Itaú BBA - Aprovada a reforma da Previdência no Brasil

Semana em Revista

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Aprovada a reforma da Previdência no Brasil

Outubro 25, 2019

Com a aprovação da reforma da previdência de forma definitiva, o governo deve enviar, agora, novas propostas para aprofundar o ajuste fiscal

 Senado aprova a proposta de reforma da Previdência em segundo turno

 Inflação acima do esperado em outubro, mas ainda em patamares confortáveis

 Indicadores de confiança mostram expectativas menos otimistas com a economia

 Reino Unido aprova acordo para Brexit, mas rejeita trâmite acelerado

Trâmite da reforma da Previdência no Congresso chega ao fim

O Senado aprovou, na última quarta-feira, a proposta de mudanças no sistema previdenciário do país, considerada uma das mais importantes medidas em direção a um regime fiscal sustentável. Com 60 votos a favor e 19 contrários ao texto-base, os senadores acataram apenas um destaque no segundo turno, que manteve a possibilidade de aposentadorias especiais sob condições de periculosidade. Em nossas estimativas, esperamos que a versão aprovada da reforma economize R$ 738 bilhões de gastos públicos nos próximos 10 anos. Agora, para que a proposta entre em vigor, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deverá promulgar a lei aprovada – algo que deve ocorrer até o dia 19 de novembro, de acordo com declarações do próprio senador. 

Inflação surpreende expectativas, mas segue em patamares confortáveis

Em sua divulgação mais recente, a inflação surpreendeu ligeiramente as expectativas. O IPCA-15 de outubro registrou alta de 0,09%, acima da nossa projeção (0,0%) e da mediana das expectativas do mercado (0,03%) (Gráfico 1). O desvio em relação à nossa expectativa veio principalmente de uma queda de preços de alimentos menor do que esperado, além de uma alta em itens de higiene pessoal. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,69% (ante 2,60% no mês anterior). Apesar da surpresa, as divulgações recentes do IPCA corroboram a nossa visão de que a inflação segue em trajetória benigna, com todas as medidas de núcleo em patamares confortáveis (ao redor de 3% ao ano). Assim, mantivemos nossas projeções de inflação em 3,3% neste ano e 3,7% no próximo.

Expectativas do empresário e do consumidor para a economia pioram no mês

Do lado da atividade econômica, as divulgações se limitaram aos indicadores de confiança para o mês de outubro (Gráfico 2). Tanto a prévia da confiança da indústria, divulgada na terça-feira, quanto a confiança do consumidor, na quinta-feira, mostraram quedas no período, de 1,2 p.p. e 0,3 p.p., respectivamente. Apenas a confiança do setor de comércio registrou alta no mês (+1,2 p.p.). Ainda assim, é importante frisar que os componentes de expectativas destes três indicadores registraram recuos (-1,4 p.p. e -0,4 p.p., no caso da indústria e consumidor, e -0,6 p.p., no setor de comércio), mostrando que a recuperação da confiança, quando vier, será gradual e errática. Na próxima semana, o calendário de divulgação destes indicadores terá continuidade com a publicação da confiança da indústria (final), serviços e construção, o que deve fornecer mais informações para verificar se essa queda nas expectativas é uma tendência generalizada ou localizada em alguns setores. 

Concessão de crédito acelera em setembro

O Banco Central divulgou seu relatório de crédito referente a setembro nessa sexta. O volume de novos empréstimos livres a consumidores aumentou 1,5% no período, acelerando de 0,8% no mês anterior. O mercado de empréstimo corporativo também se aqueceu, passando de um crescimento de 1,8% em agosto para 2,9% no último mês (Gráfico 3). Seguindo a queda da taxa Selic nos últimos meses, as taxas de juros a pessoas físicas e jurídicas também recuaram, passando de 52,0% para 51,3% e de 18,9% para 17,8%, respectivamente. A taxa de inadimplência dos consumidores, por outro lado, apresentou pequeno aumento na margem, para 4,9% (de 4,8%). Já a inadimplência das empresas caiu de 2,6% para 2,5%. 

Parlamento inglês aprova acordo de Boris Johnson, mas rejeita trâmite acelerado

Na terça-feira, o parlamento do Reino Unido aprovou, por 329 votos a 299, a proposta de um acordo para a saída da região da União Europeia. Apesar do avanço, as autoridades rejeitaram acelerar o trâmite da proposta no parlamento, o que levou o primeiro ministro britânico, Boris Johnson, a dizer que irá esperar que a UE proponha um adiamento, o que pode ocorrer no início da próxima semana. Caso a extensão proposta seja mais curta (algo entre 1 e 3 semanas), é provável que o governo inglês tente seguir com o trâmite normal do acordo já aprovado no Parlamento. Entretanto, caso a União Europeia sugira um adiamento maior (3 meses), há uma chance que Johnson decida convocar novas eleições. Até o momento, a UE não indicou oficialmente uma posição, mas Donald Tusk, o presidente do conselho europeu, pediu publicamente a líderes europeus que proponham este adiamento.

Atividade econômica mostra fraqueza na Zona do Euro

Dados de PMI ficaram estáveis em níveis baixos em outubro na Zona do Euro, e seguem indicando fraqueza à frente. O PMI composto passou de 50,1 para 50,2, puxado pelo PMI de serviços (de 51,6 para 51,8), enquanto o componente de manufatura permaneceu estável em 45,7 no período. Em termos regionais, a França registrou um aumento no mês, mas Alemanha, Itália e Espanha continuaram mostrando fraqueza e contribuíram para o tímido índice agregado. Neste nível, o PMI é compatível com um crescimento trimestral próximo de 0% no quarto trimestre deste ano.

Destaques da próxima semana              

No fronte doméstico, a semana será bastante movimentada. Teremos a divulgação da decisão de política monetária do Copom, na quarta-feira, para a qual esperamos um novo corte na Selic de 0,50 p.p., levando a taxa de juros para 5,0% a.a. Além disso, serão publicados os dados de desemprego (na quinta-feira) e produção industrial (sexta-feira) referentes a setembro, além dos indicadores de confiança da indústria (final), serviços e construção de outubro. As finanças públicas serão divulgadas ao longo da semana, com o resultado primário do governo central e consolidado na quarta e quinta-feira, respectivamente. Também será importante monitorar o fronte político, uma vez que o governo pode anunciar sua agenda pós-aprovação da reforma da previdência, com propostas para a reforma administrativa, pacto federativo e mudanças na regra de ouro.

Do lado internacional, o destaque da semana deve ficar por conta da decisão de política monetária do Fed, na quarta-feira. Além disso, teremos as divulgações do PIB do terceiro trimestre nos EUA (quarta-feira) e na Zona do Euro (quinta-feira), além da criação de emprego e taxa de desemprego de outubro (sexta-feira) no país norte-americano. Finalmente, é provável que mais detalhes sobre os desdobramentos do acordo sobre o Brexit sejam revelados ao longo da semana, uma vez que, oficialmente, o prazo para a saída do Reino Unido da União Europeia acaba na quinta-feira.


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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