Itaú BBA - O que esperamos do Relatório de Inflação do 4T2017

Macro Visão

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O que esperamos do Relatório de Inflação do 4T2017

Dezembro 18, 2017

No cenário de mercado, estimamos as projeções de inflação em 2,8% para 2017 e 4,2% para 2018 e 2019.

Nesta quinta-feira, o Copom divulga o último Relatório de Inflação (RI) de 2017. Acreditamos que, seguindo a linha recente da comunicação das autoridades monetárias, o RI deve sinalizar um corte da taxa Selic para 6,75% em fevereiro, desde que a economia siga evoluindo em linha com as expectativas das autoridades. Mesmo que as expectativas de reformas sejam frustradas, acreditamos que as autoridades podem considerar, dada a magnitude da ociosidade estimada, o balanço de riscos em torno do cenário base e o ritmo lento de convergência da inflação para a meta, que um pouco mais de estímulo pode ser apropriado. Assim, mantemos, por ora, nossa visão de que o fim do ciclo só ocorrerá em março, com um corte final de 0.25 p.p., levando a taxa Selic para 6,5%.
 

 No cenário de mercado, estimamos as projeções em 2,8% para 2017 e 4,2% para 2018 e 2019. No cenário híbrido 1, com a taxa Selic evoluindo de acordo com a pesquisa Focus e taxa de câmbio constante, esperamos a projeção de inflação do banco central em 2,8% para 2017, 4,2% para 2018 e 3,9% para 2019. Já no cenário híbrido 2, com taxa Selic constante e câmbio de acordo com as expectativas de mercado, esperamos a projeção de inflação do BC em 2,8% para 2017, 4,1% para 2018 e 4,4% para 2019. Por fim, no cenário de referência, com taxas Selic e de câmbio constantes, esperamos projeção para inflação de 2,8% para 2017 e 4,1% para 2018 e 2019.

O Copom divulga nesta quinta-feira o Relatório de Inflação (RI) referente ao quarto trimestre de 2017. A tabela abaixo resume nossa tentativa de replicar os resultados do modelo de projeções do banco central, de acordo com o cenário de mercado (Selic e câmbio de acordo com a pesquisa Focus), cenário híbrido 1 (Selic de acordo com a pesquisa Focus e câmbio constante), cenário híbrido 2 (Selic constante e câmbio de acordo com a pesquisa Focus) e, por fim, o cenário de referência (Selic e câmbio constantes). Utilizamos 14 de dezembro como data de corte.

Vale destacar que, à medida que nos aproximamos do fim do ciclo de cortes nas taxas de juros, conforme sinalizado pelo Copom, as projeções de inflação que consideram a taxa Selic constante (cenário híbrido 2 e cenário de referência) passam a se tornar mais informativas e merecem atenção. A partir do relatório de inflação do 2T2017, o BCB passou a atribuir menor atenção ao cenário de referência, por considerar seu conteúdo menos informativo que os demais cenários de projeção de inflação, por conta do processo vigente de flexibilização da política monetária. Neste contexto, para o próximo RI, a retomada da publicação do cenário de referência pode ser mais um indicativo de que estamos nos aproximando do fim ciclo de cortes na taxa Selic.

Para o cenário de mercado, as projeções da pesquisa Focus para a taxa de câmbio se encontram em 3,25 reais por dólar para 2017, 3,30 para 2018 e 3,38 para 2019. Para a taxa Selic, as expectativas da pesquisa estão em 7,0% para 2017 e 2018, e 8,0% em 2019. Para 2017, estimamos um recuo da projeção de inflação para 2,8%, ante 2,9% na reunião de dezembro. Para 2018 e 2019, esperamos a projeção em 4,2%, em linha com a decisão de dezembro.

No cenário híbrido 1, esperamos a projeção de inflação em 2,8% para 2017, ante 3,2% divulgado no último relatório trimestral de inflação. Para 2018, projetamos 4,2% de inflação, vindo de 4,1% no RI do 3T17. Para 2019, projetamos 3,9%, em linha com o RI do 3T17. Já no cenário híbrido 2, esperamos a projeção de inflação em 2,8%, ante 3,2% no último RI. Para 2018, esperamos manutenção na projeção em 4,1% vis-à-vis o RI do 3T17. Para 2019, nossa expectativa é de projeção de inflação em 4,4%, vindo de 4,0% no RI do 3T17.

No texto, não esperamos nenhuma mensagem que se afaste de forma relevante das comunicações recentes das autoridades monetárias. Acreditamos que, seguindo a linha recente de comunicação do comitê, o cenário base é um corte de 0.25 p.p. em fevereiro, desde que as condições econômicas evoluam de acordo com o esperado, ou seja, que a perspectiva de recuperação da atividade econômica – em meio a uma ampla ociosidade, especialmente no mercado de trabalho – permaneça inalterada.

O conjunto de dados econômicos divulgados desde o último relatório de inflação permanece consistente com a recuperação gradual da atividade econômica. Sobre a inflação, segundo a ata do Copom de dezembro, a dinâmica de preços permaneceu favorável, com diversas medidas de núcleo em níveis confortáveis ou baixos, incluindo componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

Ainda na ata da última reunião, o comitê sinalizou que pode estar um pouco desconfortável com o ritmo de convergência da inflação para a meta (dessa vez aproximando-se por baixo). Por outro lado, ressaltou a importância do avanço das reformas e ajustes, como forma de limitar os riscos para a inflação e consolidar o ambiente para taxas de juros mais baixas.

O Copom declarou que, considerando o cenário base e o balanço de riscos, um corte de 0.50 p.p. dos juros é consistente com a convergência da inflação para meta no horizonte relevante de política monetária. Também observa que a conjuntura econômica prescreve taxas de juros abaixo da taxa estrutural (neutra). Olhando à frente, o comitê indica que, no cenário base e levando em consideração as questões citadas acima, uma redução moderada do ritmo de flexibilização na próxima reunião de política monetária (para 0.25 p.p.) parece, no momento, adequada, mas acrescenta que a perspectiva é mais incerta do que nas reuniões anteriores de política monetária.

Na nossa visão, como sinalizado na ata da última reunião do Copom, a comunicação do BC sinaliza um corte da taxa Selic para 6,75% em fevereiro, enquanto a decisão de março segue em aberto. Mesmo que as expectativas de reformas sejam frustradas, acreditamos que as autoridades podem considerar, dada a magnitude da ociosidade estimada, o balanço de riscos em torno do cenário base, e o ritmo lento de convergência para a meta, que um pouco mais de estímulo pode ser apropriado. Assim, mantemos, por ora, nossa visão de que o fim do ciclo só virá em março, com um corte final de 0.25 p.p., levando a taxa Selic para 6,5%.



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