Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Inflação em grande parte abaixo das expectativas

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Inflação em grande parte abaixo das expectativas

Abril 4, 2017

Fora o México, os dados de inflação reforçaram o contexto desinflacionário em curso.

Nosso Índice Itaú de Surpresa Inflacionária atingiu -0,16 em março, ante -0,22 em fevereiro. Esta pequena aceleração deve-se em parte ao México, onde todos os índices de inflação divulgados vieram acima das expectativas. No entanto, os dados de inflação dos demais países sul-americanos reforçaram o contexto desinflacionário em curso, uma vez que os indicadores de atividade na região apontam para uma recuperação lenta e instável.

O índice de surpresa compara as tendências dos indicadores de inflação publicados durante o mês com a expectativa dos analistas para estes mesmos indicadores. O índice é formado por subíndices para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação ultrapassou as estimativas. Uma leitura abaixo de zero significa que a inflação veio abaixo do esperado. O índice é apresentado em média móvel de três meses, de forma a evitar excesso de volatilidade.

O índice surpresa do Brasil ficou em -0,44 em março, relativamente estável em relação aos -0,46 de fevereiro. O cenário de desinflação mais generalizada continua: a inflação de preços ao consumidor (IPCA) em fevereiro ficou 0,10 p.p. abaixo das expectativas do mercado (com alta de 0,33%). Em março, a prévia da inflação medida pelo IPCA-15 foi de 0,15%, em linha com as expectativas. De acordo com o IBGE, esta foi a menor variação para o mês de março desde 2009. A taxa acumulada em 12 meses, portanto, caiu para 4,73%, após atingir 5,02% em fevereiro. A composição da inflação também permanece benigna, com vários componentes recuando, incluindo os preços de serviços.

O índice surpresa do México saltou para 0,36 em março, de 0,02 em fevereiro. Os três índices surpreenderam para cima, com a inflação ainda pressionada pelos efeitos defasados da depreciação cambial. O IPC registrou uma variação de 0,58% em fevereiro sobre o mês anterior - acima das expectativas do mercado, em 0,54% - explicado em grande parte pelos preços dos bens comercializáveis. A inflação também foi alta na primeira metade de março, subindo 0,35% na quinzena  - acima das expectativas do mercado, em 0,33%. Olhando à frente, esperamos que a inflação chegue ao pico no 3T17 (5,4%) depois caindo para 5% no final de 2017, produto de uma demanda interna mais fraca e pela estabilização do peso.

O índice surpresa do Chile caiu para -0,14 em março, de 0,08 em fevereiro. No mesmo mês, a inflação dos preços ao consumidor veio em linha com as expectativas de modo geral (0,24%), permanecendo abaixo da meta de 3%. A inflação em doze meses teve leve queda para 2,7%, ante 2,8% no mês anterior. De maneira geral, esperamos pressões inflacionárias mais contidas à frente, uma vez que o nosso índice de difusão continua apontando aproximadamente o mesmo número de bens com inflação acima e abaixo da meta de 3%.

O índice surpresa da Colômbia desacelerou para 0,16 em março, de 0,43 em fevereiro. A inflação dos preços ao consumidor continuou desacelerando em fevereiro, apesar dos aumentos de impostos, uma vez que os preços de alimentos moderaram. A inflação teve alta de 1,01% em relação a janeiro, abaixo dos 1,28% de um ano atrás, e abaixo das expectativas do mercado (1,15%). A inflação em doze meses continua caindo em direção à meta de 2%-4% do banco central. Olhando à frente, esperamos que o processo desinflacionário avance em meio a um câmbio mais apreciado e demanda fraca. Ainda assim, antecipamos uma inflação de 4,3% este ano, acima do limite superior da meta.

O índice surpresa do Peru subiu para -0,10, de -0,12 em janeiro, apesar da inflação ter vindo abaixo das expectativas no mês. O IPC registrou um aumento de 0,24% em janeiro sobre o mês anterior, abaixo das expectativas do mercado (0,30%). A apreciação do sol vem contendo a inflação de diversos itens sensíveis à taxa de câmbio. Olhando à frente, projetamos a inflação em queda, com pouca pressão do lado da demanda e uma taxa de câmbio relativamente estável, embora os preços de alimentos, relevantes devido ao seu grande peso no índice (38%), continuem ameaçados pelas condições climáticas.

Nota metodológica

Nosso índice Itaú de Surpresa Inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice considera o mês em que cada indicador é divulgado. Por exemplo, a inflação de fevereiro divulgada em março será incorporada ao índice de surpresa de março.

O índice é formado por indicadores separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação veio acima das estimativas. Abaixo de zero significa que a inflação ficou abaixo das expectativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva.

Construímos o índice surpresa de inflação para cada país utilizando indicadores de inflação que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números dos índices de preços ao consumidor possuem de um peso maior do que indicadores de inflação regional ou índices de preços no atacado.

Utilizamos a diferença entre o número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece uma melhor métrica de quão importante foi a surpresa em cada mês.

O peso de cada país no índice de inflação agregado depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

É importante notar que, devido às revisões nos indicadores econômicos e defasagem de divulgações, os índices surpresa podem ser revisados.

 

Indicadores a partir dos quais o índice é construído:

Brasil: IPCA (30%), IPCA-15 (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%), IPC-FIPE (5%)

México: IPC (50%), IPC quinzenal (50%)

Chile: IPC (100%)

Colômbia: IPC (100%)

Peru: IPC (100%)


 

Laura Pitta
Lourenço Paiva


 



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