Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Surpresas de inflação balanceadas em fevereiro

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Surpresas de inflação balanceadas em fevereiro

Março 7, 2018

O índice recuou para 0,02 em fevereiro e se encontra em patamar neutro

Nosso Índice Itaú de Surpresa Inflacionária recuou para 0,02 em fevereiro (ante 0,08 em janeiro), e agora se encontra em patamar neutro. As principais contribuições para o recuo do índice geral vieram dos subíndices de Brasil e México. No primeiro caso, a divulgação do IPCA de janeiro surpreendeu para baixo, com resultado mais fraco que o piso das expectativas de mercado. Em contraste, a inflação no Chile surpreendeu para cima no início do ano, influenciada pelos componentes de alimentos, moradia e transportes. O resultado de janeiro coloca um viés de alta em nossa projeção de inflação no Chile para o fim do ano (2,5%). 

O índice de surpresa inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação publicados durante o mês com a expectativa dos analistas para estes mesmos indicadores. O índice de inflação é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. O índice de inflação, no entanto, possui menos indicadores que nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade para cada país, devido ao número limitado de índices de inflação que são consistentemente projetados por agentes do mercado. Como de costume, um resultado acima de zero significa que a inflação ultrapassou as estimativas. Uma leitura abaixo de zero significa que a inflação veio abaixo do esperado. O índice é uma média móvel de três meses, de forma a evitar excesso de volatilidade.

O índice surpresa do Brasil recuou para -0,13 em fevereiro, ante -0,06 em janeiro, devido à surpresa para baixo do IPCA de janeiro de 2018. De fato, a inflação de janeiro veio em 0,29%, resultado abaixo do piso das expectativas de mercado. Com isso, a taxa em 12 meses recuou para 2,86%, ante 2,95% no fechamento do ano passado. As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos transportes (0,20 p.p.) e alimentação e bebidas (0,18 p.p.). Por outro lado, os grupos habitação (-0,13 p.p.) e vestuário (-0,06 p.p.) apresentaram contribuições negativas. No caso de habitação, o maior impacto veio da queda na conta de luz, refletindo o acionamento da bandeira tarifária verde no início do mês. Já o IPCA-15 de fevereiro subiu 0,38%, resultado próximo das expectativas, levando a taxa acumulada em 12 meses para 2,86%. Os resultados do IPCA e IPCA-15 reforçam os níveis baixos da inflação corrente, que apresenta uma boa composição.

O índice surpresa do México recuou para 0,34 em fevereiro, de 0,50 no mês anterior, por conta da média móvel. O IPC avançou 0,53% em janeiro sobre o mês de dezembro, ligeiramente acima das expectativas de mercado (0,50%). A principal pressão de alta no mês veio do componente de energia, que contribuiu com metade da inflação no período. Apesar do resultado, vale destacar que essas variações são muito menores do que as altas observadas no início de 2017, momento em que o governo mexicano iniciou o processo de liberalização dos preços de energia (“gazolinaço”). Por outro lado, a inflação quinzenal foi de 0,20% na primeira metade de fevereiro, surpreendendo para baixo as expectativas medianas do mercado (0,26%). Na comparação anual, a inflação desacelerou para 5,45% no período, ante 5,58% na segunda quinzena de janeiro.

O índice surpresa do Chile caiu para 0,16 em fevereiro (0,26 no mês anterior). Os preços ao consumidor subiram 0,5% de dezembro para janeiro, acima do consenso de mercado da Bloomberg (0,3%). A surpresa é explicada pelo aumento dos preços nos alimentos, habitação e transportes. Analisando bens não comercializáveis a inflação ficou estável em 3%, no caso dos comercializáveis a inflação caiu de 1,7% para 1,5%. Em termos anuais, a inflação ficou em 2,2%, abaixo dos 2,3% registrados no mês anterior. O resultado de janeiro coloca um viés de alta em nossa projeção de inflação no Chile para o fim do ano (2,5%). Por outo lado, a apreciação recente da taxa de câmbio e o hiato do produto ainda negativo devem contribuir para conter as pressões inflacionárias à frente.

O índice surpresa da Colômbia aumentou para 0,23 em fevereiro, vindo de 0,14 no mês anterior. Em janeiro, os preços avançaram 0,63% em relação ao mês anterior, abaixo da expectativa de consenso de mercado da Bloomberg (0,66%). A variação observada se explica pelo aumento, acima do esperado, tanto no preço dos alimentos quando dos transportes. Em termos anuais, a inflação desacelerou para 3,68%, vindo de 4,09% no encerramento de 2017. Olhando à frente, as pressões inflacionárias devem continuar contidas, influenciadas pelo hiato do produto negativo e o comportamento da taxa de câmbio.

O índice surpresa do Peru avançou para -0,50 em fevereiro, vindo de -1,15 em janeiro, Na margem, o IPC registrou uma ligeira variação mensal de 0,13% em janeiro. O resultado ficou abaixo do consenso de mercado (0,20%, conforme a Bloomberg). O processo de desinflação segue em andamento, puxado pela queda nos preços (refletindo a gradativa normalização da produção agrícola após o El Niño), e também pelo câmbio mais apreciado.

Nota metodológica

Nosso índice Itaú de Surpresa Inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice considera o mês em que cada indicador é divulgado. Por exemplo, a inflação de fevereiro divulgada em março será incorporada ao índice de surpresa de março.

O índice é formado por indicadores separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação veio acima das estimativas. Abaixo de zero significa que a inflação ficou abaixo das expectativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva.

Construímos o índice surpresa de inflação para cada país utilizando indicadores de inflação que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números dos índices de preços ao consumidor possuem de um peso maior do que indicadores de inflação regional ou índices de preços no atacado.

Utilizamos a diferença entre o número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece uma melhor métrica de quão importante foi a surpresa em cada mês.

O peso de cada país no índice de inflação agregado depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

É importante notar que, devido às revisões nos indicadores econômicos e defasagem de divulgações, os índices surpresa podem ser revisados.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído:

Brasil: IPCA (30%), IPCA-15 (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%), IPC-FIPE (5%)

México: IPC (50%), IPC quinzenal (50%)

Chile: IPC (100%)

Colômbia: IPC (100%)

Peru: IPC (100%)
 

 

André Matcin
Eduardo Marza



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