Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Inflação melhor do que o esperado, especialmente no Brasil

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Inflação melhor do que o esperado, especialmente no Brasil

Novembro 3, 2016

As pressões inflacionárias estão mais baixas na maioria dos países da região (especialmente no Brasil)

Nosso Índice Itaú de Surpresa inflacionária registrou -0,28 em outubro, recuando frente a setembro (-0,14). As pressões inflacionárias estão mais baixas na maioria dos países da região (especialmente no Brasil), beneficiada por taxas de câmbio mais estáveis, atividade fraca e a dissipação dos choques de oferta (México é uma exceção).

O índice de surpresa compara as tendências dos indicadores de inflação (ao invés de indicadores de atividade) publicados durante o mês com a expectativa dos analistas para estes mesmos indicadores. O índice é formado por subíndices para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação ultrapassou as estimativas. Uma leitura abaixo de zero significa que a inflação veio abaixo do esperado. O índice é apresentado em média móvel de três meses, de forma a evitar excesso de volatilidade.

O índice de surpresa do Brasil ficou em -0,32 em outubro, ante -0,07 em setembro. Tanto o IPCA quanto o IPCA-15 contribuíram significativamente para este resultado. O IPCA de setembro registrou 0,08%, bem abaixo da estimativa de 0,18% do mercado. O IPCA-15 de outubro registrou 0,19%, também abaixo da estimativa de 0,21% do consenso. A taxa em 12 meses caiu para 8,3%, após ter atingido 8,8% em setembro. A principal surpresa para baixo em outubro veio dos preços industriais, que recuaram 0,05%. Todas as medidas de núcleo de inflação desaceleraram, assim como o índice de difusão. De maneira geral, esperamos mais desaceleração da inflação, uma tendência que deve continuar durante todo o próximo ano, em meio à estabilidade da taxa de câmbio e à atividade econômica persistentemente fraca.

O índice de surpresa do Chile ficou em -0,61, comparado a 0,13 em setembro. A inflação se aproximou da meta de 3% do banco central, após uma surpresa para baixo em setembro. Os preços ao consumidor subiram 0,2% de agosto a setembro, abaixo da projeção do consenso de mercado em 0,6%. As pressões inflacionárias do núcleo da inflação estão moderando em função de uma taxa de câmbio mais estável e da demanda interna fraca. A surpresa para baixo nos levou a reduzir nossa projeção de inflação para 3,3% (de 3,5%).

O índice de surpresa da Colômbia registrou -0,83 em outubro, ante -0,16 em setembro. A inflação dos preços ao consumidor está desacelerando mais rapidamente do que o esperado, uma vez que a inflação caiu 0,05% em setembro em relação ao mês anterior, abaixo do consenso de mercado em +0,1%. A queda mensal foi mais uma vez liderada pela queda dos preços de alimentos, refletindo a dissipação dos choques do lado da oferta causados ​​principalmente pelo fenômeno El Niño.

O índice de surpresa do México pontuou 0,01 em outubro, acima dos -0,34 registrados em setembro, caminhando em direção oposta ao índice agregado. De maneira geral, os indicadores de inflação surpreenderam para cima. O IPC registrou um aumento de 0,61% em setembro sobre o mês anterior, acima das expectativas do mercado (0,56%), impulsionado pelo aumento dos preços agrícolas e por bens que compõem o núcleo (sensíveis à depreciação cambial), e também pelo aumento sazonal dos custos de ensino. Além disso, uma das duas leituras do IPC quinzenal divulgadas no mês também surpreendeu para cima, enquanto a outra veio praticamente em linha com as expectativas. Continuamos esperando que a inflação se estabilize em torno da meta de 3% do banco central no final de 2016, mas nossa projeção agora tem um viés para cima.

O índice de surpresa do Peru registrou -0,10, acima dos -0,22 no mês anterior, também indo contrário à tendência geral. O IPC de setembro ficou em 0,21% em relação ao mês anterior, acima das expectativas do mercado (0,15%). A inflação medida pelo IPC ultrapassou temporariamente do intervalo da meta do banco central (1%-3%), devido a um efeito base estatístico que esperamos que se reverta no quarto trimestre. A alta dos preços de alimentos e a taxa de câmbio explicaram a maior parte da pressão de alta. O núcleo da inflação (que exclui os preços de alimentos e energia) registrou uma variação de 0,11% sobre o mês anterior, mantendo o resultado na comparação anual em 3,01% (ligeiramente acima dos 2,96% de agosto). Nossas projeções de inflação para o final do ano permanecem inalteradas: 2,8% para 2016 e 2,5% para 2017.

Nota metodológica

Nosso índice Itaú de Surpresa Inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice considera o mês em que cada indicador é divulgado. Por exemplo, a inflação de fevereiro divulgada em março será incorporada ao índice de surpresa de março.

O índice é formado por indicadores separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação veio acima das estimativas. Abaixo de zero significa que a inflação ficou abaixo das expectativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva.

Construímos o índice surpresa de inflação para cada país utilizando indicadores de inflação que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números dos índices de preços ao consumidor possuem de um peso maior do que indicadores de inflação regional ou índices de preços no atacado.

Utilizamos a diferença entre o número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece uma melhor métrica de quão importante foi a surpresa em cada mês.

O peso de cada país no índice de inflação agregado depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

É importante notar que, devido às revisões nos indicadores econômicos e defasagem de divulgações, os índices surpresa podem ser revisados.

 

Indicadores a partir dos quais o índice é construído:

Brasil: IPCA (30%), IPCA-15 (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%), IPC-FIPE (5%)

México: IPC (50%), IPC quinzenal (50%)

Chile: IPC (100%)

Colômbia: IPC (100%)

Peru: IPC (100%)


 

Laura Pitta
Lourenço Paiva


 



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