Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Retorno das surpresas para baixo no Brasil

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Retorno das surpresas para baixo no Brasil

Dezembro 4, 2017

As surpresas para baixo no Brasil, que vinham moderando nos últimos meses, retornaram em novembro.

O Índice Itaú de Surpresa Inflacionária caiu para -0,28 em novembro, ante -0,15 em outubro. As surpresas para baixo no Brasil, que vinham moderando nos últimos meses, retornaram em novembro. O IPCA de outubro e, particularmente, o IPCA-15 de novembro, vieram abaixo das projeções medianas do mercado. Em relação aos demais países, a inflação colombiana registrou uma nova surpresa para baixo, enquanto o índice de preços ao consumidor do Chile surpreendeu para cima, normalizando parcialmente a inflação excepcionalmente baixa de setembro. No México, a inflação para a primeira semana de novembro ficou substancialmente acima do limite superior das expectativas do mercado. No entanto, ainda acreditamos que a inflação tenha entrado em uma tendência de queda.

O índice de surpresa inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação publicados durante o mês com a expectativa dos analistas para estes mesmos indicadores. O índice de inflação é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. O índice de inflação, no entanto, possui menos indicadores que nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade para cada país, devido ao número limitado de índices de inflação que são consistentemente projetados por agentes do mercado. Como de costume, um resultado acima de zero significa que a inflação ultrapassou as estimativas. Uma leitura abaixo de zero significa que a inflação veio abaixo do esperado. O índice é uma média móvel de três meses, de forma a evitar excesso de volatilidade.

O índice surpresa do Brasil diminuiu para -0,25 em novembro (-0,06 em setembro), após aumentar por quatro meses consecutivos. Desta vez, os índices de inflação oficiais vieram abaixo das expectativas, enquanto os índices privados surpreenderam para cima. O IPCA avançou 0,42% em outubro, abaixo da mediana das expectativas do mercado (0,49%). No acumulado do ano, o IPCA subiu 2,21%, significativamente abaixo dos 5,78% registrados no mesmo período do ano anterior. Enquanto isso, a leitura anual acelerou para 2,70%, de 2,54% em setembro. O grupo de habitação proporcionou a maior contribuição para cima, principalmente os preços de eletricidade (0,12 p.p.) e o gás de cozinha (0,06 p.p.). O preço da eletricidade refletiu a ativação da bandeira vermelha (nível 2) do sistema de ba ndeiras tarifárias no início de outubro, após a indicação de bandeira amarela no mês anterior. Além disso, os ajustes tarifários de algumas provedoras de serviços públicos estavam atrasados. Da mesma forma, o índice quinzenal de preços ao consumidor (IPCA-15) subiu 0,32% em novembro, correspondendo à projeção mais otimista (mediana: 0,38%). É importante ressaltar que o indicador subjacente para a inflação de serviços (que exclui itens de turismo, serviços domésticos, cursos e comunicação) avançou 0,04% em novembro, com a variação anual desacelerando para 3,6%, de 4,1%. Em suma, a inflação continua em níveis baixos e com boa composição. Olhando à frente, a expectativa é de que a inflação medida pelo IPCA aumente ligeiramente, mas permaneça em níveis confortáveis, especialmente devido à capacidade ociosa substancial na economia.

O índice surpresa do México recuou para -0,26 em novembro (-0,19 em outubro), devido à dinâmica da média móvel. Na margem, os dados da inflação surpreenderam para cima. A inflação mensal de outubro veio um pouco acima das expectativas (0,63%, ante 0,60%), assim como a variação quinzenal para a segunda metade de outubro (0,19%, ante 0,13%). É importante notar que o índice de inflação da primeira quinzena de novembro registrou uma inflação quinzenal de 0,92% - bem acima da projeção mais pessimista na pesquisa Bloomberg (mediana: 0,75%). As principais fontes de pressão incluem preços de energia (eletricidade, gasolina e gás liquefeito de petróleo), serviços sensíveis à taxa de câmbio (passagens aéreas e turismo) e preços de alimentos não incluídos no núcleo. D ada a su rpresa para cima da inflação, revisamos nossa projeção de inflação em 2017 de 5,9% para 6,2%. No entanto, ainda acreditamos que a inflação tenha entrado em uma tendência de queda, e o efeito defasado da apreciação da taxa de câmbio contribuirá para a desinflação.

O índice surpresa do Chile aumentou para -0,46 em novembro (-0,75 no mês anterior). A inflação mensal de outubro surpreendeu para cima, normalizando parcialmente a leitura baixa de setembro. Assim como em setembro, a surpresa de outubro (0,6%, comparado a uma expectativa de 0,3%) é mais uma vez explicada por um grupo de bens voláteis (14 itens), incluindo pacotes de turismo (0,1 p.p. da surpresa) e alguns produtos alimentares. Em conjunto, a surpresa líquida nos dois meses foi de -0,1 p.p.. Olhando adiante, a inflação deverá permanecer abaixo da meta de 3% do banco central até o início de 2019. O efeito defasado da apreciação do CLP e a inércia ajudarão a manter a inflação em níveis baixos.

O índice surpresa da Colômbia subiu para -0,34 em novembro (-0,49 no mês anterior), devido à dinâmica da média móvel. Mais uma vez, a inflação surpreendeu para baixo em outubro, com os preços avançando 0,02% no mês - abaixo do consenso de mercado da Bloomberg, em +0,10%. Devido ao efeito base desfavorável, a inflação acumulada em 12 meses acelerou para 4,05% - a primeira observação acima da banda superior de 4,0% do banco central desde maio deste ano. Na composição, observamos que a inflação de bens não-comercializáveis permanece persistente e as medidas do núcleo ainda estão acima do intervalo da meta. De maneira geral, esperamos agora a inflação em 3,9% no final do ano (4,2% anteriormente). Nossa revisão se deve em parte às duas surpresas para baixo registrad as em se tembro e outubro, que totalizaram 0,22 p.p..

O índice surpresa do Peru recuou para território negativo (-0,47) em novembro, de +0,34 em outubro. De fato, o índice de preços ao consumidor registrou deflação mensal no mês de outubro (-0,47%, ante uma expectativa de -0,01%), devido à queda dos preços de alimentos em meio à normalização da produção agrícola após o choque do El Niño no 1S17. Os preços de alimentos (38% do índice) caíram 1,19%, subtraindo 45pb da inflação cheia. Em nossa visão, a inflação continuará caindo nos próximos meses. Dada a evidência de que o processo de desinflação esta transcorrendo mais rápido do que esperado, revisamos nossa projeção de inflação para o final de 2017 de 1,8% para 1,5%. De maneira geral, estamos observando um processo de desinflação impulsionado pela reversã o do cho que de oferta agrícola causado pelo El Niño e, em menor medida, pela evolução benigna da taxa de câmbio e pela demanda doméstica moderada.

Nota metodológica

Nosso índice Itaú de Surpresa Inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice considera o mês em que cada indicador é divulgado. Por exemplo, a inflação de fevereiro divulgada em março será incorporada ao índice de surpresa de março.

O índice é formado por indicadores separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação veio acima das estimativas. Abaixo de zero significa que a inflação ficou abaixo das expectativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva.

Construímos o índice surpresa de inflação para cada país utilizando indicadores de inflação que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números dos índices de preços ao consumidor possuem de um peso maior do que indicadores de inflação regional ou índices de preços no atacado.

Utilizamos a diferença entre o número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece uma melhor métrica de quão importante foi a surpresa em cada mês.

O peso de cada país no índice de inflação agregado depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

É importante notar que, devido às revisões nos indicadores econômicos e defasagem de divulgações, os índices surpresa podem ser revisados.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído:

Brasil: IPCA (30%), IPCA-15 (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%), IPC-FIPE (5%)

México: IPC (50%), IPC quinzenal (50%)

Chile: IPC (100%)

Colômbia: IPC (100%)

Peru: IPC (100%)

 

Luka Barbosa
Eduardo Marza



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