Itaú BBA - Atividade econômica continua piorando

Semana em Revista

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Atividade econômica continua piorando

Maio 17, 2019

Mês foi marcado por recuos nos indicadores de atividade econômica.

 Indicadores de atividade recuam em março

 Reduzimos nossas projeções para o PIB neste ano e no próximo

 Copom ainda enxerga Selic em nível confortável

 Aumenta a chance de uma guerra comercial de grandes proporções

Indicadores de atividade recuam em março

A receita do setor de serviços recuou 0,7% em março, após queda de 0,6% observada no mês anterior. Na variação anual, as receitas de serviços retrocederam 2,4% (Gráfico 1). Com esses resultados, completamos o cálculo de nosso PIB mensal Itaú Unibanco. O indicador apresentou queda de 0,4% em março ante fevereiro, após ajuste sazonal. Na comparação ante o mesmo mês do ano anterior, houve queda de 0,6%.

Na mesma direção, o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,3% em março, após ajuste sazonal, ligeiramente abaixo da mediana de expectativas de mercado (-0,2%). Em comparação ao mesmo mês do ano passado, o indicador cedeu -2,5% (ante elevação de 2,4% em fevereiro). Com este resultado, a variação trimestral caiu 0,68%, após ajuste sazonal (Gráfico 2). 

Reduzimos nossas projeções para o PIB neste ano e no próximo

Publicamos nossa atualização mensal de cenário (acesse aqui). No Brasil, reduzimos as projeções de crescimento para 1,0% em 2019 e 2,0% em 2020 (de 1,3% e 2,5%, respectivamente), incorporando dados fracos e sinais de desaceleração. As principais fontes de fraqueza são a produção industrial virtualmente estagnada e a falta de investimentos – e parece que teremos lentidão adicional no futuro próximo, dada a queda generalizada dos indicadores de confiança mais recentes. Olhando mais à frente, as perspectivas permanecem completamente dependentes de reformas econômicas, em particular, a da previdência. Sobre esta, apesar do ruído observado nas etapas iniciais de tramitação, esperamos aprovação do projeto de emenda constitucional no terceiro trimestre de 2019. Condicional a essa reforma e considerando o quadro de atividade fraca com projeções de inflação abaixo da meta, continuamos a esperar um novo ciclo de corte de juros. Dessa forma, nossas projeções de taxa Selic são de 5,75% ao fim de 2019 e 5,5% ao fim de 2020 (Tabela 1).

Copom ainda enxerga Selic em nível confortável

O Banco Central divulgou a ata de sua última reunião de política monetária. O documento sugere que, apesar do desapontamento com o ritmo de recuperação, o Copom segue bastante confortável com o patamar atual da taxa Selic. O comitê indica que, embora o PIB do 1T19 possa apresentar contração, a atividade provavelmente se recuperará adiante, e acrescenta que precisará ver sinais de que os efeitos defasados dos choques de 2018 tenham se dissipado antes de qualquer reavaliação sobre esse cenário. Além disso, o texto sugere que será necessário avaliar em que medida a 

incerteza sobre a sustentabilidade fiscal pode estar contendo a atividade. As autoridades parecem indicar, em resumo, que a aprovação da reforma da previdência pode ser uma condição suficiente para acelerar mais fortemente o crescimento. 

Aumenta a chance de uma guerra comercial de grandes proporções 

Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que iria aumentar as tarifas sobre importações chinesas, revertendo os avanços que vinham ocorrendo nas negociações entre os dois países. Após a alta de tarifas americanas (que passaram de 10% para 25% sobre importações de origem chinesa equivalentes a 200 bilhões de dólares) e a retaliação do país chinês (que impuseram tarifas de até 25% sobre quase 5 mil produtos americanos, equivalentes a 60 bilhões de dólares) , as chances de uma resolução rápida deste empasse se tornaram ainda menores nesta semana. Líderes chineses declararam que devem diminuir o ritmo de conversas e negociações com os Estados Unidos, uma vez que vêem com “pouca sinceridade” as falas recentes do presidente norte-americano, que indicavam uma reaproximação entre as duas potências.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o IBGE divulga o IPCA-15 de maio na sexta-feira. Ainda sem data definida, a criação de emprego formal (Caged) e arrecadação federal (ambas referentes ao mês de abril) também podem ser divulgadas.

Ao longo da semana, algumas medidas provisórias importantes podem ser votadas na Câmara dos Deputados (MP 868, 870 e 871). A partir destas votações, teremos mais detalhes sobre o relacionamento entre o governo e o Congresso, com implicações importantes para as perspectivas de aprovação da reforma da previdência.

Do lado internacional, a ata da última reunião de política monetária do Fed será divulgada na quarta-feira. No dia seguinte, as atenções estarão voltadas para os indicadores de atividade (PMI, na sigla em inglês) de fevereiro da Zona do Euro.



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