Itaú BBA - Investimento volta a avançar em novembro

Macro Visão

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Investimento volta a avançar em novembro

Janeiro 16, 2018

Nova série mensal de formação bruta de capital fixo.

Neste relatório, apresentamos uma série mensal de formação bruta de capital fixo (FBCF) segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM -PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e da balança comercial da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). 

A série resultante mostra boa correlação trimestral com a formação bruta de capital fixo das Contas Nacionais, podendo ser usada para projetar a série divulgada pelo IBGE.

A proxy mensal de investimento avançou 1,2% em novembro, na comparação mensal dessazonalizada, e segue em alta quando se avalia a média móvel de três meses. 

Construção da série mensal de investimento

A Tabela 1 mostra a decomposição da FBCF pelas Contas Nacionais de 2015.

• A construção civil responde por 53% da FBCF, dos quais 25% correspondem à construção residencial e 28% correspondem a outros edifícios e estruturas (portos, estradas, galpões etc.).

• A aquisição de máquinas e equipamentos corresponde a 34% da FBCF.

• Os 13% restantes envolvem pesquisa e desenvolvimento (P&D), aquisição de software e outros ativos fixos.

A fim de estimar a formação bruta de capital fixo (indicador de demanda), podemos usar dados de produção, desde que levando em conta a seguinte relação:

 Demandacorrente = Produção - Var. Estoques + Importação - Exportação

A pesquisa mensal de produção física do IBGE fornece dois indicadores importantes de produção: (1) a produção de bens de capital; e (2) a produção de insumos típicos da construção civil, indicadores para os dois componentes com maior participação na FBCF.

A produção de insumos típicos da construção civil entra como indicador da demanda associada à construção. Apesar de não contarmos com indicadores adequados para a variação de estoques, importação ou exportação de tais insumos, avaliamos que sua participação é muito pequena em relação à produção doméstica.

A produção de bens de capital entra como indicador da demanda relativa a máquinas e equipamentos. A estimativa da demanda do setor é complementada com a inclusão das séries mensais de: (3) importação; e (4) exportação de bens de capital da Funcex.

Cabe notar que há limitações ao uso desses quatro fatores para a estimativa da FBCF mensal. Nenhum fator envolve a FBCF ligada a P&D, aquisição de software e de outros ativos fixos. Além disso, nenhuma variável consegue mensurar oscilações no padrão de variação de estoques relacionadas a cada um dos componentes.

Diante dessas limitações, a ponderação dos quatro fatores para a estimativa da FBCF mensal não é feita com base nos pesos indicados na Tabela 1. Em vez disso, a série é ponderada com base nos coeficientes de modelos econométricos trimestrais (ver Nota Técnica).

A série resultante mostra correlação trimestral de 82% com a formação bruta de capital do PIB[1]. Portanto, pode ser usada para projetar a série trimestral das Contas Nacionais.

Desempenho em 2017

A série indica que a retomada do investimento começou no primeiro trimestre de 2017. Porém, esse movimento inicial de melhora perdeu força em março e abril, gerando um carrego estatístico desfavorável para o segundo trimestre do ano, período em que o indicador voltou a recuar.

No terceiro trimestre, tanto a produção de insumos da construção civil quanto a de bens de capital apresentaram resultados positivos (crescimento de 1,8% e 4,5%, respectivamente). Desse modo, nossa proxy mensal avançou 2,3% no período, próximo do 1,6% apontado pela série do IBGE.

Após cinco meses consecutivos de alta, a FBCF mensal voltou a se retrair em outubro (-1,7%), devido principalmente à queda da produção de insumos da construção civil no mês.

Em novembro, o indicador avançou 1,2% na comparação mensal dessazonalizada, devolvendo parcialmente a queda do mês anterior: a média móvel de três meses aumentou ligeiramente (0,2%). Na comparação ante o mesmo mês do ano anterior, o indicador cresceu 6,7%.

Com a queda dos juros e a apreciação cambial, a alavancagem empresarial cedeu. Aliando isso a um ambiente externo propício a países emergentes, as empresas puderam iniciar o processo de retomada do investimento em 2017. Olhando à frente, projetamos que a FBCF manterá sua tendência de crescimento, consistente com a retomada gradual da atividade econômica brasileira.

 

Artur Manoel Passos
Alexandre Gomes da Cunha

 

Anexo 1: Nota Técnica

A proxy é um indicador mensal do nível de investimento no Brasil. O indicador é montado a partir de quatro séries: produção de insumos típicos da construção civil (PIM-PF); produção de bens de capital (PIM-PF); importação de bens de capital (Funcex); e exportação de bens de capital (Funcex).

A partir de modelos econométricos trimestrais, obtemos a elasticidade da FBCF das Contas Nacionais em relação a cada componente. Os componentes são então reponderados com base nessas elasticidades, criando a série mensal de investimento.

Por possuir uma boa correlação com a FBCF trimestral (Sistema de Contas Nacionais, Referência: 2010, IBGE), a série mensal de investimento pode ser usada como fonte para a projeção da série do IBGE.

A série, então, é ajustada sazonalmente pelo método X-13 ARIMA-SEATS (programa de ajuste sazonal desenvolvido pelo U.S. Census Bureau). As especificações do ajuste sazonal são similares (ressalvadas as diferenças de frequência) às utilizadas pelo IBGE para dessazonalização do PIB trimestral.

Vale notar que, apesar de a média trimestral da proxy mensal de FBCF se aproximar da divulgada pelo IBGE nas Contas Nacionais, não se trata de uma mensalização desta, de modo que a variação trimestral da FBCF mensal não será necessariamente igual à variação trimestral da FBCF das Contas Nacionais.

 


 

[1] A comparação envolve a variação trimestral das duas séries dessazonalizadas.



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