Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa LatAm - Performance positiva em abril

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa LatAm - Performance positiva em abril

Maio 3, 2016

Exceto o Brasil, países LatAm tiveram desempenho positivo. O Índice tem ficado em grande parte acima de zero desde dez/15.

Nosso Índice Itaú de Surpresa LatAm avançou para 0,09 em abril, contra -0,04 em março. A Colômbia ficou em primeiro lugar pelo segundo mês consecutivo, com resultados favoráveis nas vendas no varejo em fevereiro. O Brasil é o único país em território negativo, embora esteja próximo da neutralidade. O Índice Itaú de Surpresa LatAm tem ficado em grande parte positivo desde dezembro/15, uma recuperação em relação à tendência negativa observada desde 2014.

O Índice Itaú de Surpresa LatAm compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil registrou -0,03, acima dos -0,09 no mês passado. A melhora se deve a surpresas positivas em abril (excluindo os dados de emprego), embora os dados continuem mostrando uma atividade econômica fraca. A produção industrial caiu acentuadamente em fevereiro (-2,5%), próximo das expectativas quando comparado com mesmo mês do ano passado. A difusão das atividades industriais sugere que o resultado de fevereiro foi puxado para baixo por alguns setores, como a produção de automóveis. A confiança da indústria tem se estabilizado e os estoques estão em queda. Uma confiança melhor, aliada a uma capacidade ociosa elevada, indica que a produção industrial poderá se estabilizar nos próximos meses e iniciar uma recuperação mais adiante. O índice mensal de atividade econômica IBC-Br contraiu 4,5% em fevereiro sobre o ano anterior, superando a estimativa de -5,0% do mercado. A queda foi liderada pela contração da produção industrial e reforça as projeções de queda do PIB para o 1T. Olhando para a demanda, as vendas no varejo restrito avançaram 1,2% em fevereiro sobre o mês anterior, com ajuste sazonal, mas permanecem em níveis baixos e com uma tendência negativa. No entanto, as vendas na comparação anual superaram a estimativa de -5,6% do mercado, contraindo 4,2%. Apesar de esperarmos uma reversão em março frente a fevereiro, as vendas de supermercados melhores do que o esperado nos leva a projetar uma contração menor das vendas no varejo em março. No mercado de trabalho, os dados continuam sob os efeitos de uma economia fraca: o desemprego atingiu 10,9% em março, acima do consenso de 10,7%. Além disso, houve uma perda líquida de 119 mil empregos formais no mês (o mercado esperava uma destruição de 95 mil empregos). De maneira geral, a atividade doméstica continua sendo negativamente afetada pela incerteza no cenário doméstico. Em um cenário de reformas fiscais, a melhora na confiança poderia abrir espaço para uma recuperação, em nossa visão.

O índice surpresa do México registrou 0,25 em abril, contra 0,00 no mês anterior. O índice foi impulsionado pelo fato de que os indicadores divulgados em abril referentes ao mês de fevereiro foram influenciados por efeitos de calendário (o efeito dos anos bissextos). O PIB mensal IGAE cresceu 4,1% em fevereiro sobre o ano anterior, superando a projeção de 3,0% do mercado. Corrigido para os efeitos de calendário, o crescimento foi mais moderado, em 2,8% sobre o ano anterior. A produção industrial superou as expectativas do mercado, crescendo 2,6% em relação ao ano anterior (mercado: 1,4%), porém ajustado para o número de dias úteis, o crescimento registrou apenas 0,8%. Do lado da demanda, o consumo tem sido o principal motor do crescimento, enquanto o investimento vem sendo influenciado pelo impacto do câmbio mais fraco sobre as compras de máquinas e equipamentos e cortes nas despesas fiscais. Esta tendência se reflete nos dados: as vendas no varejo de fevereiro vieram mais fortes do que o esperado, crescendo 9,6% face ao ano anterior (mercado: 5,1%), um resultado forte mesmo quando ajustado para os efeitos de calendário, e o investimento decepcionou em relação ao ano anterior, crescendo 0,1% em janeiro (mercado: 1,0%). Apesar dos efeitos de calendário, a recuperação nos indicadores de atividade diminuiu as preocupações de que a economia mexicana estivesse desacelerando rapidamente. Projetamos crescimento de 2,5% do PIB este ano, o mesmo ritmo registrado em 2015.

O índice surpresa do Chile registrou 0,16 em abril, avançando em relação aos -0.05 no último mês. No geral, os indicadores de atividade ficaram próximos das expectativas. O desempenho positivo do mês foi impulsionado pelos resultados de meses anteriores. O índice Imacec de atividade econômica registrou uma taxa de crescimento de 2,8%, favorecido pelo efeito do ano bissexto e superando a expectativa de 2,4% do mercado. A atividade de manufatura subiu 2,7% em março sobre o ano anterior (mercado em 1,5%), elevando o desempenho no trimestre, com crescimento de -0,1% (-2,0% no 4T15). Alguns setores manufatureiros provavelmente estão se beneficiando da depreciação cambial recente. Por outro lado, as vendas no varejo cresceram 1,4% em março sobre o ano anterior, decepcionando a projeção de 3,9% do mercado. Estimamos que a economia chilena cresça 1,8% este ano, abaixo dos 2,1% registrados em 2015, e resultando no terceiro ano consecutivo de crescimento abaixo do potencial.

O índice surpresa da Colômbia registrou 0,32, acima dos 0,20 no mês passado. O país liderou o índice surpresa pelo segundo mês consecutivo. As vendas no varejo cresceram 4,6% em fevereiro em relação ao ano anterior, acima da estimativa de consenso do mercado de 2,7%. Excluindo as vendas de veículos, as vendas no varejo cresceram 5,7% (3,7% em janeiro; 4,3% no trimestre). A taxa de desemprego atingiu 10,2%, apenas ligeiramente melhor do que as estimativas do mercado, em 10,3%, na medida em que o mercado de trabalho mostra sinais de desaquecimento. De maneira geral, o índice da Colômbia permaneceu em território positivo no acumulado do ano.

O índice surpresa do Peru alcançou 0,10, contra 0,00 em março. A atividade cresceu 6,0% em fevereiro sobre o ano anterior (acima do consenso do mercado em 5,1%), puxada pela atividade relacionada a mineração e revertendo a desaceleração temporária em janeiro (+3,4%). O crescimento de dois dígitos na produção de cobre está impulsionando a atividade, enquanto as atividades de pesca voltaram a contrair, com a temporada de pesca chegando ao fim. A taxa de desemprego em Lima para o 1T16 ficou em 7,2%, acima dos 7,0% esperados pelo mercado e dos 7,0% registrados no mesmo período de 2015. Esta é a maior taxa de desemprego observada para o 1T16 desde 2012, conforme o mercado de trabalho mostra alguns sinais de desaquecimento. O índice do Peru vem apresentando bom resultado recentemente, permanecendo em território positivo desde setembro de 2015.

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 


 

Luka Barbosa
Lourenço Paiva


 



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