando. No agregado global, o número de novos casos está relativamente estável – algo que se deve, pelo menos em parte, ao aumento da testagem – enquanto novas mortes recuam rapidamente, com a melhora da situação na Europa.

Jair Bolsonaro sinaliza veto a reajuste para servidores públicos

O presidente Jair Bolsonaro participou de uma videoconferência nesta semana com governadores, que contou com a presença dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e Senado, Davi Alcolumbre, para tratar do enfrentamento ao efeitos do coronavírus. No encontro, Jair Bolsonaro sinalizou a sanção ao projeto de auxílio financeiro a estados e municípios, que contará com vetos, como ao dispositivo que abre a possibilidade de reajuste para servidores públicos. 

Tímida elevação da confiança em maio 

Segundo a FGV, a prévia da confiança da indústria para o mês de maio subiu 2,4 pontos (para 60,6), após recuo de 39,3 pontos no mês anterior. O resultado positivo, ainda que tímido, é reflexo do componente de expectativas para os próximos três e seis meses, que avançou 4,6 pontos (para 54,2). Já o índice de situação atual apontou estabilidade ao oscilar de 67,4 para 67,7 pontos. Ainda segundo a sondagem, o nível de utilização da capacidade instalada na indústria subiu 3,7 p.p. (para 61,0%), um patamar muito baixo em termos históricos, mas mostrando alguma reação da indústria entre abril e maio. A FGV também divulgou resultados preliminares, em caráter extraordinário, para os demais setores da economia brasileira (Gráfico 1). O destaque de recuperação na confiança ficou para o setor de serviços, que subiu 9 pontos (para 60,1, após recuar 31,7 pontos no mês anterior), seguido pela confiança do comércio (alta de 4,7 pontos, para 65,9, ante queda de 26,9 em abril) e construção (alta de 2,0 pontos, para 67,0, ante recuo de 25,8 no mês anterior). Segundo a instituição, o aumento das confianças na prévia de maio foi determinado por alguma redução do pessimismo em relação aos próximos meses.

Tensões entre EUA e China permanecem acirradas

As tensões entre as duas potências econômicas seguem elevadas, diante de uma série de eventos que aconteceram ao longos dos últimos dias. O Senado americano aprovou legislação que pode impedir empresas chinesas de listar ações em bolsas americanas ou de angariar fundos de investidores dos EUA, a não ser que estas adotem determinados padrões para auditorias e novas regulamentações. 

Também noticiado esta semana, a China tem interesse em impor uma nova lei de segurança nacional a Hong Kong, medida que enfrenta resistência na região, uma vez que Hong Kong apresenta relativa autonomia e goza de liberdades não permitidas na China continental, e que poderiam estar ameaçadas diante de tais mudanças. Caso o projeto se torne lei, há a possibilidade de os EUA retirar o tratamento comercial preferencial aplicado a Hong Kong, equiparando-o àquele adotado na China continental, caracterizado por tarifas comerciais e outras restrições.

Por fim, somando-se às incertezas acima mencionadas, a China passou a adotar um tom mais duro quanto ao tratamento diplomático do país com a ilha de Taiwan. Em discurso voltado ao Congresso Nacional do Povo, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, reiterou o compromisso de Pequim de “se opor e impedir qualquer atividade separatista” em busca da independência de Taiwan, ilha que a China reivindica como seu território.

China não define meta para o crescimento econômico em 2020

Durante a última edição do Congresso Nacional do Povo (CNP), o premiê chinês disse que o governo não estabelecerá uma meta de crescimento econômico para 2020, diante das incertezas relacionadas ao Covid-19. Segundo o CNP, que divulga as diretrizes para a condução da política econômica na China, o governo planeja criar 9 milhões de novos empregos em 2020, valor abaixo da meta de pelo menos 10 milhões do ano anterior. Também foi anunciado uma meta de 6% para a taxa de desemprego urbana em 2020, superior à do ano passado (abaixo de 5,5%).

Destaques da próxima semana

No Brasil, a evolução dos casos continua no centro das atenções, inclusive de forma crescente na comunidade internacional. Também será importante acompanhar as medidas dos governos estaduais em relação à duração e estratégias relacionadas às medidas de distanciamento social, assim como o planejamento de reabertura. No Congresso, é possível que o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (MP 936) seja votado. Por ser uma medida provisória, seu conteúdo já está em execução, mas é necessário que seja votado no Congresso, uma vez que a MP tem prazo de validade e está sujeita a modificações.

Na agenda de divulgações econômicas, o PIB do primeiro trimestre do ano será divulgado na sexta-feira. A inflação do IPCA-15 de maio será publicada na terça-feira. No mesmo dia, os dados de conta corrente e investimento estrangeiro direto para abril serão conhecidos. Na quinta-feira, o IBGE divulga a taxa de desemprego para o mês de abril. No mesmo dia, o Banco Central publica o relatório de crédito para o mês de abril. Do lado fiscal, o resultado primário do governo central e consolidado serão conhecidos na quinta e sexta-feira, respectivamente (ambos para abril). Ao longo da semana a FGV divulga as sondagens finais de confiança para maio.

Do lado internacional, mais detalhes poderão ser conhecidos sobre a proposta de criação do fundo de recuperação econômica para o bloco europeu. Nos EUA, os dados de ordens de bens duráveis para o mês de abril serão divulgados na quinta-feira.
 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



< Voltar