Itaú BBA - BC prepara terreno para redução de juros

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BC prepara terreno para redução de juros

Setembro 30, 2016

Mantemos nosso cenário de corte total de 0,75 p.p. na taxa Selic neste ano, começando com uma redução de 0,25 p.p. em outubro.

• Esperamos que o ciclo de corte de juros comece em outubro 

Após primeiro debate, Hillary aumenta vantagem sobre Trump

Incertezas com bancos europeus gera volatilidade nos mercados

Opep promete diminuir produção de petróleo

Esperamos que o ciclo de corte de juros comece em outubro

O Banco Central vem preparando cuidadosamente o terreno para um ciclo de corte de juros. O Relatório de Inflação (RI) divulgado essa semana deu mais um passo importante nesta direção. O relatório apresentou as projeções de inflação na meta para 2017 e abaixo da meta para 2018 na maioria dos cenários considerados. A nosso ver, este quadro dá conforto para o Banco Central iniciar um ciclo de corte de juros à frente.

Mantemos nosso cenário de corte total de 0,75 p.p. na taxa Selic neste ano, começando com uma redução de 0,25 p.p. em outubro. Um avanço na tramitação das reformas fiscais no Congresso reforçaria este cenário.

Resultados fiscais fracos, PEC dos gastos deve avançar na próxima semana

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 22,3 bilhões em agosto. Acumulado em doze meses, o déficit primário sobre o PIB recuou para 2,8%, vindo de 2,5% em julho (Gráfico 1). Os resultados fiscais fracos reforçam a necessidade de aprovação de reformas fiscais como a PEC 241, que propõe um teto para o crescimento dos gastos públicos e já se encontra em tramitação no Congresso. As notícias indicam que a votação na Comissão Especial deve ocorrer na próxima semana (provavelmente, na quinta-feira) e a primeira votação na Câmara dos Deputados, entre os dias 10 e 11 de outubro.

Sem sinais de melhora no mercado de trabalho

Os dados divulgados esta semana indicam que o mercado de trabalho continua enfraquecendo. A criação líquida de postos de trabalho voltou a ser negativa em agosto. Corrigindo por fatores sazonais, houve destruição líquida de 103 mil vagas no emprego formal (Gráfico 2). Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, a taxa de desemprego nacional atingiu 11,8% em agosto, 3,1 p.p. acima do mesmo mês do ano passado.

Acreditamos que a deterioração do mercado de trabalho continue à frente até meados do próximo ano, refletindo a recessão econômica dos últimos anos.

Indicadores de confiança mantém tendência de alta

As sondagens de atividade da FGV vêm mostrando tendência de alta nos indicadores de confiança. Em setembro, o indicador de confiança da construção civil subiu 2,9%, mas a do comércio teve deve queda de 2,1%. A confiança do consumidor também subiu no período, mas o percentual de pessoas reportando que está difícil conseguir emprego está perto do seu maior nível histórico e a intenção de compras de bens duráveis, apesar de melhora recente, segue em patamar baixo. Do lado da indústria, a sondagem do empresário industrial aumentou 2,4% em setembro, resultado um pouco mais forte que no mês anterior. A melhora dos indicadores de confiança reforça o nosso cenário de recuperação da economia à frente, principalmente no setor industrial.

CMN mantém TJLP em 7,5% pela terceira vez consecutiva

O Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) em 7,5% pela terceira vez consecutiva. A TJLP parametriza boa parte dos empréstimos do BNDES. Na nossa visão, a TJLP permanecer neste patamar à frente.

Após primeiro debate, Hillary aumenta vantagem sobre Trump

As pesquisas divulgadas após o primeiro debate entre os candidatos à presidência nos Estados Unidos mostraram uma vantagem de 4 p.p. para a candidata Hillary Clinton sobre Donald Trump, indicando um bom desempenho da candidata no debate (Gráfico 3). De qualquer forma, a corrida presidencial continua apertada, reforçando que a incerteza irá continuar à frente, o que pode gerar volatilidade nos mercados.

Incertezas nos bancos europeus gera volatilidade nos mercados

A semana foi marcada por uma maior volatilidade dos mercados devido a incertezas com relação à saúde financeira dos bancos europeus. As preocupações estão relacionadas às margens das instituições, que vêm sendo afetadas pelas taxas de negativas nos países da região. Neste ambiente, as ações dos bancos na Europa se mantiveram voláteis na semana (Gráfico 4).

Opep promete diminuir produção de petróleo

A Organização de Países Produtores e Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou um acordo preliminar para reduzir sua produção de petróleo. Os detalhes e a execução ficam para o encontro formal do cartel, em 30 de novembro, mas o objetivo da decisão de elevar o preço da commodity já teve impacto - o preço do barril subiu 6,4% ao longo dessa semana (Gráfico 5). Na nossa visão, a implementação do corte em dezembro vai adiantar o fim do excesso de oferta para o primeiro trimestre de 2017 e deve levar a mais investimentos no setor nos EUA, o que exige preços internacionais acima de US$ 50 por barril.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o primeiro turno das eleições municipais ocorre no domingo e a votação do teto dos gastos públicos (PEC 241) poderá ocorrer na quinta ou sexta-feira. Da parte de dados econômicos, o IBGE divulga a produção industrial de agosto na terça-feira e o IPCA de setembro na sexta-feira.

Do lado internacional, destaque para os dados de mercados de trabalho referentes a setembro nos Estados Unidos, que serão divulgados na sexta-feira.


 

Caio Megale

Laura Pitta

André Matcin


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 



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