Itaú BBA - O que esperamos do Relatório de Inflação do 1T2017

Macro Visão

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O que esperamos do Relatório de Inflação do 1T2017

Março 27, 2017

O RI deve corroborar os sinais de intensificação do ritmo de relaxamento monetário apontado por documentos recentes do comitê.

Nesta quinta-feira, o Copom divulga o primeiro Relatório de Inflação (RI) de 2017. O RI deve corroborar os sinais de intensificação do ritmo de relaxamento monetário apontado por documentos recentes do comitê. Estimamos poucas mudanças nas projeções de inflação do Copom em relação às divulgadas na ata de fevereiro. No cenário de referência, esperamos a projeção de inflação em 3,6% para 2017 e em 3,5% para 2018. No cenário de mercado, muito mais relevante nesse estágio do ciclo, estimamos as projeções em 4,0% para 2017 e em 4,5% para 2018. Avaliamos que as projeções de inflação para 2018 abaixo da meta corroboram nosso cenário de corte de juros de 1 p.p. em abril.

O Copom divulga nesta quinta-feira o Relatório de Inflação referente ao primeiro trimestre de 2017. A tabela abaixo resume nossa tentativa de replicar o modelo do banco central (BC), de acordo com o cenário de referência (Selic e taxa de câmbio constantes) e de mercado (Selic e câmbio de acordo com a pesquisa Focus). Utilizamos 17 de março como data de corte, quando a taxa de câmbio se encontrava em torno de 3,10 reais por dólar.

No cenário de referência, esperamos a projeção de inflação em 3,6% para 2017, um leve recuo frente ao resultado apresentado na ata da última reunião do Copom (3,8%). Para 2018, estimamos um pequeno aumento de 3,3% na reunião de fevereiro para 3,5%, diante dos juros menores.

Para o cenário de mercado, as projeções da Focus para a taxa de câmbio se encontram em 3,29 para 2017 e em 3,40 reais por dólar para 2018. Para a taxa Selic, as expectativas da Focus estão em 9,0% para 2017 e 8,5% para 2018.  Para 2017, estimamos um recuo da projeção para 4,0%, vindo de 4,2% na reunião de fevereiro. Para 2018, esperamos a projeção em 4,5%, a mesma divulgada na ata de fevereiro.

Com relação à comunicação, esperamos que o comitê sinalize uma intensificação do ritmo de flexibilização monetária à frente. Em discursos recentes, autoridades do BC, têm afirmado que, com a ancoragem das expectativas de inflação, a política monetária pode apoiar a recuperação da atividade econômica, em conjunto com o avanço das reformas fiscais e microeconômicas. Entendemos que esse estímulo monetário corresponde a trazer a taxa de juros abaixo do estrutural – ou, de outra forma, consideramos que, na visão dos gestores monetários, fatores cíclicos podem permitir uma antecipação da flexibilização, sem prejuízo para a tendência geral de redução da inflação. Além disso, o avanço das reformas fiscais e microeconômicas abre espaço para uma taxa de juros estrutural menor, como é considerada em nosso cenário e nas expectativas de mercado (8,25% e 8,5% no fim de 2018, respectivamente). Ambos os fatores justificam um maior grau de antecipação da flexibilização monetária à frente.

Esperamos que a taxa Selic termine 2017 e 2018 em 8,25%. Projetamos dois cortes de 1,00 p.p. (nas reuniões de abril e maio), dois movimentos de 0,75 p.p. (julho e setembro) e um de 0,50 p.p. (outubro).

Os riscos para essa projeção são os mesmos que vislumbramos para a trajetória inflacionária, e parecem, por hora, ser simétricos. O hiato do produto pode vir a se mostrar mais de desinflacionário do que antecipamos atualmente, em especial em um contexto caracterizado por um choque de oferta positivo que começa a influenciar as expectativas de forma benigna. Além disso, o contexto internacional, marcado pelo gradualismo do banco central americano e a resiliência do crescimento chinês, pode ensejar fortalecimento adicional do real. Por outro lado, dificuldades na aprovação das reformas fiscais podem ocasionar depreciação da moeda, com potenciais implicações inflacionárias. Cabe mencionar, também, riscos pontuais: o impacto de aumentos de impostos, como o PIS/COFINS sobre combustíveis, bem como o da possível adoção de sobretaxas nas contas de energia elétrica, derivados da necessidade de recuperar as receitas públicas e da estiagem observada em algumas regiões do país, respectivamente.


 

 



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