Itaú BBA - Ata do Copom reforça Selic estável à frente

Semana em Revista

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Ata do Copom reforça Selic estável à frente

Julho 29, 2016

Mantemos nossa projeção de que a taxa Selic irá alcançar 13,50% no fim de 2016.

Esperamos que cortes de juros ocorram no 4T16

Mercado de trabalho continua fraco

PIB nos EUA decepciona e Fed não deve subir juros no curto prazo

Banco central do Japão anuncia estímulos menores do que esperado

Ata do Copom em novo formato reforça Selic estável no curto prazo

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) divulgou a ata de sua última reunião. Como o comunicado, o documento veio em um novo formato. A ata sinalizou que, se a taxa básica de juros ficar inalterada, a inflação ficará abaixo da meta no horizonte relevante para a política monetária (18 a 24 meses), mas não em 2017, o foco atual do comitê. Por outro lado, se o comitê executar os cortes de juros embutidos no cenário de mercado até o final de 2017, de 3,25 p.p., a inflação ficará novamente acima da meta. Isso sugere que as autoridades não estão inclinadas, no momento, a sancionar a flexibilização monetária esperada pelo mercado. Ainda é cedo para mudarmos nossa projeção de que os juros começarão a cair no quarto trimestre de 2016, principalmente considerando que estamos no meio de um choque de preços de alimentos que, embora provavelmente seja transitório, evita uma queda mais rápida nas expectativas de inflação.

Mercado de trabalho continua fraco

Os efeitos da recessão econômica continuaram pesando sobre o mercado trabalho em junho. Houve destruição líquida de 91 mil postos de trabalho. Em termos dessazonalizados, a média móvel de três meses subiu um pouco para -130 mil, mas segue perto do mínimo histórico (Gráfico 1).

Neste ambiente, a taxa de desemprego nacional, calculada pela PNAD Contínua, atingiu 11,3% no mês, três pontos percentuais acima do mesmo período no ano passado. Na nossa visão, apesar dos sinais de estabilização da economia, a fraqueza do mercado de trabalho irá continuar à frente, diante das defasagens que o mesmo responde à atividade.

Déficit fiscal de R$ 10 bilhões em junho

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10,1 bilhões em junho, em linha com o esperado. No acumulado em doze meses, o déficit primário sobre o PIB se manteve estável em 2,5% (Gráfico 2). Do lado do setor público central, o resultado primário veio acima das expectativas, diante de R$ 5,2 bilhões de receitas extraordinárias advindas do leilão de hidroelétricas. A tendência desfavorável dos resultados fiscais reforça a necessidade da aprovação de reformas estruturais, como a proposta do limite para o crescimento dos gastos, que é capaz de alterar a dinâmica de elevação nas despesas do governo e reverter a trajetória desfavorável da dívida pública.

Ritmo menor de melhora das contas externas

Em junho, o déficit em conta corrente atingiu US$ 2,5 bilhões, acima das nossas expectativas. Acumulado em 12 meses, o déficit ficou praticamente estável (em US$ 29,4 bi ou 1,7% do PIB) (Gráfico 3). O câmbio mais apreciado nos últimos meses e alguma estabilização na atividade doméstica ajudam a explicar o ritmo menor de melhora das contas externas. Acreditamos que, depois da expressiva melhora ao longo de 2015, as contas externas tenham alcançado o seu ponto de inflexão. Nos próximos meses, esperamos resultados mais modestos em linha com a nossa visão de um pequeno déficit em 2016 (US$ 18 bi).

PIB nos EUA decepciona e Fed não deve subir juros no curto prazo 

O crescimento do PIB dos Estados Unidos foi de 1,2% no segundo trimestre, bem abaixo das expectativas (2,5%) (Gráfico 4). A surpresa negativa veio do fraco acúmulo de estoques, o que deve voltar à frente. Do lado da demanda, o crescimento do consumo segue sólido. No entanto, o investimento fixo e os gastos do governo decepcionaram. A inflação, por sua vez, segue moderada, como sugere o deflator dos gastos de consumo e o custo de emprego no período.

Em sua reunião de política monetária, o Fed, banco central americano, manteve a taxa de juros inalterada. No comunicado, o comitê reconheceu a melhora dos dados recentes e vê uma diminuição dos riscos de curto prazo. Na nossa visão, essa sinalização em conjunto com o PIB mais fraco no segundo trimestre, principalmente do investimento, reforça que a próxima alta de juros não está próxima.

Banco central do Japão anuncia estímulos menores do que esperado

O banco central do Japão (BoJ) anunciou estímulos monetários menores do que o esperado pelo mercado. A autoridade dobrou o ritmo de compra dos ativos, mas não anunciou corte de juros como era esperado. Em resposta a essa decisão, o yen se apreciou e as taxa de longo prazo subiram, apesar de continuarem em terreno negativo (Gráfico 5). No comunicado, o BoJ sinalizou que há uma coordenação entre as políticas fiscal e monetária para o combate da deflação e que deve reavaliar o programa de compra de ativos e o nível da taxa de juros em sua próxima reunião de política monetária em setembro. Nessa semana, como medida para combate à deflação, o governo anunciou um pacote fiscal e os detalhes vão ser anunciados na próxima semana.

Destaques da próxima semana                                                                  

No Brasil, a semana terá poucas divulgações. Na terça-feira, o IBGE divulga a produção industrial de junho. Do lado político, o Congresso volta às atividades após duas semanas de recesso branco.

Nos Estados Unidos, os dados do mercado de trabalho de julho serão divulgados na sexta-feira. Além disso, as sondagens ISM da indústria e do setor de serviços, também de julho, serão divulgadas na segunda-feira e na quarta-feira, respectivamente.


 

Caio Megale

Laura Pitta

André Matcin


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 



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