Itaú BBA - Projetamos contração de 0,6% para o PIB do Brasil no 4T16

Macro Visão

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Projetamos contração de 0,6% para o PIB do Brasil no 4T16

Fevereiro 23, 2017

Fundamentos seguem apontando para recuperação à frente

Estimamos que o PIB tenha recuado pela oitava vez consecutiva no quarto trimestre de 2016. Pela ótica da oferta, projetamos a oitava queda consecutiva em serviços. A indústria também deve retrair no trimestre. Pelo lado da demanda, projetamos a oitava retração no consumo das famílias. Ademais estimamos queda no investimento e nas exportações, enquanto deve haver alta no consumo da administração pública e nas importações. Dessa forma, o PIB deve ter recuado 3,5% em 2016. Esperamos que a economia volte a apresentar crescimento no primeiro trimestre deste ano.

Investimento deve voltar a contrair

A partir dos dados do PIB mensal Itaú Unibanco e de outros indicadores de atividade econômica, projetamos retração de 0,6% para o PIB do Brasil no quarto trimestre de 2016, na comparação com o trimestre anterior, após ajuste sazonal. Em relação ao 4T15, o recuo será de 2,3%. Com o resultado, o PIB terá recuado 3,5% em 2016 ante 2015. Os dados das Contas Nacionais Trimestrais serão divulgados no dia 7 de março.

Pela ótica da oferta, esperamos que o PIB de serviços tenha contraído 0,6% ante o trimestre anterior, após ajuste sazonal. Caso confirmado, o setor irá acumular oito quedas consecutivas, sequência negativa mais longa desde o início da série histórica. Destacamos o encolhimento em serviços de informação (-3,6%), após alta de 0,5% no 3T16 e queda em comércio (-0,8%) e transporte (-1,3%).  A indústria deve recuar 0,8%. Essa estimativa é consistente com os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM – IBGE), que mostrou queda de 1,1% na produção da indústria de transformação e alta de 2,0% na indústria extrativa, Esperamos contração na construção civil (-2,3%) e alta de 0,7% nos serviços industriais de utilidade pública. Ademais, estimamos queda na produção agropecuária de 2,2%.

Pela ótica da demanda, antecipamos a oitava contração no consumo das famílias (-0,6%), consistente com a contração de 0,9% das vendas no varejo ampliado, de acordo com os dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC-IBGE). A formação bruta de capital fixo deve recuar 2,9%. O setor externo deve ter contribuição de -0,3 pp com queda das exportações (-0,9%) e alta das importações (1,2%), projeções que utilizam os dados de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Finalmente, projetamos leve alta no consumo do governo (0,2%), após queda de 0,3% no 3T16.

Fundamentos seguem apontando para recuperação à frente

Para frente, os fundamentos (em particular juros, preços de commodities e confiança) permanecem estáveis. Ademais, a confiança dos grandes setores da atividade econômica avançou nos últimos meses seguindo em patamar mais elevado do que no primeiro semestre do ano passado.

A produção industrial voltou a aumentar na margem em dezembro, deixando uma herança estatística de 1,6% para o 1T17. Mantemos nossa visão de que a demanda industrial está acima da produção (mensurada pelo Nível de Utilização da Capacidade Instalada - Nuci). Nesse caso, continuamos a ver espaço para crescimento da produção industrial quando os estoques atingirem seu nível desejado, ainda que a demanda industrial permaneça estável.

Concluindo, esperamos contração do PIB de 0,6% no 4T16 e de 3,5% em 2016. Os dados de curto prazo têm mostrado melhora, com alta da confiança e da produção industrial, e os fundamentos permanecem estáveis. Esse quadro sugere que a economia deva voltar a crescer no 1T17.


 

Rodrigo Miyamoto


 

 



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