Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Melhor dinâmica de preços no México, mais surpresas positiva

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Melhor dinâmica de preços no México, mais surpresas positiva

Outubro 3, 2017

O destaque foi a moderação do índice do México, com os dados sugerindo um cenário de inflação mais benigno.

Nosso Índice Itaú de Surpresa Inflacionária avançou para -0,22 em setembro, vindo de -0,26 em agosto. O destaque foi a moderação do índice do México, com os dados sugerindo uma dinâmica de preços mais benigna. O índice surpresa do Chile avançou um pouco mais em território negativo, enquanto que os índices oficiais de inflação no Brasil surpreenderam para baixo. Em contraste, o índice surpresa do Peru subiu fortemente, puxado pelo “efeito limonada”.

O índice de surpresa inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação publicados durante o mês com a expectativa dos analistas para estes mesmos indicadores. O índice de inflação é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. O índice de inflação, no entanto, possui menos indicadores que nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade para cada país, devido ao número limitado de índices de inflação que são consistentemente projetados por agentes do mercado. Como de costume, um resultado acima de zero significa que a inflação ultrapassou as estimativas. Uma leitura abaixo de zero significa que a inflação veio abaixo do esperado. O índice é uma média móvel de três meses, de forma a evitar excesso de volatilidade.
 

O índice surpresa do Brasil continuou em território negativo em setembro (-0,43), vindo de -0,45 em agosto. O IPCA subiu 0,19% em agosto, abaixo da expectativa mais otimista (mediana: 0,30%). Como resultado, a variação em relação ao ano anterior caiu para 2,46%, ante 2,71% no mês anterior. A principal contribuição de alta no mês veio dos combustíveis (0,32 p.p.), refletindo o aumento de impostos sobre a gasolina, etanol e diesel, vigente desde 20 de julho. Por outro lado, o grupo de alimentos apresentou variação negativa pelo quarto mês consecutivo, com uma contribuição de -0,27 p.p.. Além disso, o IPCA-15, medida quinzenal do índice de preços ao consumidor, subiu 0,11% em setembro, ligeiramente abaixo da mediana das expectativas do mercado (0,13%). Os índices privados de inflação vieram mistos, com os IGPs surpreendendo para cima e o IPC vindo aquém da mediana das projeções de analistas. De maneira geral, a inflação permanece em níveis confortavelmente baixos.

O índice surpresa do México moderou para 0,29 em setembro, vindo de 0,41 em agosto. Em suma, os dados de inflação mostram uma dinâmica de preços mais benigna, tanto o índice cheio quanto os componentes do núcleo. Na primeira quinzena de setembro, a inflação quinzenal ficou em 0,34%, abaixo das expectativas medianas do mercado (0,40%, conforme a Bloomberg). No mesmo período, a inflação anual caiu para 6,53% contra um ano atrás (vindo de 6,74%), enquanto o núcleo da inflação diminuiu de 4,98% para 4,90%. Olhando à frente, esperamos que a tendência de queda da inflação se acentue nos próximos meses, refletindo os efeitos defasados da apreciação do MXN observada este ano. Projetamos a inflação anual em 5,7% ao final de 2017.

O índice surpresa do Chile caiu para -0,62 em setembro, comparado a -0,48 em agosto. Os preços ao consumidor aumentaram 0,2% de julho a agosto, abaixo do consenso de mercado da Bloomberg (0,28%). O crescimento baixo, a inércia e a apreciação do CLP, somados às expectativas de inflação bem-ancoradas, devem conter pressões inflacionárias. Esperamos que a inflação continue baixa durante o restante do ano (encerrando o ano em 2,4%), e permaneça abaixo da meta em 2018 (2,8% no final do ano).

O índice surpresa da Colômbia avançou para -0,42 em setembro, vindo de -0,62 no mês anterior. A variação mensal de preços de 0,14% superou o consenso de mercado de 0,12%. Analisando os grupos que compõe o índice, a inflação de bens comercializáveis (excluindo alimentos e preços administrados) permanece baixa (-0,8% sobre o mês anterior, +0,25% um ano atrás) provavelmente favorecida por vendas e promoções no setor varejista, e pelo efeito defasado do fortalecimento do COP no 1S17. Por outro lado, a inflação de bens não comercializáveis continua persistente (+0,24% contra +0,22% 12 meses atrás). Esperamos que a inflação termine o ano em 4,2%.

O índice surpresa do Peru saltou para 0,35 em setembro, vindo de -0,80 em agosto, devido ao choque de oferta de alimentos. O IPC aumentou 0,67% em relação ao mês anterior, acima das expectativas medianas do mercado (0,41%, conforme a Bloomberg), influenciado por uma combinação de aumentos acentuados do preço do limão e das tarifas de fornecimento de água. O “efeito limonada” (maneira pela qual o presidente do BCRP se referiu ao aumento do preço do limão) respondeu por praticamente toda a inflação na base de comparação mensal observada em agosto. Assim, aumentamos nossa projeção de inflação para 2017 (para 2,6%, de 2,5%). Em nossa opinião, a reversão do choque de oferta agrícola causado pelo El Niño, juntamente com a fraqueza da demanda doméstica e os efeitos defasados da apreciação do PEN, são consistentes com desinflação à frente.

Nota metodológica
 

Nosso índice Itaú de Surpresa Inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice considera o mês em que cada indicador é divulgado. Por exemplo, a inflação de fevereiro divulgada em março será incorporada ao índice de surpresa de março.

O índice é formado por indicadores separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação veio acima das estimativas. Abaixo de zero significa que a inflação ficou abaixo das expectativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva.

Construímos o índice surpresa de inflação para cada país utilizando indicadores de inflação que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números dos índices de preços ao consumidor possuem de um peso maior do que indicadores de inflação regional ou índices de preços no atacado.

Utilizamos a diferença entre o número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece uma melhor métrica de quão importante foi a surpresa em cada mês.

O peso de cada país no índice de inflação agregado depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

É importante notar que, devido às revisões nos indicadores econômicos e defasagem de divulgações, os índices surpresa podem ser revisados.

 

Indicadores a partir dos quais o índice é construído:

Brasil: IPCA (30%), IPCA-15 (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%), IPC-FIPE (5%)

México: IPC (50%), IPC quinzenal (50%)

Chile: IPC (100%)

Colômbia: IPC (100%)

Peru: IPC (100%)


 

Luka Barbosa
Eduardo Marza



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