Itaú BBA - Recuperação mais disseminada

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Recuperação mais disseminada

Outubro 2, 2017

Diversos setores relatam melhoras substanciais nas vendas nos últimos 6 meses.

Informações até 2 de outubro de 2017
 

Este relatório resume relatos sobre o ambiente de negócios que ouvimos de contatos no setor real, especialistas e outras fontes fora do Itaú. Exceto pela seção ‘Nossa visão’, este relatório não reflete necessariamente a visão da área de pesquisa econômica do Itaú.

Seções:

Consumo e produção de bens e serviços
Diversos setores, desde a indústria farmacêutica até aparelhos auditivos, brinquedos, alimentos e bebidas, reportam melhoras substanciais nas vendas nos últimos 6 meses.

Investimento
Do lado do financiamento, o volume de novas emissões no mercado de dívida vem crescendo fortemente, provavelmente refletindo as taxas de juros mais baixas e a queda na participação do BNDES.

Mercado de trabalho, custos de produção e preços
Não observamos sinais de aumento de pressão de preços sobre a economia, com as indústrias reportando que os varejistas não estão dispostos a aceitar qualquer tipo de aumento de preços.

Commodities
Uma safra agrícola recorde e a queda nos preços de alimentos é certamente o tema do ano. Mas também destacamos relatos de uma recuperação lenta, porém constante, no setor de Petróleo e Gás.

Nossa visão

A melhora da atividade econômica está se tornando mais disseminada, e revisamos recentemente nossa projeção de crescimento do PIB deste ano para 0,8%, de 0,3%. Para 2018, esperamos um crescimento de 2,7%. A dinâmica insustentável da dívida pública, no entanto, continua sendo a principal vulnerabilidade da economia. Novas reformas (especialmente as mudanças no sistema de previdência) são condição necessária para que a recuperação seja sustentável.



Consumo e produção de bens e serviços

O consumo parece estar consolidando uma tendência de alta, na medida em que os consumidores se beneficiam da queda da inflação e das melhores condições de crédito.

Diversos setores, que vão desde a indústria farmacêutica até aparelhos auditivos, brinquedos, alimentos e bebidas, relatam melhoras substanciais nas vendas nos últimos 6 meses. Varejistas que atuam em segmentos de alta renda indicam que as vendas continuam surpreendendo positivamente, especialmente nas classes A e B.

O setor automotivo reporta vendas melhores do que o esperado, com uma composição surpreendente: mais vendas para empresas de aluguel do que para o consumidor final.

Investimento

À medida que o consumo começa a acelerar de forma consistente, a próxima pergunta que surge é: haverá também uma recuperação do investimento? Do lado do financiamento, o volume de novas emissões nos mercados de dívida vem crescendo fortemente, provavelmente refletindo as taxas de juros mais baixas e a queda na participação do BNDES. Alguns setores também começaram a buscar novos empréstimos para projetos de investimento, mas a demanda tem sido tímida até o momento.

Há várias indicações de que o nível mais baixo de taxas de juros está beneficiando o processo de desalavancagem entre as empresas, abrindo as portas para algum investimento, apesar do baixo nível de utilização da capacidade no setor industrial.

Os provedores de serviços de TI relatam demanda crescente por parte de seus clientes, com destaque para o setor de saúde, no qual o investimento em tecnologia está se tornando indispensável.

Mercado de trabalho, custos de produção e preços

Não vemos indícios de aumento de pressão de preços sobre a economia, com as indústrias reportando que os varejistas não estão dispostos a aceitar qualquer tipo de aumento de preços. A pressão do mercado de trabalho também está contida, com várias indicações de que as empresas não veem necessidade de aumentar o quadro de funcionários nesta fase do ciclo.

A taxa de câmbio mais apreciada também é frequentemente mencionada como um fator de contenção dos preços.

Commodities

Uma safra recorde, com preços baixos para algumas commodities agrícolas, é certamente o tema do ano. Mas também destacamos relatos de uma recuperação lenta, porém constante, no setor de Petróleo e Gás. O financiamento para o setor (através de empréstimos bancários) está se recuperando em relação a níveis extremamente baixos, e há um grande interesse de investidores estrangeiros nos leilões de petróleo. O impacto positivo desta melhora na economia será, no entanto, mais claramente percebido daqui a 2-5 anos.

Nossa visão

A melhora da atividade econômica está se tornando mais disseminada, e revisamos recentemente nossa projeção de crescimento do PIB deste ano para 0,8%, de 0,3%. Para 2018, esperamos um crescimento de 2,7%. A dinâmica insustentável da dívida pública, no entanto, continua sendo a principal vulnerabilidade da economia. Novas reformas (especialmente as mudanças no sistema de previdência) são condição necessária para que a recuperação seja sustentável.



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