Itaú BBA - Alta de juros ainda em 2016 nos EUA

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Alta de juros ainda em 2016 nos EUA

Agosto 26, 2016

Fed deve realizar apenas uma alta em 2016, o que não irá alterar o cenário positivo que vemos para mercados emergentes.

Esperamos que o Fed realize uma alta de 0,25 p.p. esse ano

Governo colombiano anuncia acordo final de paz com a FARC 

Sem sinais de recuperação do mercado de trabalho

Semana no Congresso: julgamento final do impeachment e medidas fiscais

Alta de juros ainda em 2016 nos EUA

Em discurso na conferência anual de bancos centrais em Jackson Hole, a presidente do Fed, Janet Yellen, sinalizou uma alta de juros no segundo semestre de 2016, diante da recuperação da atividade e das condições financeiras favoráveis, mas não foi específica sobre em qual reunião isso irá ocorrer. Após o discurso, o vice-presidente do Fed, Stanley Fischer afirmou que discurso da Yellen é consistente com possibilidade de alta em setembro e que os dados de mercado de trabalho na próxima semana serão importantes para definir o próximo movimento do Fed. Diante dessa sinalização, a chance de alta em setembro aumentou, diminuindo, por sua vez, as chances do cenário de manutenção de juros nessa reunião. Os mercados responderam à sinalização de Fischer. No Brasil, a taxa de câmbio depreciou, atingindo quase 3,24 reais por dólar (Gráfico 1). De qualquer forma, na nossa visão, o Fed deve realizar apenas uma alta de 0,25 p.p. nos juros esse ano, o que não irá alterar o cenário positivo que vemos para mercados emergentes. 

Governo colombiano anuncia acordo final de paz com a FARC

O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias (FARC) anunciaram um acordo de paz final, encerrando o último grande conflito na América. O anúncio veio depois da última rodada de negociações que teve início em 2012. O acordo deve conseguir uma aprovação rápida no Congresso, mas precisa ainda ser ratificado em um plebiscito, que pode ocorrer no dia 2 de outubro. A aprovação do acordo no plebiscito ainda não é certa, o governo terá que convencer a população sobre o assunto.

Sem sinais de recuperação do mercado de trabalho

Os números do CAGED (Ministério do Trabalho) divulgados essa semana indicam que ainda não há sinais de recuperação do mercado de trabalho. Em julho, a criação líquida de postos de trabalho foi negativa em 94,7 mil postos. Corrigindo por fatores sazonais, houve destruição líquida de 91 postos de trabalho (Gráfico 2). Houve destruição de empregos disseminada entre os setores da economia. Na nossa visão, apesar dos sinais de estabilização da economia, o mercado de trabalho irá continuar fraco à frente, diante das defasagens que o mesmo responde à atividade.

Semana no Congresso: julgamento final do impeachment e medidas fiscais

O Senado iniciou o julgamento final do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A votação final está marcada para ocorrer no começo da semana que vem na terça-feira ou na quarta-feira. Do lado fiscal, o Congresso aprovou a lei de diretriz orçamentária (LDO) que estabelece como meta um déficit primário de 2,2% para 2017. Além disso, o Senado aprovou a Desvinculação de Recursos da União (DRU) em ambos os turnos. A medida desvincula 30% das receitas da seguridade social até 2023, dando ao governo mais espaço para ajustar o orçamento. No entanto, a Câmara adiou mais uma vez a votação dos destaques do projeto sobre a renegociação das dívidas dos estados, devido à falta de quórum diante das eleições municipais. A votação ficou agora para a próxima semana. Por fim, a contagem de prazos para a tramitação do projeto que estabelece um teto para o crescimento dos gastos públicos avançou na comissão especial. Faltam por volta de cinco sessões (aproximadamente duas semanas) para o fim do prazo mínimo de 10 sessões para a apresentação do parecer do relator Darcísio Perondi na comissão especial.

Alimentos continuam pressionando a inflação em agosto

Apesar de ter subido menos do que no mês passado, os preços dos alimentos seguem pressionando a inflação em agosto. No mês, houve alta de 0,45% no IPCA-15. Com o resultado, a taxa em 12 meses subiu um pouco para 8,95%, vindo de 8,93% em julho (Gráfico 3). Esperamos uma moderação dos preços de alimentos no segundo semestre, contribuindo para queda da inflação à frente. Projetamos a inflação em 7,2% em 2016 e em 4,8% em 2017.

Conta de luz não terá cobrança extra em setembro

O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou que não será necessário adotar a bandeira amarela na conta de luz em setembro. A mudança da bandeira verde para amarela levaria a um custo adicional de R$ 1,50 a cada 100 kWh/hora. Essa alteração chegou a ser discutida recentemente diante da expectativa de recuperação da demanda por energia e a chuva abaixo da média nos últimos meses. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou que não terá bandeira amarela em setembro.

Indicadores de confiança em alta

As sondagens empresariais da FGV vêm mostrando uma alta generalizada dos indicadores de confiança. Em agosto, o indicador de confiança do comércio teve alta de 9,6% e da construção civil subiu 2,5%. A confiança do consumidor também subiu no período, mas o percentual de pessoas reportando que está difícil conseguir emprego está perto do seu maior nível histórico e a intenção de compras de bens duráveis segue em um patamar baixo. Do lado da indústria, a prévia da sondagem aponta que o indicador de confiança ficou estável em agosto, após o forte crescimento dos meses anteriores (Gráfico 4). A volta dos indicadores de confiança reforça o nosso cenário de recuperação da economia à frente, principalmente no setor industrial.

Ajuste externo perdendo força

Depois da expressiva melhora ao longo de 2015, o ajuste externo tem perdido fôlego nos últimos meses. Em julho, o déficit em conta corrente foi de US$ 4,1 bilhões, acima das expectativas. Acumulado em 12 meses, o déficit recuou para US$ 27,9 bilhões (ou 1,6% do PIB), mas em um ritmo menor que nos últimos meses, em função da estabilização da atividade e, de forma secundária, do real mais apreciado (Gráfico 5). Mesmo assim, o déficit em conta corrente em 2016 será menor do que em 2015. Para os próximos anos, mantemos a nossa visão de déficits maiores do que neste ano, mas ainda em patamares historicamente baixos.

Destaques da próxima semana                                                                  

Semana com vários eventos e divulgações importantes no Brasil. A votação final do impeachment da presidente Dilma Rousseff ocorre no começo da semana que vem. Na quarta-feira, ocorre a reunião do Copom. Esperamos manutenção da taxa Selic em 14,25%. Também na quarta-feira, o IBGE divulga o PIB do segundo trimestre. A nossa projeção é uma contração de 0,6% do PIB no período. A taxa de desemprego e a produção industrial, ambos de julho, vão ser divulgadas na terça-feira e na sexta-feira, respectivamente. Os resultados fiscais referentes a julho serão divulgados na quarta-feira.

 Nos Estados Unidos, destaque para a conferência de Jackson Hole que ocorre no final de semana. Em discursos e em entrevistas, os membros do Fed podem continuar sinalizando os próximos passos de política monetária. Além disso, na sexta-feira, serão divulgados os dados de mercado de trabalho de agosto.


 

Caio Megale

Laura Pitta


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 



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