Itaú BBA - Projetamos retração de 0,8% para o PIB do Brasil no 1T16

Macro Visão

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Projetamos retração de 0,8% para o PIB do Brasil no 1T16

Maio 25, 2016

Para a frente, os indicadores antecedentes sugerem uma relativa estabilização a partir do segundo semestre.

Estimamos que a atividade econômica no Brasil tenha contraído no primeiro trimestre de 2016. Pela ótica da oferta, a indústria e serviços devem ter nova queda, estendendo suas sequências negativas. Pelo lado da demanda, o investimento deve declinar pelo décimo primeiro trimestre seguido. Os dados já divulgados sugerem novo recuo no segundo trimestre deste ano. Para a frente, os indicadores antecedentes sugerem uma relativa estabilização a partir do segundo semestre.

Contração disseminada na oferta

A partir dos dados do PIB mensal Itaú Unibanco e de outros indicadores de atividade econômica, projetamos retração de 0,8% para o PIB do Brasil no primeiro trimestre de 2016, na comparação com o trimestre anterior, após ajuste sazonal. Em relação ao 1T15, o recuo será de 6,1%. Os dados das Contas Nacionais Trimestrais serão divulgados no dia 1 de junho.

Pela ótica da oferta, esperamos que o PIB da indústria tenha retraído 1,9% ante o trimestre anterior, após ajuste sazonal. Essa estimativa é consistente com os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM – IBGE), que mostrou contração de 2,1% na produção na indústria de transformação e recuo de 6,5% na indústria extrativa. Esperamos contração de 0,9% na construção civil e, pelo lado positivo, alta de 2,0% nos serviços industriais de utilidade pública.

O setor de serviços deve encolher pelo quinto trimestre seguido. Caso confirmado, esta será a sequência negativa mais longa desde o início da série histórica. Destacamos o encolhimento em comércio (-1,5%) e transportes (-0,8%) e atividades imobiliárias e aluguéis (-0,5%) Pelo lado positivo, esperamos aumento de 0,6% em serviços da administração pública. Ademais, estimamos queda na produção agropecuária de 2,5%, após alta de 2,9% no trimestre anterior. Para o resultado, contribuiu a menor safra de milho (-5,5% ante 2015).

Pela ótica da demanda, antecipamos a décima primeira contração consecutiva na formação bruta de capital fixo (-6,1% no trimestre). O consumo das famílias deve recuar 1,0%, consistente com a contração de 1,9% das vendas no varejo ampliado, de acordo com os dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC-IBGE). Projetamos alta no consumo do governo, embora não compense a contração ocorrida no 4T15.  O setor externo deve contribuir positivamente (cerca de 1,7 p.p., considerando a variação ante o trimestre anterior).  A contribuição viria de uma queda das importações (-6,1%) e alta das exportações (6,0%), projeções que utilizam os dados de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

Relativa estabilidade a partir do segundo semestre

Para o segundo trimestre, os sinais são de nova queda da atividade econômica. Antecipamos queda na produção industrial e nas vendas no varejo ampliado em abril. Adicionalmente, a prévia do PIB mensal Itaú-Unibanco para abril sugere queda de 0,7%. Para o 2T16, isto implicaria em uma herança estatística de -0,6% para nossa proxy de atividade econômica.

Para a frente, nosso índice de difusão - que mostra o número de indicadores em alta, baseado em um conjunto amplo de dados, incluindo confiança do empresário e consumidores, vendas no varejo e demanda por crédito – mostra alguma recuperação nos últimos meses e sugere uma relativa estabilidade da atividade econômica no segundo semestre.

Na indústria, os estoques permanecem em declínio, sugerindo que o nível de produção está abaixo da demanda industrial. Adicionalmente, a queda de juros esperada para o segundo semestre também deve contribuir para alta da demanda.

Pelo lado negativo, a deterioração do mercado de trabalho deve continuar, uma vez que reage com defasagens à atividade econômica. Dessa forma, o consumo das famílias deve permanecer em contração nos próximos meses.

Concluindo, esperamos queda do PIB no 1T16. Os indicadores coincidentes e antecedentes sugerem que alguma estabilidade deve ocorrer a partir do segundo semestre deste ano. Projetamos uma queda de 4,0% do PIB em 2016.


 

Rodrigo Miyamoto


 

 



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