Itaú BBA - BCs aliviam, Brasil na contra mão

Monitor global de política monetária

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BCs aliviam, Brasil na contra mão

Fevereiro 4, 2015

Em janeiro houve decisão de política monetária em 23 países.

Em janeiro houve decisão de política monetária em 23 países (ou regiões, no caso de zona do euro e Reino Unido) que acompanhamos. O principal evento foi a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de anunciar um programa de compra de títulos maior do que o esperado. No entorno da decisão do BCE, outros oito bancos centrais em diferentes partes do mundo cortaram os juros, todos surpreendendo o mercado. Entre eles a Rússia, que havia implementado uma forte alta de juros em dezembro. Além dos bancos centrais que reduziram os juros, alguns outros – como Hungria, África do Sul, Nova Zelândia, China e Cingapura – adotaram um discurso mais expansionista, ou injetaram liquidez através de outros instrumentos.

Tendência permanece em fevereiro, com o banco central da Austrália cortando juros em 0.25p.p. no dia 3. Na contra mão da expansão monetária global, o Banco Central do Brasil voltou a elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 12,25% Na ata da reunião, o  banco central afirmou que “o cenário de convergência da inflação para 4,5% em 2016 tem se fortalecido”, mas ressaltou que  “os avanços alcançados no combate à inflação (...) ainda não se mostram suficientes”, o que indica que o processo de aperto monetário não está completo. Acreditamos em uma elevação final de 0,25 p.p. em março, levando a taxa Selic para 12,50%.




 

1. Juros de política monetária: histórico

*Os dados em branco devem-se à ausência de reuniões no mês.
** Os dados em vermelho indicam redução, verde elevação e cinza alteração de política monetária que não na taxa base.


 



 

2. Gráficos


3. Política monetária na América Latina

BRASIL: Copom: Confiando na convergência

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) voltou a elevar a Selic em 0,50 p.p., para 12,25% em sua reunião de janeiro.  Na ata da reunião, o Copom mostrou confiança na convergência da inflação para a meta em 2016. Diversos argumentos são ressaltados no contexto internacional e nacional.

Cenário internacional mais desinflacionário. O Copom mantém sua visão de que “permanecem elevados os riscos para a estabilidade financeira global”, e adiciona que em 2014 as taxas de crescimento de importantes economias foram “menores do que se antecipava” (par. 21). O Copom destaca ainda a “volatilidade nos mercados de moedas e moderação na dinâmica dos preços de commodities”. Especificamente com relação à queda do preço do petróleo, a ata lembrou que “independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a evolução dos preços internacionais tende a se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas como a petroquímica, quanto por intermédio das expectativas de inflação”.

Cenário favorável à desinflação no Brasil: PIB abaixo do potencial e política fiscal mais restritiva. No âmbito doméstico, o Copom avalia que “as taxas de crescimento da absorção interna e do PIB se alinharam e que o ritmo de expansão da atividade doméstica este ano será inferior ao potencial”. A perspectiva para a política fiscal continua a de que “o balanço do setor público tende a se deslocar para a zona de neutralidade”, mas “não descarta a hipótese de migração para a zona de contenção”. Ainda quanto ao fiscal, a ata lembra que uma política fiscal mais “consistente e sustentável” permite que “as ações de política monetária sejam plenamente transmitidas aos preços”.  

E expansão do crédito deve ser moderada, em parte devido às iniciativas de redução de subsídios. Em seu cenário central, o Copom contempla uma expansão moderada do crédito, reduzindo a “exposição por parte dos bancos” e levando a uma “desalavancagem das famílias”. Para tal, o Copom considera “oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito”, incluindo as “ações recentemente implementadas”.

Preocupação limitada com efeito secundário dos choques de 2015. De fato, as projeções mostram 2015 mais pressionado, mas 2016 estável. As projeções de inflação contidas na ata subiram para 2015 tanto no cenário de referência (juros e câmbio constantes) quanto no cenário de mercado (juros e câmbio de acordo com a mediana das projeções de mercado). O aumento está provavelmente relacionado à elevação da projeção de inflação de administrados para este ano, de 6% para 9,3%. Para 2016, no entanto, as projeções ficaram relativamente estáveis em ambos os cenários. As projeções do Copom se encontram acima da meta de 4,5% tanto para 2015 como para 2016.

A conclusão é que a convergência para a meta em 2016 vem se fortalecendo. Diante do cenário descrito na ata, o Copom avalia que “o cenário de convergência da inflação para 4,5% em 2016 tem se fortalecido”.

Mas medidas adicionais ainda são necessárias. O Copom afirma que “os avanços alcançados no combate à inflação (...) ainda não se mostram suficientes”, o que indica que o processo de aperto monetário não está completo. O Copom não mencionou que “fará o que for necessário” para levar a inflação à meta em 2016 (como fizera nas últimas comunicações oficiais), um possível sinal de que entende que a maior parte dos esforços já foi implementada.

Desta forma, entendemos que a ata é consistente com nosso cenário de uma elevação final de 0,25 p.p. na próxima reunião do Copom, levando a taxa Selic para 12,50%.


MÉXICO: Juro inalterado e preocupações com o câmbio continuam

O banco central mexicano decidiu manter o juro básico em 3%, em linha com nossa previsão e a expectativa do mercado. No comunicado que anunciou a decisão, o comitê ressaltou a recente queda acentuada da inflação. Contudo, o balanço de riscos para a inflação está inalterado em relação ao da reunião anterior, de acordo com o comitê. O banco central voltou a destacar a evolução da taxa de câmbio como uma preocupação importante. Nosso entendimento é que o debate da política monetária no México continua sendo sobre o momento de subir os juros e que a possibilidade de cortes não está sendo considerada.  

Atualmente esperamos que o banco central mexicano eleve os juros no fim do segundo trimestre deste ano, junto com o Fed, o banco central norte-americano.


CHILE: Ainda sem cortes à vista

Em sua reunião de política monetária de janeiro, o banco central do Chile manteve o juro básico estável em 3,0%, como amplamente esperado. O comunicado que anunciou a decisão manteve o tom neutro. A ata do encontro revelou que a decisão foi unânime e a única opção relevante considerada pelo comitê.

No âmbito internacional, a principal questão destacada no comunicado foi a queda dos preços das commodities. O comitê pontuou que as condições financeiras internacionais para economias emergentes se deterioraram, os juros de longo prazo nas economias desenvolvidas caíram e o dólar continuou se fortalecendo. Também foi reafirmada a perspectiva favorável para a atividade nos EUA, enquanto crescimento e inflação menores são esperados na zona do euro e no Japão.

No âmbito doméstico, o comitê ressaltou que a atividade ainda está fraca, mas em linha com a evolução projetada no relatório de inflação de dezembro. Enfatizou, também, que a taxa de desemprego recuou e que os salários nominais ainda estão dinâmicos. O comitê reconheceu que as condições financeiras favoráveis internamente refletem o afrouxamento monetário já implementado. A autoridade monetária afirmou que as expectativas de inflação de médio prazo continuam ancoradas em 3,0% e que continuará monitorando a evolução dos preços com especial atenção.

Esperamos que o banco central mantenha a política monetária inalterada este ano. A nosso ver, a instituição está claramente confortável com a atual quantidade de estímulo monetário na economia e provavelmente evitará acrescentar mais estímulo em meio à alta de juros nos EUA. De todo modo, reconhecemos que a probabilidade de cortes adicionais de juros não é pequena. Primeiramente porque a economia continua evoluindo abaixo do potencial. Além disso, a queda do preço do petróleo tende a reduzir rapidamente a inflação cheia, o que também ajudará a baixar o núcleo da inflação, principalmente por meio da indexação. Outro risco para nossa previsão é a possibilidade de o Federal Reserve, o banco central norte-americano, adiar o ciclo de aperto de juros nos EUA.


COLÔMBIA: Juro inalterado, apesar das expectativas de crescimento menor

O banco central colombiano decidiu manter o juro básico em 4,5% na reunião de janeiro, como esperado por nós e pelo consenso do mercado. Durante a entrevista coletiva com a imprensa, o presidente da instituição, José Darío Uribe, informou que a decisão foi unânime. No comunicado anunciando a decisão, o banco central reduziu significativamente sua previsão para o crescimento do PIB este ano (de 4,3% para 3,6%), devido à persistência dos preços do petróleo em baixo patamar. De acordo com a autoridade monetária, alguns programas de investimento relacionados ao petróleo já foram cortados. Paralelamente, a avaliação que o comitê fez da inflação este ano permaneceu praticamente a mesma, com expectativa de impacto apenas temporário da depreciação cambial sobre a inflação. O comitê também acredita que o impacto da queda da cotação do barril sobre as contas fiscais e externas será parcialmente suavizado pelo peso mais fraco.  

Esperamos que o banco central os juros ao longo do ano, embora haja sinais de que a possibilidade de corte de juros esteja aumentando. De fato, a revisão para baixo na projeção de crescimento para 2015 talvez sinalize que o banco central esteja preparando o cenário para um relaxamento adicional. No entanto, Uribe comentou recentemente que a aceleração da inflação reduziu o juro real e que a política monetária está expansiva, indicando que o comitê não pretende  baixar os juros no curto prazo.


PERU: Corte inesperado nos juros e redução do depósitoError 500: javax.servlet.jsp.JspException: The value specified for the oid attribute is invalid