Itaú BBA - O Copometro e as próximas reuniões de política monetária

Macro Visão

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O Copometro e as próximas reuniões de política monetária

Abril 19, 2016

Mostramos que o Copometro é consistente com o nosso cenário de que o BC deve iniciar um ciclo de corte de juros em julho.

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.

No primeiro relatório “Cockpit do Copom”, apresentamos o Copometro, um índice que resume a comunicação do Banco Central do Brasil (BC), medindo o grau de restrição ou expansão. Neste estudo, apresentamos mais detalhes sobre a construção do indicador. Mostramos que o Copometro tem correlação com as decisões do Copom e é consistente com o nosso cenário de que o BC deve iniciar um ciclo de corte de juros na reunião de julho.

      1. Introdução

A comunicação é uma ferramenta importante de política monetária, principalmente, em países que adotam o regime de metas de inflação, como o  Brasil1. Diante disso, as pesquisas vêm avançando na direção de tentar medir o conteúdo informacional da comunicação das autoridades monetárias.

Neste trabalho, apresentamos mais detalhes do Copometro, um indicador, construído a partir da comunicação escrita do Comitê de Política Monetária (Copom), que resume a comunicação do BC e mede seu grau de restrição ou expansão. Os exercícios econométricos indicam que o Copometro é um bom indicador antecedente para a decisão da taxa Selic e é consistente com o nosso cenário de que o BC deve iniciar um ciclo de corte de juros a partir de julho.

      2. Como construímos o Copometro?

O Copometro é construído a partir da classificação de mudanças entre a comunicação escrita do Copom (tanto inclusões quanto exclusões), como restritivas (+1), neutras (0) ou expansionistas (-1). Classificamos as mudanças de comunicação nas seguintes categorias: mudanças nos parágrafos de atividade, mudanças nos parágrafos de inflação e, por fim, mudanças nos parágrafos de sinalização de política monetária.

O Gráfico 1 mostra a evolução do Copometro e a sua composição nos últimos anos. É possível notar que, em geral, os componentes de atividade e de inflação seguem a mesma direção. Em 2015, no entanto, eles estavam em direções opostas: o componente de atividade sugeria uma política monetária expansionista e, por outro lado, o de inflação sugeria uma política monetária contracionista, refletindo um período de choque de oferta negativo. Mais recentemente, os componentes voltaram a apontar para o mesmo lado.

Para o Copometro de março, além da ata, aplicamos a metodologia para o discurso recente do presidente do BC, Alexandre Tombini. Recentemente, o indicador sugere que a sinalização de política monetária foi mais restritiva, dado que o BC passou a enfatizar que as condições do cenário atual “não permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização monetária”. Por outro lado, o componente de inflação vem ficando mais expansionista, ao reconhecer que “os efeitos deflacionários da política monetária tendem a preponderar sobre os efeitos de segunda ordem da mudança de preços relativos ocorrida em 2015”.

A variação do Copometro é calculada pela soma dos componentes da atividade, de inflação e de sinalização de política monetária. Como o indicador é calculado a partir das mudanças entre atas, consideramos o indicador igual a 100 em outubro de 20102 e acumulamos as variações para tentarmos quantificar o nível de restrição ou expansão da comunicação do BC. 

O Gráfico 3 mostra o Copometro e a decisão da taxa Selic na próxima reunião. A correlação entre as séries é de 0,51. Para verificarmos se o indicador é um antecedente da decisão de política monetária à frente, realizamos um teste de causalidade de Granger. A Tabela 1 (no apêndice) mostra que, de fato, o Copometro antecipa as próximas decisões da taxa Selic.

      3. O Copometro e as próximas reuniões de política monetária

Como vimos na seção anterior, o Copometro possui informações relevantes para as decisões de política monetária à frente. Diante disso, utilizamos o indicador para prever mudanças na taxa Selic nas próximas três reuniões (abril, junho e julho), através de um exercício econométrico realizado em três etapas. Na primeira, prevemos os componentes de inflação e atividade, considerando as variáveis macroeconômicas de acordo com o nosso cenário base. Na segunda etapa, utilizamos os componentes de atividade e de inflação para projetar o componente de sinalização de política monetária. Por fim, com a projeção do Copometro, estimamos as decisões para as próximas três reuniões do Copom.

3.1 Previsão dos componentes de atividade e de inflação

Para previsão dos componentes de atividade e de inflação, consideramos as nossas projeções para variáveis macroeconômicas que possuem uma boa correlação com os componentes. Para o de atividade, consideramos o nosso índice de difusão3. O Gráfico 2 mostra a relação entre a média móvel de 8 reuniões do componente de atividade com o nosso índice de difusão. A correlação entre as séries é de 0,87.  O modelo estimado se encontra na Tabela 3 no apêndice.

Para o componente de inflação, consideramos no modelo a variação das expectativas de inflação 12 meses à frente, a variação da taxa de câmbio e nosso índice de surpresa de inflação4 (Tabela 3 no apêndice). O Gráfico 3 mostra a relação entre a média móvel de oito reuniões do componente de inflação com a variação das expectativas de inflação 12 meses à frente. A correlação entre as séries é de 0,32. 

  

Com os modelos estimados e considerando as variáveis de acordo com o nosso cenário base, os resultados sugerem que o BC deve ser mais expansionista nos componentes de inflação na reunião de junho e de atividade, em julho.

3.2 Previsão do componente de sinalização de política monetária

Para o componente de sinalização de política monetária, consideramos os componentes de inflação e de atividade (Tabela 4 no apêndice). Para três próximas reuniões, incorporando as nossas projeções para os componentes de atividade e de inflação, o modelo estimado sugere que a comunicação de sinalização de política monetária deve ser mais expansionista na reunião de junho.

3.3 Próximas reuniões de política monetária

Nessa etapa, consideramos nossa projeção do Copometro para prever a decisão do Copom nas próximas três reuniões (Tabela 5 no apêndice).  Considerando nossas projeções para o Copometro, o modelo sugere um corte de aproximadamente 0,25 p.p. na reunião de julho. Em nosso cenário base, consideramos um corte de 0,50 p.p. a partir da reunião de julho. A tabela abaixo resume os resultados do modelo e nossas projeções no cenário base.

      4. Conclusão

Neste artigo, apresentamos mais detalhes sobre o Copometro, que é um indicador que resume a comunicação do BC e com isso, é um bom antecedente de decisões de política monetária futuras, de acordo com exercícios econométricos. Por fim, o indicador sugere um corte na taxa Selic de aproximadamente 0,25 p.p. a partir da reunião de julho. No nosso cenário, consideramos que o Copom irá iniciar um ciclo de corte de juros de 0,50 p.p. a partir da reunião de julho, com a taxa Selic encerrando 2016 em 12,25%.


 

Caio Megale

Laura Pitta


 


[1] Para mais detalhes, ver Blinder et al (2008).

[2] Escolhemos essa data apenas por comparação e também porque outros indicadores de semântica para o Brasil sugerem que a comunicação foi neutra neste período (Carvalho, Cordeiro e Vargas (2013)).

[3] O indicador mostra o número de indicadores em alta, baseado em um conjunto amplo de dados, incluindo confiança do empresário e consumidores, vendas no varejo e demanda por crédito.

[4] O índice de surpresa de inflação é calculado a partir da média ponderada da diferença entre o resultado e o consenso da Bloomberg, considerando os seguintes índices de preços e seus respectivos pesos: IPCA-15 (30%), IPCA (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%) e IPC-Fipe (5%).


 

 



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