Itaú BBA - O que esperamos do Relatório de Inflação do 2T2017

Macro Visão

< Voltar

O que esperamos do Relatório de Inflação do 2T2017

Junho 20, 2017

Esperamos que seja mantido o direcionamento para uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária.

Nesta quinta-feira, o Copom divulga o segundo Relatório de Inflação (RI) de 2017. Acreditamos que, seguindo a linha recente da comunicação das autoridades monetárias, o RI deve sinalizar a necessidade de reduzir a incerteza e o escopo de possibilidades sobre a trajetória futura da política monetária, bem como os condicionantes de sua função de reação, o que seria consistente com nossa expectativa de corte de 0,75 p.p. em julho, ainda que a decisão siga dependente dos dados. Estimamos quedas na projeção para inflação em 2017 e relativa estabilidade para 2018. No cenário de mercado, estimamos as projeções em 3,6% para 2017 e em 4,5% para 2018. Já no cenário híbrido, com a taxa Selic de acordo com a pesquisa Focus e câmbio constante, esperamos a projeção de inflação do banco central em 3,6% para 2017 e em 4,4% para 2018. 

O Copom divulga nesta quinta-feira o Relatório de Inflação referente ao segundo trimestre de 2017. A tabela abaixo resume nossa tentativa de replicar os resultados do modelo de projeções do banco central, de acordo com o cenário de mercado (Selic e câmbio de acordo com a pesquisa Focus) e cenário híbrido (Selic de acordo com a pesquisa Focus e câmbio constante). Utilizamos 16 de junho como data de corte.

Para o cenário de mercado, as projeções da pesquisa Focus para a taxa de câmbio se encontram em 3,30 reais por dólar para 2017 e 3,40 para 2018. Para a taxa Selic, as expectativas da pesquisa estão em 8,50% para 2017 e também em 2018. Para 2017, estimamos um recuo da projeção para 3,6%, vindo de 4,0% na reunião de maio. Para 2018, esperamos a projeção em 4,5%, vindo de 4,6% na ata de maio.

No cenário híbrido, esperamos a projeção de inflação em 3,6% para 2017, ante 3,9% divulgado no último relatório trimestral de inflação. Para 2018, projetamos 4,4% de inflação, vindo de 4,3% no RI do primeiro trimestre.

Acreditamos que, seguindo a linha recente da comunicação das autoridades monetárias, o RI deve sinalizar a necessidade de reduzir a incerteza e o escopo de possibilidades sobre a trajetória futura da política monetária, bem como os condicionantes de sua função de reação.

Dado o estágio relativamente avançado do ciclo de cortes, esperamos que seja mantido o direcionamento, feito na ata da última reunião do Copom, para uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em sua próxima reunião – ou seja, um corte de 0,75 p.p. na reunião de 25 e 26 de julho. Tal sinalização, no entanto, continuará dependente dos dados e da avaliação do Comitê quanto ao impacto do aumento da incerteza sobre o processo de reformas na trajetória prospectiva da inflação. Como enfatizado na ata, níveis elevados de incerteza por tempo prolongado podem ter impacto desinflacionário ao afetar negativamente a atividade econômica, mas também impactam estimativas sobre a taxa de juros estrutural. A comunicação também pode ser alterada, diminuindo a ênfase em uma possível moderação do corte, em função de novas evidências recentes quanto à inflação – o IPCA de maio teve expressiva surpresa baixista – e quanto às expectativas de inflação – apesar da maior incerteza política, a mediana das projeções na pesquisa Focus vem mostrando quedas para 2017 e relativa estabilidade para 2018.

Levando em conta todos estes fatores, o risco é que a comunicação no Relatório de Inflação torne-se menos enfática quanto à adequação de uma moderação do corte de juros na próxima reunião. Isto seria um sinal claro de que o comitê está dividido entre um corte de 0,75 p.p. ou de 1,00 p.p.      

Mantemos nossa expectativa que a taxa Selic termine 2017 e 2018 em 8,00%. Projetamos por ora um corte de 0,75 p.p. (reunião de julho), seguido de três movimentos de 0,50 p.p. (reuniões de setembro, outubro e dezembro), reconhecendo que o ritmo pode ser alterado de acordo com a evolução dos dados de inflação e atividade.

Os riscos para nossas projeções da taxa Selic no final do ciclo nos parecem simétricos. Por um lado, o hiato do produto pode vir a se mostrar mais desinflacionário, especialmente em um ambiente de maior incerteza. Por outro lado, esta maior incerteza e dificuldades na aprovação das reformas podem impactar a taxa de juros de equilíbrio e ocasionar uma maior depreciação da moeda, com potenciais implicações inflacionárias. Há ainda o risco de aumento de tributos, face ao desafio do governo para atingir as metas fiscais, o que também teria impacto inflacionário.


 

 



< Voltar