Itaú BBA - Projetamos contração de 1,1% para o PIB do Brasil no 3T16

Macro Visão

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Projetamos contração de 1,1% para o PIB do Brasil no 3T16

Novembro 22, 2016

Investimento deve voltar a contrair

Estimamos que o PIB tenha recuado pela sétima vez consecutiva no terceiro trimestre de 2016. Pela ótica da oferta, projetamos a sétima queda consecutiva em serviços. Ademais, a indústria deve voltar a recuar, após crescimento no 2T16. Pelo lado da demanda, projetamos a sétima retração no consumo das famílias. O investimento deve contrair após alta no trimestre anterior. Vale lembrar que a divulgação do PIB do 3T16 possui uma incerteza adicional devido à revisão da série histórica. Na margem, os dados mostraram nível de atividade econômica abaixo do esperado. Dessa forma, colocamos um viés de baixa para nossa projeção do PIB em 2016 (-3,2%).

Investimento deve voltar a contrair

A partir dos dados do PIB mensal Itaú Unibanco e de outros indicadores de atividade econômica, projetamos retração de 1,1% para o PIB do Brasil no terceiro trimestre de 2016, na comparação com o trimestre anterior, após ajuste sazonal. Em relação ao 3T15, o recuo será de 3,4%. Os dados das Contas Nacionais Trimestrais serão divulgados no dia 30 de novembro. Note que essa divulgação possui uma incerteza adicional ao trazer a revisão da série histórica, que incorpora dados das pesquisas estruturais, bem como revisões de indicadores conjunturais.

Pela ótica da oferta, esperamos que o PIB de serviços tenha retraído 0,8% ante o trimestre anterior, após ajuste sazonal. Caso confirmado, o setor irá acumular sete contrações consecutivas, sequência negativa mais longa desde o início da série histórica. Destacamos o encolhimento em transportes (-1,7%), comércio (-1,5%) e outros serviços (-0,8%). Instituições financeiras (-0,1%), aluguel de imóveis (-0,1%) e serviços da administração pública (0,0%) devem ficar próximas da estabilidade. Pelo lado positivo, esperamos aumento de 0,9% em serviços de informação. A indústria voltará a recuar (-0,9%) após alta de 0,3% no trimestre anterior. Essa estimativa é consistente com os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM – IBGE), que mostrou queda de 1,2% na produção da indústria de transformação e alta de 1,6% na indústria extrativa, Esperamos contração na construção civil (-1,0%) e alta de 2,3% nos serviços industriais de utilidade pública. Ademais, estimamos queda na produção agropecuária de 3,6%. Para o resultado, contribuiu a menor safra de milho (-25% ante 2015).

Pela ótica da demanda, antecipamos a sétima contração no consumo das famílias (-1,0%), consistente com a contração de 2,7% das vendas no varejo ampliado, de acordo com os dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC-IBGE). A formação bruta de capital fixo deve recuar 3,3% após interromper uma sequência de dez quedas consecutivas no 2T16. O setor externo deve ter contribuição zero com queda tanto das exportações (-2,8%) quanto das importações (-2,7%), projeções que utilizam os dados de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Finalmente, projetamos leve alta no consumo do governo (0,3%).

Fundamentos seguem apontando para recuperação à frente

Embora na margem, os dados de atividade econômica tenham decepcionado, os fundamentos (em particular juros, preços de commodities e confiança) permanecem os mesmos. Ademais, a confiança dos grandes setores da atividade econômica permanece em patamar mais elevado do que no primeiro semestre do ano, embora em outubro tenha dado sinais de moderação.

Na indústria, a queda dos estoques tem puxado o aumento na confiança nos últimos meses. Esse aumento não necessariamente se reflete em uma alta imediata da produção, como temos visto nos últimos meses. Por outro lado, a redução dos estoques corrobora nossa visão de que a demanda está acima da produção (mensurada pelo Nível de Utilização da Capacidade Instalada - Nuci). Nesse caso, continuamos a ver espaço para crescimento da produção industrial quando os estoques atingirem seu nível desejado, ainda que a demanda industrial permaneça estável.

Concluindo, esperamos contração do PIB no 3T16. Com isso, temos um viés de baixa para o PIB em 2016 (-3,2%), embora a divulgação do PIB do 3T16 traga uma incerteza adicional devido à revisão da série histórica do PIB. Embora os dados de curto prazo tenham decepcionado, os fundamentos permanecem estáveis, indicando crescimento à frente, sobretudo na indústria.

 

Rodrigo Miyamoto

 

 



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