Itaú BBA - Incerteza política afeta decisões de investimento

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Incerteza política afeta decisões de investimento

Junho 29, 2017

Na maioria dos segmentos, as empresas estão focando os esforços em reduzir os níveis de endividamento.

Informações até 21 de junho de 2017

Este relatório resume relatos sobre o ambiente de negócios que ouvimos de contatos no setor real, especialistas e outras fontes externas ao Itaú. Exceto pela seção ‘Nossa visão’, este relatório não reflete necessariamente a visão da área de pesquisa econômica do Itaú.

Seções:

Consumo e produção de bens e serviços
O aumento do desemprego continua afetando negativamente as vendas, ainda que em menor intensidade do que observado em 2015/16. A melhora no poder de compra do consumidor pode contribuir para alguma sustentação das vendas à frente. Há relatos de impactos negativos no consumo de bens duráveis advindos do aumento recente das incertezas políticas.

Investimento
Antes do choque de incerteza, planos incipientes de investimentos eram observados em diversos setores da economia. Pós-choque, estes investimentos estão sendo postergados. A exceção está no setor de automóveis, no qual empresas continuam renovando suas frotas, depois de ficarem muito tempo sem renová-las. 

Mercado de trabalho, custos de produção e preços
A depreciação cambial pós-choque é considerada moderada, não havendo expectativas de pressão sobre os custos. A redução no quadro de funcionários continua sendo fonte principal de corte de custos. Na maioria dos segmentos, as empresas estão focando os esforços em reduzir os níveis de endividamento.

Commodities
Setor segue descolado do restante da economia, com crescimento forte das safras agrícolas este ano.

Nossa visão
 

O cenário político mais conturbado deve postergar a tramitação das reformas, dificultando o reequilíbrio fiscal e consequentemente impactando a confiança dos agentes e os preços dos ativos. A complexidade do cenário, as incertezas sobre as reformas e a possível queda mais lenta dos juros, bem como aumento dos prêmios de risco, constituem um cenário desafiador e devem pesar sobre a atividade. Assim, reduzimos a projeção de crescimento para 0,3% este ano e 2,7% em 2018.



Consumo e produção de bens e serviços

As indicações dos setores ligados ao consumo são de que o aumento do desemprego continua afetando negativamente as vendas, tanto no volume total quanto no mix de produtos (consumidores seguem demandando produtos mais baratos). No entanto, este impacto negativo tem sido mais moderado do que em 2015/2016.

A melhora no poder de compra do consumidor, resultante da queda da inflação e patamares mais altos de confiança do consumidor, pode oferecer alguma sustentação das vendas à frente, mas esta tendência ainda não é observada na realidade e há risco de nova piora da confiança, como decorrência do ambiente político mais turvo.

Além disso, há relatos de impacto negativo no consumo de bens duráveis após o novo aumento da incerteza política ocorrida na segunda metade de maio. Empresas relevantes desse setor citaram fluxo nas lojas 30% abaixo da expectativa em junho.

Investimento

Antes do choque recente de incerteza política, planos de investimentos incipientes eram observados em diversos setores da economia, tanto do lado industrial quanto no de serviços. Pós-choque, estes investimentos estão sendo postergados.

O foco maior, neste momento, é aproveitar a queda das taxas de juros para reduzir o endividamento. Neste sentido, o cenário é bastante distinto daquele observado em 2015/2016, quando os juros subiam em meio à recessão.

A exceção está no setor de automóveis. Empresas continuam renovando suas frotas de caminhões, pois ficaram muito tempo sem renová-las. As vendas continuam crescendo, inclusive na segunda quinzena do mês de maio e em junho.

Mercado de trabalho, custos de produção e preços

A depreciação cambial pós-choque é considerada moderada e, portanto, não há expectativa de pressão sobre os custos. A redução no quadro de funcionários continua sendo a fonte principal de corte de custos.

As quedas nas taxas de juros geram alívio nos custos financeiros, e empresas estão focando os esforços em reduzir os níveis de endividamento.

Commodities

Setor segue descolado do restante da economia, com crescimento forte das safras agrícolas este ano. Há também perspectiva positiva de longo prazo para o setor agrícola. Relatos de que o país tem um potencial grande, ainda não explorado, são frequentes. Destacam-se as melhorias tecnológicas recentes de forma a permitir este avanço no futuro.

No segmento especifico do milho, avalia-se que o preço já está excessivamente baixo, com o nível de oferta do produto acima da demanda atual.

Nossa visão

O cenário político mais conturbado deve postergar a tramitação das reformas, dificultando o reequilíbrio fiscal e consequentemente impactando a confiança dos agentes e os preços dos ativos. A complexidade do cenário, as incertezas sobre as reformas e a queda menor dos juros constituem um cenário desafiador e devem pesar sobre a atividade. Assim, reduzimos a projeção de crescimento para 0,3% este ano e 2,7% em 2018.


 

 



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