Itaú BBA - O que esperamos do Relatório de Inflação do 4T2016

Macro Visão

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O que esperamos do Relatório de Inflação do 4T2016

Dezembro 19, 2016

O RI deve reforçar a comunicação recente da autoridade monetária, que no nosso entender sinaliza um corte de juros de 0,50 p.p. em sua reunião de janeiro.

Nesta quinta-feira, o Copom divulga o Relatório de Inflação (RI) do quarto trimestre. O RI deve reforçar a comunicação recente da autoridade monetária, que no nosso entender sinaliza um corte de juros de 0,50 p.p. em sua reunião de janeiro. Estimamos poucas mudanças nas projeções de inflação do Copom em relação às divulgadas na ata de novembro. Para 2016, esperamos que a projeção de inflação em 6,5%, ou próximo desse patamar, em ambos os cenários. No cenário de referência, esperamos a projeção de inflação em 4,4% para 2017 e em 3,7% para 2018. No cenário de mercado, estimamos as projeções em 4,7% para 2017 e em 4,6% para 2018. Avaliamos que a postura condicional ao cenário e as projeções de inflação para 2018 abaixo da meta corroboram nosso cenário de cortes de juros mais intensos a partir de janeiro.

O Copom divulga nesta quinta-feira o Relatório de Inflação referente ao quarto trimestre de 2016. A tabela abaixo resume nossa tentativa de replicar o modelo do banco central (BC), de acordo com o cenário de referência (Selic e taxa de câmbio constantes) e de mercado (Selic e câmbio de acordo com a pesquisa Focus). Utilizamos 9 de dezembro como data de corte, quando a taxa de câmbio se encontrava em torno de 3,40 reais por dólar.

Para 2016, esperamos que a projeção de inflação caia para 6,5% em ambos os cenários, vindo de 6,6% na ata de novembro, diante das surpresas para baixo na inflação nos últimos meses.

No cenário de referência, esperamos a projeção de inflação em 4,4% para 2017, o mesmo resultado apresentado na ata da última reunião do Copom e no RI do terceiro trimestre. Para 2018, estimamos um leve aumento de 3,6% na reunião de novembro para 3,7%, diante dos juros menores.

Para o cenário de mercado, as projeções da Focus para a taxa de câmbio se encontram em 3,45 para 2017 e em 3,50 reais por dólar para 2018. Para a taxa Selic, as expectativas da Focus estão em 10,5% para 2017 e 10,00% para 2018.  Neste cenário, estimamos as projeções em 4,7% para 2017 e em 4,6% para 2018, as mesmas divulgadas na reunião de novembro.

Com relação à comunicação, esperamos que o comitê repita a mensagem da ata de novembro. No documento, o BC não se comprometeu a realizar um corte de 0,50 p.p. na reunião de janeiro, mas deixou claro que esse é o seu cenário base.  De fato, alguns elementos da comunicação sugerem que o BC tendia a optar por uma aceleração do ritmo de corte de juros já em novembro, caso não tivesse ocorrido a surpresa no resultado das eleições americanas.

Em nossa visão, a postura condicional ao cenário e as projeções de inflação para 2018 abaixo da meta corroboram nosso cenário de cortes de juros mais intensos a partir de janeiro. Avaliamos que o cenário doméstico continuará favorável para flexibilização monetária e que a evolução do ambiente externo não deve atrapalhar.

Entendemos que a comunicação do BC e nossa expectativa para a evolução da economia nos próximos meses são consistentes com nossa projeção de intensificação do ritmo de cortes de juros na reunião de janeiro. Projetamos uma sequência de cortes de 0,50 p.p., ao longo de 2017 e um ajuste final de 0,25 p.p., com a Selic terminando o ano em 10,00% a.a.


 


 



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