Itaú BBA - À espera da reforma da Previdência

Semana em Revista

< Voltar

À espera da reforma da Previdência

Maio 12, 2017

Esperamos aprovação da reforma da Previdência no Congresso até o 3T17.

Publicamos nossa revisão mensal de cenário

No Brasil, revisamos nossa projeção de câmbio para R$/US$ 3,25 ao final de 2017

Atenções voltadas para os próximos passos da reforma da Previdência

EUA: Varejo consistente com alta de juros, mas inflação reforça ritmo gradual

Revisamos nossa projeção de câmbio para R$/US$ 3,25 ao final de 2017

Publicamos nossa revisão mensal de cenário (acesse aqui). No Brasil, mantivemos o cenário de crescimento de 1,0% do PIB em 2017, e de 4,0% em 2018, com a fraqueza dos dados recentes compensando o crescimento mais forte no primeiro trimestre. Do lado da inflação, também mantivemos as projeções para o IPCA deste ano em 3,9%, e em 3,8% em 2018. Revisamos a nossa projeção de taxa de câmbio para 3,25 reais por dólar, no fim de 2017 (de 3,35 reais por dólar), tendo em vista o cenário externo benigno e os sinais de maior apetite ao risco por parte dos investidores globais, apesar da queda dos preços das commodities (Tabela 1). Esperamos que o banco central faça outro corte de 1,0 ponto percentual no fim de maio, mas há risco de um corte maior em caso de votação favorável à reforma da Previdência ainda este mês. Projetamos que a taxa Selic atinja 8,25% no fim de 2017 e 2018 (Gráfico 1).

Atenções voltadas para os próximos passos da reforma da Previdência

Após ser aprovada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, o próximo passo da reforma da Previdência (PEC 287/16), é sua tramitação no plenário da Câmara, com votação em dois turnos, que deve ocorrer até o fim de junho. Acreditamos que a análise e aprovação no Senado, últimos passos antes da sanção presidencial, devem ocorrer até o fim do terceiro trimestre de 2017. Na nossa visão, a proposta aprovada na Comissão teria um impacto no resultado primário do governo federal de 1,4 p.p. do PIB em 2025 (equivalente a 70% da proposta original enviada pelo governo), na comparação com o cenário em que nenhuma reforma é aprovada.

Mesmo com essas diluições, acreditamos que a aprovação da reforma da Previdência será fundamental para a estabilização da dívida pública no médio prazo. Sem reforma ou com a aprovação de uma reforma ainda mais branda, haveria uma chance elevada de o governo não conseguir cumprir o teto de gastos ao longo do tempo e de a trajetória da dívida pública continuar insustentável.

Varejo recua em março, influenciado pelo setor de supermercados

As vendas no varejo recuaram 1,9% em março, abaixo das expectativas (Gráfico 2). Avaliamos que a surpresa negativa no mês é explicada pelo resultado do setor de supermercados, que recuou 6,2%, compensando uma alta forte dos últimos dois meses, em um quadro de alta volatilidade. Excluindo o resultado do setor de supermercados, notamos que os demais componentes mostram um quadro consistente com estagnação das vendas do varejo no mês. Olhando à frente, projetamos que as vendas no varejo voltem a mostrar alguma recuperação nos próximos meses, influenciadas pelo efeito da desinflação na renda real dos consumidores e pelo saque das contas inativas do FGTS.

Do lado dos serviços, a receita real do setor recuou 2,3% em março, após quatro meses de resultados alternados entre estabilidade e pequenas altas.

Com as vendas no varejo, completamos nosso cálculo do PIB mensal Itaú Unibanco de março. O indicador recuou 2,0% no mês, após ajuste sazonal, devolvendo parte da alta do último mês. Na comparação trimestral, houve alta de 2,2% no primeiro trimestre do ano, em comparação ao quarto de 2016, após ajuste sazonal, reforçando nossa visão positiva para o PIB no primeiro trimestre do ano.

Inflação segue recuando

A inflação do IPCA registrou variação de 0,14% em abril, em linha com as expectativas. Acumulada em 12 meses, a inflação recuou para 4,1%, ante 4,6% no mês anterior (Gráfico 3). Segundo o IBGE, este foi o menor resultado do IPCA para o mês de abril desde 1994. A desaceleração da inflação no mês segue disseminada entre seus componentes, reforçando o impacto da atividade fraca.

EUA: Varejo consistente com alta de juros, mas inflação reforça ritmo gradual

Nos EUA, as vendas no varejo subiram 0,4% em abril, consistente com a retomada do consumo das famílias no segundo trimestre do ano. Por outro lado, o núcleo da inflação (que excluí energia e alimentos) subiu apenas 0,1%, abaixo do esperado, reforçando o sinal dos índices de salários de que as pressões inflacionárias continuam moderadas na economia americana. Em um cenário de confirmação de crescimento do PIB no segundo trimestre e sem maiores pressões de inflação, acreditamos que o Fed deve manter o ritmo gradual de normalização da política monetária. Assim, continuamos esperando que o Fed aumente a taxa de juros em junho e setembro, além de iniciar a normalização do seu balanço em dezembro.

Macron vence eleições na França

Com 66% dos votos, Emmanuel Macron tornou-se o novo presidente francês, eliminando o risco de um governo europopulista na região. Na nossa visão, o resultado é positivo para a zona do euro, uma vez que Macron tem uma agenda reformista e pró-europeia. Naturalmente, há dúvidas sobre sua capacidade de implementar a agenda. Acreditamos que a eleição para a Assembleia Nacional em junho será fundamental para mostrar o quanto de apoio Macron terá no Parlamento.

Destaques da próxima semana     

No Brasil, as atenções estarão voltadas para o possível anúncio da data de votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara dos Deputados pelo presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Do lado econômico, o indicador de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) de março será divulgado na segunda-feira.

Do lado internacional, destaque para os dados da produção industrial chinesa de abril na noite de domingo.       

 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 


 

 



< Voltar