Itaú BBA - O Brasil está saindo da recessão?

Macro Visão

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O Brasil está saindo da recessão?

Julho 25, 2016

Nossos resultados sugerem que, ainda que o país siga em recessão, há alguns sinais de melhora.

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.

Os indicadores antecedentes já mostram alguns sinais positivos para a atividade. Isso significa que a economia já está saindo da recessão? Desenvolvemos um indicador para medir o momento da economia. Os resultados sugerem que, ainda que o país siga em recessão, há alguns sinais de melhora.

Introdução

Os indicadores antecedentes já mostram alguns sinais positivos da atividade no Brasil. O ambiente de mercado, evidenciado pelo comportamento de preços de ativos, teve uma melhora significativa desde março, voltando para o terreno expansionista. Do lado da indústria, há sinais de estabilidade da demanda e da queda dos estoques. Alguns dados recentes surpreenderam positivamente, como o crescimento do PIB do primeiro trimestre.

Esses sinais significam que a economia está finalmente mudando de rumo? Podemos afirmar que o Brasil está saindo da recessão? Desenvolvemos um indicador que mede o momento da atividade, ou seja, que indica se o crescimento está ganhando velocidade. O indicador sugere que a economia continua em recessão, apesar dos sinais melhores de atividade.

Indicador de momento da atividade

Nosso objetivo é avaliar o momento da economia brasileira, ou seja, avaliar se a atividade econômica no país está ganhando ou perdendo tração. Desenvolvemos um indicador coincidente a partir de dois subcomponentes. O primeiro abrange a indústria e o segundo, o setor de serviços. Os dados utilizados são de frequência mensal, a partir de janeiro de 2000[1], após ajuste sazonal. Cabe notar que o indicador de momento é baseado em dados que procuram mensurar os diversos aspectos da atividade econômica efetivamente observada, não em indicadores de confiança, seja de empresas ou famílias.

Para construção do indicador, utilizamos a metodologia de componentes principais, considerando a taxa de crescimento trimestral anualizada de cada variável. Quando o indicador está abaixo (acima) de zero, isso significa que a economia ou o setor está crescendo abaixo (acima) da média histórica.

Subcomponente Indústria

Para medir a evolução do setor industrial, utilizamos as seguintes variáveis: produção industrial (IBGE), consumo de energia elétrica do setor (ONS), produção de veículos (Fenabrave), fluxo de veículos pesados (ABCR), expedição de papel ondulado (ABPO), nível de capacidade instalada (FGV), horas trabalhadas (CNI) e criação líquida de empregos formais no setor (Caged). Como mostra o gráfico abaixo, o setor já começou a ser impactado pela recessão no fim de 2012. Na margem, há alguns sinais de recuperação. Houve uma leve re-aceleração do crescimento no setor e com isso, o subcomponente já não se encontra mais perto do vale, observado no final de 2015. No entanto, o indicador ainda se encontra abaixo de zero, o que significa que o crescimento segue abaixo da média histórica nos últimos meses.

 

Subcomponente Serviços

Para o componente do setor de serviços, consideramos as vendas no varejo (IBGE), o fluxo de veículos leves (ABCR), as vendas no supermercado (ABRAS), o consumo de energia elétrica no comércio e nas residências (ONS) e a criação líquida de empregos formais no setor (Caged). O gráfico abaixo mostra que o setor de serviços segue uma dinâmica diferente da indústria. Enquanto a atividade desse último setor começou a recuar no fim de 2012, o setor de serviços só foi ser impactado no fim de 2014. Recentemente, os sinais de melhora no setor estão menos claros. Desde maio de 2015, o indicador vem apresentado maior volatilidade, pois ainda há pouca evidência de uma tendência de melhora.

 

Indicador de momento da atividade

A partir dos subcomponentes de serviços e de indústria, construímos o indicador de momento para a economia brasileira, ponderando cada subcomponente por sua correlação com PIB. O indicador começou a dar sinais de contração da atividade a partir do início de 2014 e a leve melhora por volta do terceiro trimestre de 2014 não foi suficiente para reverter a tendência de queda.  Na margem, o indicador já mostra que a atividade econômica está ganhando tração, impulsionada pelo componente de indústria. No entanto, a atividade segue abaixo da média histórica.

 

A economia continua em recessão?

A melhora da economia captada por nosso indicador de momento provavelmente não foi suficiente ainda para tirar a economia da recessão.

Utilizamos a metodologia proposta por Hamilton (1989) para calcular a probabilidade da economia estar em recessão ou em expansão. O gráfico abaixo mostra a probabilidade estimada. Consideramos que a economia está em recessão, quando a probabilidade é de, no mínimo, 65%. Esse valor foi estabelecido pela média das probabilidades nos períodos de início de recessão, que foram estabelecidos pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE).

Considerando os últimos dados de maio de 2016, a probabilidade de recessão continua próxima de 100%, reforçando que a melhora recente não foi suficiente para reverter a tendência recessiva.

Conclusão

Construímos um indicador de momento da atividade brasileira, que mede a “velocidade” do crescimento das variáveis. Com base nos resultados, concluímos que a economia brasileira já mostra alguns sinais de inflexão, embora continue em recessão. Para que a saída da recessão seja confirmada, é preciso que essa melhora continue nos meses à frente. Em nosso cenário base, em que as reformas econômicas – especialmente do lado fiscal – seguem avançando, projetamos que a economia voltará a se expandir.


 

Laura Pitta

André Matcin



[1] Para mais detalhes das variáveis utilizadas, ver apêndice.


 

 



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