Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Surpresas para cima no México, números ambíguos no Brasil

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Surpresas para cima no México, números ambíguos no Brasil

Setembro 5, 2017

Pós quatro meses consecutivos de queda, o índice surpresa do Brasil subiu em agosto.

Nosso Índice Itaú de Surpresa Inflacionária subiu para -0,26 em agosto, vindo de -0,36 em julho. O índice surpresa do México ficou estável em agosto, com a desinflação de bens comercializáveis se mostrando mais lenta do que o esperado pelo mercado e preços de alimentação ainda pressionados. Após quatro meses consecutivos de queda, o índice surpresa do Brasil subiu em agosto. Os índices de inflação do país registraram surpresas mistas no mês, mas a inflação subjacente continua baixa. No Chile, a inflação veio um pouco acima das projeções medianas do mercado, enquanto na Colômbia ela veio mais baixa do que a projeção mais otimista.

O índice de surpresa inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação publicados durante o mês com a expectativa dos analistas para estes mesmos indicadores. O índice de inflação é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. O índice de inflação, no entanto, possui menos indicadores que nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade para cada país, devido ao número limitado de índices de inflação que são consistentemente projetados por agentes do mercado. Como de costume, um resultado acima de zero significa que a inflação ultrapassou as estimativas. Uma leitura abaixo de zero significa que a inflação veio abaixo do esperado. O índice é uma média móvel de três meses, de forma a evitar excesso de volatilidade.

O índice surpresa do Brasil aumentou para -0,46 em agosto, ante -0,64 em julho. O IPCA de julho veio ligeiramente acima das expectativas na comparação com o mês anterior (0,24% vs. 0,18%). O grupo de habitação, particularmente o componente contas de luz, teve a maior contribuição de alta em julho, devido à aplicação da bandeira tarifária amarela e ajustes de tarifas por parte de algumas prestadoras de serviços públicos. Por outro lado, a prévia de inflação de agosto (IPCA-15) ficou em 0,35% sobre o mês anterior (5pb abaixo da projeção mediana). Na comparação anual, o IPCA-15 desacelerou para 2,68% (a menor leitura desde março de 1999), com o grupo alimentação e bebidas apresentando uma forte contribuição de baixa em agosto. Em suma, a inflação subjacente permanece benigna. De fato, a inflação de serviços, um item de interesse especial para o BCB, manteve o ritmo recente de queda, refletindo a forte ociosidade observada no mercado de trabalho, apesar das taxas de desemprego terem surpreendido positivamente nos últimos meses.

O índice surpresa do México ficou em 0,41 em agosto, em meio a surpresas para cima disseminadas. O índice de julho subiu 0,38% na comparação mensal, surpreendendo para cima as expectativas medianas do mercado (0,32%, conforme a Bloomberg). Da mesma forma, a inflação na primeira quinzena de agosto veio acima das expectativas do mercado: a inflação quinzenal ficou em 0,31%, enquanto o consenso projetava 0,22%. A principal fonte de pressão veio de bens comercializáveis, que explicam quase metade da inflação mensal. Diante da desinflação mais lenta do que o esperado para os bens comercializáveis ​​e do componente alimentação ainda pressionado, aumentamos nossa projeção de inflação de final de ano para 5,7% (5,4% anteriormente).

O índice surpresa do Chile avançou para -0,48 em agosto, de -0,61 em julho. Os preços ao consumidor subiram 0,2% de junho a julho, ligeiramente acima do consenso do mercado da Bloomberg (0,1%). Olhando à frente, um crescimento moderado e uma taxa de câmbio estável, somados às expectativas de inflação ancoradas, devem conter pressões inflacionárias. Esperamos que a inflação permaneça baixa durante o restante do ano, encerrando 2017 em 2,4%.

O índice surpresa da Colômbia caiu para -0,62 em agosto, vindo de -0,17 no mês anterior. A deflação mensal de 0,05% registrada em julho veio abaixo da projeção mais otimista (mediana: +0,11%). O dado na margem melhor do que o esperado, juntamente com o efeito base favorável, levou a inflação anual para 3,40% - a menor desde outubro de 2014. No entanto, os preços de bens não comercializáveis seguem rígidos​​. Vemos a inflação anual retomando uma tendência de alta em agosto, encerrando o ano em 4,2%.

O índice surpresa do Peru subiu para -0,79 em agosto, após atingir seu valor mais baixo em 6 anos em julho (-1,31). Após uma sequencia meses de deflação sequencial, o índice de preços ao consumidor acelerou para 0,20% em julho – ligeiramente acima da mediana das expectativas dos analistas (0,17%). Olhando à frente, a queda dos preços agrícolas (decorrente da reversão do El Niño), a demanda doméstica fraca e os efeitos defasados da apreciação do PEN contribuirão para um processo de desinflação; esperamos que a inflação anual desacelere para 2,6% no final do ano.

Nota metodológica

Nosso índice Itaú de Surpresa Inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice considera o mês em que cada indicador é divulgado. Por exemplo, a inflação de fevereiro divulgada em março será incorporada ao índice de surpresa de março.

O índice é formado por indicadores separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação veio acima das estimativas. Abaixo de zero significa que a inflação ficou abaixo das expectativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva.

Construímos o índice surpresa de inflação para cada país utilizando indicadores de inflação que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números dos índices de preços ao consumidor possuem de um peso maior do que indicadores de inflação regional ou índices de preços no atacado.

Utilizamos a diferença entre o número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece uma melhor métrica de quão importante foi a surpresa em cada mês.

O peso de cada país no índice de inflação agregado depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

É importante notar que, devido às revisões nos indicadores econômicos e defasagem de divulgações, os índices surpresa podem ser revisados.

 

Indicadores a partir dos quais o índice é construído:

Brasil: IPCA (30%), IPCA-15 (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%), IPC-FIPE (5%)

México: IPC (50%), IPC quinzenal (50%)

Chile: IPC (100%)

Colômbia: IPC (100%)

Peru: IPC (100%)


 

Luka Barbosa
Eduardo Marza


 



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