Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Inflação segue abaixo das expectativas

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Inflação segue abaixo das expectativas

Fevereiro 2, 2017

Seguindo a tendência recente, as pressões inflacionárias continuam recuando no Brasil, na Colômbia e no Chile.

Nosso Índice Itaú de Surpresa Inflacionária atingiu -0,37 em janeiro. Surpresas de inflação para baixo tem sido persistentes, e são condizentes com a estabilidade do índice em terreno negativo. Seguindo a tendência recente, as pressões inflacionárias continuam recuando no Brasil, na Colômbia e no Chile. Por fim, o índice do México se voltou para o lado negativo com surpresas de inflação moderadamente abaixo do esperado, embora o país apresente a pior perspectiva de inflação à frente quando comparado aos seus pares.

 O índice de surpresa compara as tendências dos indicadores de inflação publicados durante o mês com a expectativa dos analistas para estes mesmos indicadores. O índice é formado por subíndices para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação ultrapassou as estimativas. Uma leitura abaixo de zero significa que a inflação veio abaixo do esperado. O índice é apresentado em média móvel de três meses, de forma a evitar excesso de volatilidade.

O índice surpresa do Brasil ficou em -0,58 em janeiro, próximo dos -0,60 registrados em dezembro, mantendo a dinâmica de queda. A inflação continuou abaixo das expectativas do mercado, prolongando sua tendência de queda e mostrando uma desaceleração mais disseminada de seus componentes. O IPCA subiu 0,30% em dezembro, abaixo dos 0,34% esperados pelo mercado, fechando 2016 em 6,29% (dentro do limite superior da meta do banco central). A inflação medida pelo IPCA-15 em janeiro seguiu essa mesma tendência, desacelerando para 5,94%. A composição da inflação está se tornando mais favorável, com desaceleração dos preços mais sensíveis à atividade econômica (serviços e bens industriais), o que reflete uma queda mais estrutural da inflação. De maneira geral, esperamos que esta tendência se estenda ao longo de 2017, com a inflação fechando o ano em 4,7%.

O índice surpresa do Chile aumentou de -0,71 para -0,57, em dezembro, embora ainda bastante negativo. A inflação veio abaixo das expectativas pela terceira vez nos últimos quatro meses, caindo 0,2% em dezembro (consenso: +0,1%). Os bens comercializáveis vêm liderando o processo de desinflação nos últimos meses, e também levaram o índice de difusão para patamares mais baixos. A inflação anual atingiu 2,7%, ante 2,9% no mês anterior e 4,4% em 2015. Esperamos que a inflação permaneça na metade inferior do intervalo de 2%-4% da meta do banco central em 2017.

O índice surpresa da Colômbia ficou em -0,05 em janeiro, um aumento em relação aos -0,55 de dezembro. Os preços ao consumidor subiram 0,42% em dezembro, acima das expectativas do mercado (0,3%). Isto foi resultado de uma surpresa para cima nos preços de alimentos, porém a inflação destes vem diminuindo com o fim do fenômeno El Niño, e a inflação anual segue moderando. O processo desinflacionário deve continuar este ano, conforme os impactos dos choques de oferta (depreciação cambial e El Niño) vão desaparecendo.

O índice surpresa do México entrou em terreno negativo, caindo de 0,15 em novembro para -0,06 em janeiro, mas a queda foi resultado do efeito dos meses anteriores sobre a média móvel. A inflação quinzenal entre a segunda quinzena de dezembro e a primeira quinzena de janeiro superou significativamente as expectativas do mercado, subindo 1,51% (consenso: 1,25%). A alta veio em função principalmente do aumento dos preços da gasolina. Como resultado, a inflação atingiu 4,78%, acima do limite superior do intervalo da meta do banco central pela primeira vez desde dezembro de 2014, impactada pela segunda quinzena de dezembro. Os outros dois índices de inflação que compõem o índice agregado do México surpreenderam para baixo (embora não significativamente), mas olhando à frente, as perspectivas para a inflação se deterioraram substancialmente, dado o câmbio mais fraco, as expectativas de inflação em alta e diversos aumentos de impostos e outros preços na economia.

O índice surpresa do Peru caiu de 0,50 em dezembro para 0,42 em janeiro. O índice permanece em terreno positivo devido à forte surpresa inflacionária para cima observada em novembro. A inflação medida pelo IPC ficou em 0,33% (em linha com as expectativas), moderando em dezembro, apesar de as condições climáticas e a alta dos preços internacionais do petróleo terem impedido uma queda mais significativa. Nosso índice de difusão recuou de 68% em novembro para 64% em dezembro, sugerindo que a inflação está se tornando menos disseminada entre os preços de bens e serviços. A inflação desacelerou novamente em janeiro (a ser discutido no próximo relatório). Projetamos a inflação em 2,7% em 2017, com a inflação de alimentos moderando ao longo do ano.

Nota metodológica

Nosso índice Itaú de Surpresa Inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice considera o mês em que cada indicador é divulgado. Por exemplo, a inflação de fevereiro divulgada em março será incorporada ao índice de surpresa de março.

O índice é formado por indicadores separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação veio acima das estimativas. Abaixo de zero significa que a inflação ficou abaixo das expectativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva.

Construímos o índice surpresa de inflação para cada país utilizando indicadores de inflação que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números dos índices de preços ao consumidor possuem de um peso maior do que indicadores de inflação regional ou índices de preços no atacado.

Utilizamos a diferença entre o número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece uma melhor métrica de quão importante foi a surpresa em cada mês.

O peso de cada país no índice de inflação agregado depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

É importante notar que, devido às revisões nos indicadores econômicos e defasagem de divulgações, os índices surpresa podem ser revisados.

 

Indicadores a partir dos quais o índice é construído:

Brasil: IPCA (30%), IPCA-15 (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%), IPC-FIPE (5%)

México: IPC (50%), IPC quinzenal (50%)

Chile: IPC (100%)

Colômbia: IPC (100%)

Peru: IPC (100%)


 

Laura Pitta
Lourenço Paiva


 

 



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