Itaú BBA - Recuperação em curso, pressões inflacionárias contidas

Orange Book

< Voltar

Recuperação em curso, pressões inflacionárias contidas

Janeiro 2, 2018

A maioria dos setores tem planos de aumento de CAPEX, mas os investimentos têm sido mais concentrados em compras de máquinas e equipamentos.

Informações até 02 janeiro de 2018

Este relatório resume relatos sobre o ambiente de negócios que ouvimos de contatos no setor real, especialistas e outras fontes fora do Itaú. Exceto pela seção ‘Nossa visão’, este relatório não reflete necessariamente a visão da área de pesquisa econômica do Itaú.

Seções:

Consumo e produção de bens e serviços 
A recuperação da atividade continua se disseminando entre setores. Em nossas conversas com clientes, o setor automotivo é o principal destaque, mas observamos relatos positivos também nos setores têxtil, aéreo e de siderurgia.

Investimento 
A maioria dos setores tem planos de aumento de CAPEX em relação ao que foi investido em 2017, mas os investimentos têm sido mais concentrados em compras de máquinas e equipamentos do que em construção. Além disso, notamos que as preocupações com o cenário político têm afetado as decisões de investimento, fazendo com que por enquanto as empresas se voltem mais para investimentos em eficiência e modernização, e menos para projetos de ampliação de capacidade.

Mercado de trabalho, custos de produção e preços
O alto nível da taxa de desemprego e a baixa inércia inflacionária são fatores que possibilitam menores reajustes salariais. Diversos setores já estão alterando suas estruturas para se adequarem à nova lei trabalhista, mas outros aguardam maior clareza jurídica e jurisprudencial antes de colocarem em prática ações consistentes com a nova legislação.

Nossa visão

Projetamos aceleração do crescimento do PIB de 1,0% em 2017 para 3,0% em 2018, principalmente devido ao estímulo exercido pela política monetária e os avanços recentes no mercado de capitais. No entanto, há riscos de baixa para a recuperação se ocorrerem mudanças na perspectiva de ajuste das contas públicas.



 

Consumo e produção de bens e serviços

A atividade econômica segue em tendência de recuperação, de acordo com relatos da maioria dos setores econômicos.

As vendas de automóveis vêm surpreendendo positivamente nos últimos meses. As montadoras estão aumentando horas de trabalho e iniciando turnos aos sábados. A cadeia de fornecedores também reporta condições similares. A indicação em nossas conversas é de crescimento de 10-20% nas vendas em 2018. Além da recuperação econômica em curso, outro fator que estimula as vendas é a renovação, por parte das famílias, da frota de carros comprados em 2010/11 (último ciclo forte de vendas). Quanto ao financiamento para aquisição, no âmbito da pessoa física, a inadimplência está em queda e o nível atual já é considerado como compatível com uma expansão continuada do crédito. No âmbito da pessoa jurídica, o custo de financiar veículos pesados no mercado de crédito livre está atualmente próximo do custo do programa BNDES Finame.

O setor têxtil reporta aumento robusto da demanda desde o início do segundo semestre de 2017. Em outubro e início de novembro as vendas desaceleraram, mas o evento “Black Friday” foi reportado como positivo para o setor. No varejo, as empresas ligadas a vestuário registram, no terceiro trimestre, crescimento anual positivo pela primeira vez em alguns anos.

Produtoras de aço apontam que a recuperação da indústria, iniciada no setor automotivo, está se disseminando para outros setores, como móveis e eletrodomésticos, produtos de linha-branca e bens de capital destinados à agricultura. Fornecedores de empilhadeiras e materiais para a indústria indicam crescimento forte das vendas para 2017 ante 2016, mas em níveis ainda significativamente abaixo do observado no período pré-recessão.

No segmento de companhias aéreas, há relatos de que as famílias brasileiras estão programando férias com antecedência (para julho de 2018, por exemplo), algo que não ocorreu nos últimos anos. No segmento corporativo, a demanda está se recuperando para voos domésticos e internacionais, mas segue mais sensível a preços do que em anos de boas condições econômicas.

Do lado negativo, o setor de telefonia ainda não observa a retomada em recarga de linhas pré-pagas, algo que normalmente ocorre rapidamente quando há melhora no poder de consumo das famílias.

Investimento

A maioria dos setores tem planos de expansão de CAPEX (investimento em bens de capital) em relação ao que foi investido em 2017. Os investimentos têm sido mais concentrados em compras de máquinas e equipamentos do que em construção, principalmente no caso do setor imobiliário, que continua com dificuldades maiores devido ao excesso de oferta dos últimos anos. No entanto, mesmo neste segmento há sinais incipientes de recuperação, com relatos de que construções de prédios residenciais começaram a se recuperar em outubro.

Observamos que as preocupações com o cenário político, mais precisamente as dúvidas sobre a continuidade da agenda de reformas, têm afetado as decisões de investimento, fazendo com que por enquanto as empresas se voltem mais para investimentos pontuais em eficiência e modernização e sigam adiando investimentos mais volumosos, como em ampliação de capacidade instalada.

Mercado de trabalho, custos de produção e preços

O alto nível da taxa de desemprego e a baixa inércia inflacionária são fatores que possibilitam menores reajustes salariais. A maioria dos setores, mesmo aqueles com participação forte de sindicatos, está concluindo o processo de negociações com aumento nominal de salários entre 1,5% e 3,0%, após reajustes próximos a 10% em anos anteriores.

Sobre o impacto da reforma trabalhista, diversos setores já estão alterando suas estruturas para se adequarem à nova lei, enquanto outros aguardam maior clareza jurídica e jurisprudencial antes de colocarem em prática ações compatíveis com a nova legislação. Os setores que já estão alterando suas estruturas reforçam que diversos aspectos da reforma, dentre eles o seu eixo central, segundo o qual o negociado prevalece sobre o legislado, devem contribuir para reduzir significativamente a quantidade de processos trabalhistas no país. Há expectativa de que a nova lei se traduza em maior flexibilidade do mercado de trabalho e aumento da demanda por emprego, com alguns setores reportando que a reforma aumenta a atratividade do fator trabalho em relação ao capital.



< Voltar