Itaú BBA - Atividade em julho surpreende positivamente

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Atividade em julho surpreende positivamente

Setembro 13, 2019

Ainda que de forma errática, economia acenou recuperação em julho, com avanços expressivos no setor de comércio e serviços.

• Comércio e serviços têm alta forte em julho, mas IBC-Br vai na contramão.

• Publicamos nosso cenário mensal, com poucas mudanças para Brasil.

• Trump adia tarifas, mas ainda vemos riscos para o crescimento mundial.

• BCE corta juros e anuncia volta das compras de ativos (QE).

Economia acena recuperação, ainda que de forma errática

As divulgações de dados de atividade econômica durante a semana mostraram resultados ambíguos no mês de julho. Do lado do comércio, as vendas no varejo foram significativamente mais fortes do que o esperado (gráfico 1). O índice ampliado cresceu 0,7% na comparação mensal com ajuste sazonal, acima da nossa projeção (+0,1%) e da mediana das expectativas do mercado (-0,6%). Na comparação anual, o indicador cresceu 7,7%. Já no conceito restrito, que exclui veículos e materiais de construção, o indicador cresceu 1,0%, também acima da nossa estimativa e do consenso de mercado (altas de 0,5% e 0,2%, respectivamente). Na comparação anual, houve alta de 4,4%. Olhando para as quebras, o resultado nas aberturas do varejo também foi positivo, com 8 em cada 10 setores crescendo. As únicas categorias que recuaram foram “veículos, motos, partes e peças” (-0,9%) e “equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação” (-1,6%).

A receita do setor de serviços (PMS, gráfico 2) também teve alta bem acima do esperado em julho, com crescimento mensal de 0,8% (contra expectativa de 0,1%) e de 1,8% na comparação com julho de 2018 (contra expectativa de 0,4%). Em conjunto com os dados de comércio, essas duas leituras mais do que compensam o desempenho fraco da produção industrial divulgado na semana anterior, e nos levam a projetar crescimento ligeiramente positivo do PIB no 3º trimestre (anteriormente, dados preliminares apontavam contração de 0,2%).

Na contramão do cenário desenhado pelas divulgações positivas de comércio e serviços, o índice de atividade mensal do Banco Central, IBC-Br, teve ligeira queda de 0,16% em julho, o que ressalta que a recuperação da economia ainda é lenta e relativamente errática.

Cenário global: tentando conter a desaceleração

Publicamos nossa atualização mensal de cenário (acesse aqui). No último mês, os indicadores econômicos globais deram novos sinais de que o protecionismo e a incerteza resultante estão afetando o crescimento. Os formuladores de política econômica parecem estar respondendo, mas até agora sem conseguir mitigar completamente os riscos. Cada um à sua maneira, EUA e China estão fornecendo estímulos domésticos que provavelmente impedirão que ambas economias desacelerem muito rapidamente. No entanto, é improvável que essas respostas revertam a tendência de desaceleração global. Na Europa, o BCE também está respondendo à piora das perspectivas com novas medidas, mas tememos que, por si só, a política monetária ainda mais frouxa possa não ser o suficiente. Estímulos fiscais nos países centrais poderiam ajudar, mas ainda não há indicação clara de que isso ocorrerá.

No Brasil, novamente fizemos poucas mudanças em nosso cenário (tabela 1). Seguimos prevendo crescimento de 0,8% em 2019 e 1,7% em 2020, com mais flexibilização monetária à frente. Acreditamos que a recente depreciação do real não altera essa perspectiva, uma vez que a pressão resultante sobre a inflação é compensada pela queda nos preços das commodities. De fato, agora esperamos inflação ainda menor neste ano e no próximo, devido ao hiato elevado e à inércia favorável. Por fim, mantemos nossas previsões de câmbio em R$ 3,80 por dólar em 2019 e 4,00 em 2020, mas admitimos que, na ausência de melhoras no cenário global, a moeda pode se estabilizar em um nível mais depreciado.

Nova rodada de tarifas sobre produtos chineses é adiada

O presidente Trump adiou o aumento das tarifas (de 25% para 30% sobre 250 bilhões de dólares em produtos chineses) por mais duas semanas, para 15 de outubro, como um gesto de boa vontade para as negociações comerciais agendadas para o início de outubro. Assim, o cenário mais provável passa a ser uma rodada de negociação em Washington na segunda semana de outubro, envolvendo membros do primeiro escalão. A concessão por parte do presidente norte-americano indica que ele busca um alívio na guerra comercial, mas ainda sem abrir mão de observar ações concretas por parte da China. Mesmo assim, permanece o risco de que Trump não se satisfaça com menos que um acordo comercial amplo, algo que a China não parece disposta a oferecer. portanto, não é possível descartar que as perspectivas para o comércio global voltem a se deteriorar no futuro próximo.

Banco Central Europeu reduz juros e pede estímulos adicionais

Na última quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) confirmou a expectativa do mercado e cortou 0,10 p.p. da taxa básica de juros, atualmente em -0,50%, o que não ocorria desde 2016. O banco também anunciou a retomada das compras de ativos (quantitative easing) em cerca de 20 bilhões de euros por mês, “pelo tempo necessário”, como medida adicional para estimular a já fraca economia da zona do euro. Ciente, porém, de que estas medidas talvez não sejam suficientes para lidar com a onda de desaceleração da economia e comércio global, o presidente do BCE, Mario Draghi, apelou para que os países da zona do euro se juntem aos esforços do banco supranacional e liberem estímulos também no fronte fiscal.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o destaque da semana será a reunião do Copom, que deve encerrar na quarta-feira. Dado a fraqueza da atividade e o cenário de inflação bem comportada, esperamos que o comitê opte por cortar novamente a Selic em 0,50 p.p., em linha com sua comunicação da última reunião e o consenso de mercado, levando a taxa básica de juros para 5,50% a.a.

Do lado internacional, o evento mais importante também será no fronte de política monetária, com a reunião do banco central norte-americano, o Fed, algumas horas antes da decisão do Copom. Nossa expectativa e o consenso do mercado é que o Fed opte por reduzir novamente a taxa básica de juros em 0,25 p.p., em face da desaceleração global e das perspectivas para o comércio internacional.


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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