Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa LatAm - Próximo ao neutro

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa LatAm - Próximo ao neutro

Abril 4, 2016

O índice se estabilizou em território positivo recentemente, após várias surpresas negativas nos últimos dois anos.

Nosso Índice Itaú de Surpresa LatAm registrou 0,02 em março, abaixo dos 0,09 observados em fevereiro. A Colômbia e o Peru estão no topo do ranking, refletindo a atividade industrial forte no primeiro e o crescimento puxado por recursos naturais no segundo. Colômbia, México e Chile melhoraram em relação ao mês passado, enquanto Brasil e Peru registraram queda. De forma geral, o índice se estabilizou em território positivo nos últimos meses, após uma longa sequência de surpresas negativas nos últimos dois anos.O Índice Itaú de Surpresa LatAm compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores.

O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil registrou -0,03, abaixo dos 0,18 do último mês. Dados fracos do varejo e do mercado de trabalho foram os principais fatores por trás do desempenho inferior do mês. A produção industrial, por outro lado, veio ligeiramente mais forte do que o esperado. Em janeiro, as vendas no varejo restrito caíram 10,3% sobre o ano anterior, quando o mercado esperava uma contração de 8,5%. Apesar de observarmos alguma estabilização na confiança do consumidor recentemente, o indicador continua em níveis historicamente baixos. A situação do mercado de trabalho também aponta para novas quedas no consumo nos próximos meses: houve destruição de 105 mil empregos formais em março, mais do dobro da destruição projetada pelo mercado (-46 mil). A taxa de desemprego nacional atingiu 9,5% em janeiro, um pouco pior do que as estimativas de mercado (9,3%). A massa salarial real vem seguindo uma tendência negativa, com uma queda ainda mais acentuada registrada em janeiro. A partir desta edição, a pesquisa de desemprego nacional PNAD do IBGE substituirá a taxa de desemprego PME (regiões metropolitanas), dado que a taxa nacional se tornou a divulgação oficial do IBGE. A produção industrial de janeiro foi a única surpresa positiva, aumentando 0,4% no mês (o mercado esperava uma contração); porém a alta foi compensada pela queda acentuada em fevereiro (-2,5%), que será contabilizada no próximo relatório. Finalmente, os números do PIB no 4T vieram em linha com as expectativas, mostrando a quarta queda consecutiva da atividade econômica. De maneira geral, as incertezas domésticas continuam mantendo a economia brasileira sob pressão.

O índice surpresa do México registrou um resultado positivo de 0,10, acima da neutralidade observada no mês passado, impulsionado pelos números positivos da produção industrial, vendas no varejo e investimento. A produção industrial em janeiro aumentou 1,1% sobre o ano anterior (expectativas do mercado em 0,1%). As vendas no varejo cresceram 5,2% na mesma comparação, superando a mediana de 3,8% das estimativas do mercado como também a projeção mais otimista. Por fim, o investimento em dezembro sobre o ano anterior se recuperou em relação ao mês passado, aumentando 1,1% (o mercado esperavam uma queda de 1,4%). O IGAE (proxy mensal para o PIB) veio em linha com as estimativas de mercado. Os indicadores de atividade aliviaram as preocupações criadas pela divulgação de dados anteriores de que a economia poderia estar desacelerando rapidamente.

O índice surpresa do Chile ficou em -0.05, mostrando melhora em relação aos -0,29 de fevereiro. O índice continua pressionado pelas surpresas negativas do mês passado, mas os dados em março foram marcados por surpresas positivas das vendas no varejo e manufatura. Na comparação anual, as vendas no varejo cresceram 7,4% em fevereiro (expectativas de mercado em 3,9%), favorecidas pela aceleração das vendas de automóveis e pelo dia extra no mês. A atividade manufatureira voltou a crescer em fevereiro, aumentando 1,3%, surpreendendo positivamente o crescimento de 0,2% estimado pelo consenso. O Imacec, índice de atividade do Chile, veio em linha com as expectativas na nossa medida ajustada. A confiança fraca e os preços do cobre mais baixos devem pesar sobre a atividade à frente.

O índice surpresa da Colômbia registrou 0,24, contra -0,10 em fevereiro. Os indicadores de atividade recentes mostram que a economia continua resiliente, apesar dos preços mais baixos do petróleo. As operações na refinaria de Cartagena e o peso colombiano mais fraco impulsionaram a atividade industrial, que cresceu 8,2% sobre o ano anterior, acima dos 3,5% projetados pelo consenso. As vendas no varejo cresceram 2,2% em janeiro sobre o ano anterior, superando o consenso (-0,2%). As vendas foram afetadas por um mercado de trabalho em desaceleração. Apesar da desaceleração do mercado de trabalho, a taxa de desemprego de fevereiro veio melhor do que o esperado, em 10,3% (mercado: 12,7%). Por fim, os números do PIB vieram em linha com as estimativas, crescendo 3,3% no último trimestre de 2015 em relação

O índice surpresa do Peru registrou 0,24, contra 0,75 em fevereiro. A proxy mensal do PIB de janeiro cresceu 3,4% (de 6,4% em dezembro), abaixo das expectativas de mercado (4,5%). Apesar da desaceleração, a atividade no trimestre encerrado em janeiro aumentou 4,7% sobre o ano anterior. Os setores de recursos naturais continuam impulsionando o crescimento econômico, com as atividades de mineração metálica e pesca registrando crescimento anual de dois dígitos no mês. A taxa de desemprego para o trimestre encerrado em fevereiro ficou em 6,9%, surpreendendo positivamente (o mercado esperava 7,1%). A economia peruana permanece resiliente, mostrando a maior taxa de crescimento que projetamos para 2016, de todos os países latino-americanos sob nossa cobertura.


 

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 


 

Luka Barbosa
Lourenço Paiva



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