Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa LatAm: De volta ao neutro

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa LatAm: De volta ao neutro

Setembro 18, 2013

Os dados de atividade econômica ficaram, no agregado, muito próximos das expectativas do mercado em julho.

O Índice Itaú de Surpresa LatAm compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. Surpresas em relação à atividade frequentemente provocam revisão nas estimativas de crescimento do PIB.

Os dados de atividade econômica ficaram, no agregado, muito próximos das expectativas do mercado em julho. O Índice Itaú de Surpresa LatAm ficou praticamente em território neutro (+0,01, após -0,12 em junho), patamar que foi observado pela última vez há um ano.

A principal contribuição para a melhora no resultado agregado foi o Brasil. As surpresas positivas se concentraram em vendas no varejo, desemprego e PIB mensal (IBC-Br), enquanto a produção industrial decepcionou as expectativas do mercado. Vale ressaltar que a divulgação do PIB do 2T13 proporcionou uma melhora significativa ao resultado de junho. O Índice de Surpresa Brasil atingiu 0,09 em julho, após -0,02 em junho. É importante considerar que o resultado ligeiramente positivo se deve principalmente às expectativas contidas, e não a uma melhora robusta da economia. Para o 3T13, projetamos contração de 0,5% no PIB em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, em parte devido à piora na confiança de consumidores e empresários.

No México, números preliminares de atividade em julho apontam para decepções menores, após uma leitura muito fraca para o PIB do 2T13, de 1,5% na comparação anual. Apesar de os índices PMIs de julho terem ficado abaixo do esperado, a confiança do consumidor subiu, e a produção industrial — com peso maior em nosso índice — recuou menos do que o mercado previa, registrando queda anual de 0,5%. O Índice de surpresa do México ficou em -0,19 em julho, após -0,43 em junho. Esperamos crescimento de 1,3% para a economia mexicana este ano, projeção que contempla aceleração no segundo semestre. Para 2014, projetamos 3,6%, devido à esperada recuperação da economia americana e ao impacto positivo das reformas estruturais.

No Chile, o índice de surpresa novamente ficou em território positivo (0,06), ainda que próximo de zero. Atividade industrial, desemprego e vendas no varejo proporcionaram surpresas positivas. No entanto, o Imacec (proxy mensal para o PIB) contribuiu negativamente, com alta de 5,3% na comparação anual, enquanto o mercado projetava 6,0%. Em nossa opinião, o recente recuo da confiança do consumidor e a piora na tendência para o crescimento dos salários reais são consistentes com desaceleração adicional da demanda doméstica nos próximos trimestres. Projetamos crescimento econômico de 4,2% este ano.

O Índice de surpresa do Peru permanece em território negativo, uma vez que o PIB mensal decepcionou as expectativas do mercado pela terceira vez consecutiva em julho. O PIB se expandiu 4,5% em relação a um ano antes, enquanto as expectativas do mercado estavam centradas em 4,8%. A média móvel de três meses do crescimento anual caiu de 5,6% em junho para 4,6%. A atividade na construção civil (11,4% na comparação anual) continua crescendo mais rápido do que a economia em geral, provavelmente devido à aceleração do investimento público, que tem suavizado o desaquecimento no investimento privado. A mineração (+3,5%) perdeu fôlego, enquanto a atividade industrial permaneceu fraca (+1,1%). A queda nos preços das commodities metálicas parece ser o principal responsável pela desaceleração da economia peruana. Mantemos nossa projeção para o crescimento do PIB este ano em 5,4%.

Luka Barbosa

Axel Mange


 


 

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI


 


 

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego.



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