Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa LatAm - Impulso do México e Brasil

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa LatAm - Impulso do México e Brasil

Julho 4, 2016

Enquanto o índice do México foi influenciado por efeitos de calendário, o Brasil melhorou consideravelmente.

Nosso Índice Itaú de Surpresa LatAm registrou 0,12 em junho, acima dos 0,00 observados em maio. O índice teve um impulso significativo do México e do Brasil. Os dados para o México, no entanto, foram mais uma vez distorcidos por efeitos de calendário. O índice do Brasil, que havia apresentado o pior desempenho em maio, melhorou consideravelmente. A maioria dos demais países da região teve desempenho negativo.

Nosso Índice Itaú de Surpresa LatAm  compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil registrou 0,05, acima dos -0,22 no mês passado. A produção industrial de abril puxou o índice para território positivo, expandindo 0,2% e superando as expectativas por uma margem alta (mercado: -0,9%). Na comparação com abril de 2015, o indicador caiu 7,2% face ao ano anterior. Metade dos 24 segmentos de atividade registrou ganhos, um resultado consistente com estabilidade na produção industrial. A produção de maio veio em linha com as expectativas e deve ser incorporada no próximo relatório. A alta da confiança dos empresários e os ajustes de estoques devem continuar nos próximos meses, o que é consistente com uma recuperação da produção industrial no segundo semestre do ano. O PIB do 1T16 veio como uma surpresa positiva, mas usando nosso ajuste (que considera o desvio padrão dos dados), a contribuição para o índice foi nula. O número do PIB foi caracterizado por uma contração disseminada do lado da oferta e uma queda significativa no consumo das famílias do lado da demanda. Os dados de atividade publicados até o momento, incluindo o indicador de atividade mensal IBC-Br de abril (que veio em linha com as expectativas), sugerem uma contração adicional do PIB no 2T16. Esperamos que o PIB trimestral se estabilize apenas no próximo ano. Os dados de emprego para o mês de abril contribuíram positivamente para o índice, com a taxa de desemprego registrando 11,2% (mercado: 11,4%) e menos destruição de emprego do que o esperado, embora as perspectivas para o desemprego permaneçam negativas. Os salários reais ainda estão contraindo e a atividade continua fraca, o que indica piora no mercado de trabalho. Por fim, as vendas no varejo vieram em linha com as expectativas. Para os próximos meses, antecipamos uma recuperação da produção industrial, mas as perspectivas para o emprego e o consumo continuam fracas.

O índice surpresa do México registrou 0,46 em junho, comparado a 0,38 no mês anterior, e foi o principal motivo por trás do resultado positivo do índice agregado no mês. No entanto, efeitos de calendário continuam distorcendo os resultados e os dados de atividade divulgados no mês permanecem fracos. A produção industrial cresceu mais do que o dobro do que o mercado esperava (1,9% contra uma expectativa do mercado de 0,8%); no entanto, quando ajustado para efeitos de calendário, o índice se deteriorou substancialmente. As vendas no varejo subiram 10,6% em abril face ao ano anterior, acima da projeção do mercado (8,0%), mas as vendas foram distorcidas por uma mudança em promoções de lojas de departamento e um efeito de calendário positivo. O índice de atividade mensal IGAE ganhou 3% sobre o ano anterior em abril, ligeiramente acima das expectativas, mas teve um resultado neutro sobre o nosso índice ajustado. Ajustando para efeitos sazonais e de calendário, o IGAE cresceu apenas 0,7% na comparação anual, registrando sua primeira contração na comparação mensal em mais de 7 anos. Esperamos que a economia mexicana cresça 2,5% este ano, a mesma taxa de crescimento registrada em 2015.

O índice surpresa do Chile registrou -0,34 em junho, ante 0,26 no mês passado. Comparado ao 1T16, a maioria dos indicadores de atividade está desacelerando na margem. O indicador de atividade mensal (Imacec) cresceu apenas 0,7% em abril sobre o ano anterior, bem abaixo das expectativas do mercado (1,9%). Os setores de mineração e manufatura puxaram a atividade para baixo no mês de abril. As vendas no varejo cresceram moderados 0,6% sobre o ano anterior, abaixo da estimativa de 3,5% do mercado. Esperamos um crescimento do PIB menor este ano do que no ano passado (1,8% contra 2,1% no ano passado). A atividade está sendo prejudicada pelo fiscal contracionista, preços baixos das commodities, mercado de trabalho pior e confiança fraca.

O índice surpresa da Colômbia registrou -0,13, ante 0,12 no mês passado. A média móvel de três meses está sendo afetada pelo resultado negativo de maio, dado que os indicadores divulgados em junho surpreenderam positivamente. Os efeitos de calendário relacionados ao feriado de Páscoa beneficiaram a atividade em abril, após contribuir negativamente para o crescimento no mês anterior. A manufatura cresceu 8,4% sobre o ano anterior, enquanto o consenso projetava 7,0%. O setor de refino de petróleo ainda é o motor de crescimento por trás da manufatura. As vendas no varejo se recuperaram, subindo 5,4% em abril, acima dos 4,0% esperados pelo mercado. Além disso, a taxa de desemprego ficou em 9,0% em abril, melhor do que a expectativa de 9,3% do mercado, apesar de esperarmos que a taxa de desemprego aumente à frente. Apesar dos dados robustos, esperamos que a atividade desacelere para 2,3% este ano, de 3,1% no ano passado.

O índice surpresa do Peru ficou em -0,17, uma piora em relação aos -0,13 de abril. O índice do PIB mensal desacelerou para 2,5% em abril, de 3,7% em março, abaixo das expectativas do mercado, em 3,5%. Interpretamos a desaceleração de abril com cautela, devido a um efeito de base desfavorável da indústria da pesca. A taxa de desemprego em maio ficou em 7,1% - acima das expectativas do mercado (7%), e da taxa registrada no mesmo mês do ano passado. De maneira geral, acreditamos que a economia continuará se beneficiando da expansão do setor mineiro, e ainda projetamos o crescimento do PIB acelerando de 3,3% em 2015 para 3,8% em 2016.

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 


 

Luka Barbosa
Lourenço Paiva


 



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