Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Surpresas balanceadas no Brasil

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Surpresas balanceadas no Brasil

Abril 3, 2018

O índice brasileiro andou de lado, com os dados de março vindo praticamente em linha com as expectativas dos analistas.

Nosso Índice Itaú de Surpresa Inflacionária caiu para -0,05 em março, ante 0,00 em fevereiro. O componente brasileiro andou de lado, com os dados de inflação publicados em março vindo praticamente em linha com as expectativas dos analistas. De fato, a abertura dos índices oficiais de inflação não revelou grandes surpresas, e em geral confirmou a perspectiva favorável para a inflação. O índice surpresa do México moderou um pouco, mas segue acima de zero, com a inflação quinzenal na primeira metade de março ultrapassando a projeção do consenso. No entanto, ainda projetamos uma desinflação para 3,7% ao final do ano. O componente chileno retornou para território negativo, com o fortalecimento do CLP e um hiato do produto ainda amplo contendo pressões inflacionárias.

O índice de surpresa inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação publicados durante o mês com a expectativa dos analistas para estes mesmos indicadores. O índice de inflação é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. O índice de inflação, no entanto, possui menos indicadores que nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade para cada país, devido ao número limitado de índices de inflação que são consistentemente projetados por agentes do mercado. Como de costume, um resultado acima de zero significa que a inflação ultrapassou as estimativas. Uma leitura abaixo de zero significa que a inflação veio abaixo do esperado. O índice é uma média móvel de três meses, de forma a evitar excesso de volatilidade.

O índice surpresa do Brasil oscilou para -0,11 em março, ante -0,17 em fevereiro. Os dados de inflação publicados no mês vieram praticamente em linha com as expectativas. De fato, o índice de preços ao consumidor IPCA subiu 0,32% em fevereiro, correspondendo à mediana das expectativas do mercado. A variação em doze meses desacelerou ligeiramente para 2,84%, de 2,86% em janeiro. A composição não revelou grandes surpresas; pelo contrário, o resultado mensal continua apontando para uma inflação em níveis baixos e com boa composição. Da mesma forma, o IPCA-15 subiu 0,10% em março, em linha com a mediana das expectativas do mercado. A variação em relação ao ano anterior caiu para 2,80%, de 2,86% em fevereiro. Mais uma vez, não foram observadas grandes surpresas na composição do índice. A média das três medidas mais utilizadas do núcleo de inflação subiu 0,20%, ante 0,25% em fevereiro, enquanto a variação em 12 meses recuou de 3,3% para 3,2%. De maneira geral, a evolução da inflação permanece favorável, com várias medidas de inflação subjacente em níveis baixos, incluindo os componentes mais sensíveis à política monetária (preços de serviços). Para este ano, nossa estimativa para o IPCA permanece em 3,5%.

O índice surpresa do México moderou para 0,10 em março, ante 0,34 no mês anterior. A inflação medida pelo IPC registrou variação de 0,38% em fevereiro em relação ao mês anterior, ligeiramente abaixo da mediana das expectativas (0,41%, segundo a Bloomberg). A inflação anual caiu para 5,34% no mês (5,55%, no mês anterior), enquanto o núcleo da inflação desacelerou para 4,27% (vindo de 4,56%). Por outro lado, a inflação quinzenal surpreendeu para cima na primeira quinzena de março (0,29% ante 0,25%), mas a surpresa foi concentrada em alguns itens somente. De fato, a inflação acumulada em doze meses caiu para 5,17% sobre no mês (de 5,23% na segunda quinzena de fevereiro), enquanto o núcleo da inflação recuou para 4,15% (de 4,22%). A composição sugere um cenário mais positivo, com o nosso índice de difusão caindo para 57% (de 62,2%), registrando seu nível mais baixo em 15 meses. À frente, projetamos a inflação recuando para 3,7% no final do ano. A evolução mais benigna do MXN será o principal fator por trás desta queda, uma vez que o efeito defasado da depreciação da taxa de câmbio provavelmente desapareceu e o repasse cambial está atualmente exercendo pressão baixista.

O índice surpresa do Chile caiu para -0,08 em março, de 0,16 no mês anterior. Os preços ao consumidor ficaram praticamente estáveis ​​em fevereiro (+0,04% sobre o mês anterior), abaixo da mediana das projeções coletadas pela Bloomberg (0,15%). O fortalecimento do CLP e o hiato do produto ainda elevado estão contendo pressões inflacionárias: a inflação anual caiu para 2% (2,2% anteriormente), atingindo a banda inferior do intervalo de tolerância em torno da meta do banco central. O núcleo da inflação (preços excluindo alimentos e energia) manteve-se estável em 1,6%, abaixo da banda inferior da meta. Esperamos que essa situação permaneça ao longo do ano, à medida que o hiato do produto segue amplo. Vemos a inflação em 2,5% ao final do ano.

O índice surpresa da Colômbia caiu para 0,05 em março, após registrar 0,24 em fevereiro. A inflação mensal ficou em 0,71% em fevereiro, ligeiramente abaixo do consenso de mercado medido pela Bloomberg (0,75%). A leitura anual desacelerou para 3,37%, de 3,68% em janeiro. Embora os preços dos alimentos e dos bens comercializáveis ​​sejam os principais fatores por trás da desinflação observada, notamos que o componente não comercializável, que é mais persistente, também está moderando, caindo abaixo de 5% pela primeira vez em mais de um ano. Olhando adiante, projetamos a inflação fechando o ano em 3,3%, após se aproximar da meta de 3% no 2T e no 3T. A taxa de câmbio estável, o hiato do produto negativo e menos inércia contribuirão para uma desaceleração da inflação e desinflação adicional em direção à meta de 3% em 2019.

O índice surpresa do Peru aumentou para -0,21 em março (-0,50 em fevereiro) devido à dinâmica da média móvel. Na margem, o IPC ficou abaixo do esperado pelo sexto mês consecutivo: os preços ganharam 0,25% em fevereiro sobre o mês anterior, enquanto a mediana da pesquisa Bloomberg ficou em 0,28%. A inflação anual caiu ainda mais abaixo da meta de 2% do BCRP (1,18%, ante 1,25% em janeiro). Notavelmente, a inflação de alimentos (-0,53% sobre o ano anterior, ante 0,22% em janeiro) caiu para território negativo pela primeira vez em quase onze anos. Por outro lado, o núcleo da inflação (excluindo alimentos e energia) permaneceu constante em 1,97% sobre o ano anterior. Esperamos que a inflação anual chegue ao seu menor nível em março e aumente gradualmente durante o restante do ano. Vemos a inflação em 2,2% no final de 2018. Além da reversão dos efeitos de base, a aceleração da atividade também ajudará a remover a pressão baixista dos preços do núcleo.

Nota metodológica

Nosso índice Itaú de Surpresa Inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice considera o mês em que cada indicador é divulgado. Por exemplo, a inflação de fevereiro divulgada em março será incorporada ao índice de surpresa de março.

O índice é formado por indicadores separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação veio acima das estimativas. Abaixo de zero significa que a inflação ficou abaixo das expectativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva.

Construímos o índice surpresa de inflação para cada país utilizando indicadores de inflação que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números dos índices de preços ao consumidor possuem de um peso maior do que indicadores de inflação regional ou índices de preços no atacado.

Utilizamos a diferença entre o número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece uma melhor métrica de quão importante foi a surpresa em cada mês.

O peso de cada país no índice de inflação agregado depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

É importante notar que, devido às revisões nos indicadores econômicos e defasagem de divulgações, os índices surpresa podem ser revisados.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído:

Brasil: IPCA (30%), IPCA-15 (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%), IPC-FIPE (5%)

México: IPC (50%), IPC quinzenal (50%)

Chile: IPC (100%)

Colômbia: IPC (100%)

Peru: IPC (100%)

 

Luka Barbosa
Eduardo Marza



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