Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Desinflação ampla no Brasil, surpresas para cima no México

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa Inflacionária - Desinflação ampla no Brasil, surpresas para cima no México

Junho 2, 2017

No Brasil, os índices gerais de preços (IGPs) registraram deflação mensal mais profunda do que esperado.

O Índice Itaú de Surpresa Inflacionária caiu para -0,12 em maio, de -0.09 em abril. A maioria das surpresas para baixo se deu no índice do Brasil, com os índices gerais de preços (IGPs) registrando deflação mensal mais profunda do que o esperado pelo mercado. A inflação no Peru também ficou abaixo do esperado, em meio a uma reversão do choque de oferta agrícola desencadeado pelo El-Niño. Por outro lado, os três índices de inflação do México mais uma vez superaram as respectivas expectativas.

O índice de surpresa compara as tendências dos indicadores de inflação publicados durante o mês com a expectativa dos analistas para estes mesmos indicadores. O índice é formado por subíndices para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação ultrapassou as estimativas. Uma leitura abaixo de zero significa que a inflação veio abaixo do esperado. O índice é apresentado em média móvel de três meses, de forma a evitar excesso de volatilidade.

O índice de surpresa do Brasil caiu ainda mais em maio (para -0,56, de -0,46 em abril). O IGP-M de maio teve deflação mensal mais profunda (-0,93%) do que o esperado pelo mercado (-0,84%). A variação em 12 meses caiu para 1,57% - a menor desde março de 2010. Da mesma forma, o IGP-DI teve variação de -1,24% sobre o mês anterior, abaixo da projeção do mercado de -1,04%. Em contrapartida, o IPCA-15 para o mês de maio ficou um pouco acima das expectativas (0,24% em relação ao mês anterior, ante 0,20%), mas a composição é consistente com uma desinflação disseminada entre os componentes do índice. Enquanto a atividade econômica não mostra sinais consistentes de recuperação, os principais riscos para a inflação continuam atrelados ao cenário político, especialmente as questões que possam interferir no processo de aprovação da reforma da previdência no Congresso.

O índice de surpresa do México subiu para 0,84 em maio, de 0,56 em abril. Os três índices novamente surpreenderam para cima, com sinais de que a inflação está se tornando mais disseminada. O IPC subiu 0,12% em relação ao mês anterior, acima das expectativas do mercado (0,06%). Esperamos que a inflação anual caia para 5,4% no final do ano, devido aos efeitos defasados da apreciação do Peso e, em menor grau, à atividade mais fraca.

O índice surpresa do Chile caiu para território negativo em maio (-0,27), ante +0,15 em abril, devido ao efeito da média móvel. Os preços subiram 0,2% em março em relação ao mês anterior, em linha com o consenso. A inflação anual ficou em 2,7% (mercado: 2,7%), permanecendo abaixo da meta de 3% pelo sétimo mês consecutivo. Esperamos que a inflação permaneça baixa durante o restante do ano, terminando o ano em 2,8%.

O índice surpresa da Colômbia caiu para -0,18 em maio, de -0,14 em abril. A inflação mensal em abril (0,47%) surpreendeu a projeção do mercado (0,38%). As contribuições de alta vieram do grupo habitação e de transportes, ambos afetados pelo aumento não antecipado de alguns preços administrados (eletricidade, água e tarifas de ônibus). A inflação de administrados acelerou em abril para 6,75% em relação ao ano anterior, vindo de 4,05% no mês anterior. Esperamos que a inflação desacelere para 4,1% no final do ano, uma vez que a pressão de demanda diminuirá à frente, dado o enfraquecimento do mercado de trabalho, a confiança em patamares baixos e taxas de juros reais ainda elevadas.

O índice surpresa do Peru recuou para 0,34 em maio, depois de atingir 0,71 em abril, em meio a uma reversão dos choques do lado da oferta. O IPC teve variação negativa em abril (-0,26% sobre o mês anterior), enquanto os mercados esperavam estabilidade (0,02%). A queda nos preços dos alimentos, devido à reversão parcial do fenômeno “El Niño costeiro”, foi responsável pela totalidade da deflação mensal. De fato, a inflação de maio (a ser abordada no próximo relatório) também foi negativa, sugerindo que o choque de oferta agrícola foi quase completamente revertido. Projetamos a inflação deste ano em 2,6%.

Nota metodológica

Nosso índice Itaú de Surpresa Inflacionária compara as tendências dos indicadores de inflação com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice considera o mês em que cada indicador é divulgado. Por exemplo, a inflação de fevereiro divulgada em março será incorporada ao índice de surpresa de março.

O índice é formado por indicadores separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa que a inflação veio acima das estimativas. Abaixo de zero significa que a inflação ficou abaixo das expectativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva.

Construímos o índice surpresa de inflação para cada país utilizando indicadores de inflação que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números dos índices de preços ao consumidor possuem de um peso maior do que indicadores de inflação regional ou índices de preços no atacado.

Utilizamos a diferença entre o número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece uma melhor métrica de quão importante foi a surpresa em cada mês.

O peso de cada país no índice de inflação agregado depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

É importante notar que, devido às revisões nos indicadores econômicos e defasagem de divulgações, os índices surpresa podem ser revisados.

 

Indicadores a partir dos quais o índice é construído:

Brasil: IPCA (30%), IPCA-15 (30%), IGP-10 (10%), IGP-M (10%), IGP-DI (10%), IPC-S (5%), IPC-FIPE (5%)

México: IPC (50%), IPC quinzenal (50%)

Chile: IPC (100%)

Colômbia: IPC (100%)

Peru: IPC (100%)


 

Lourenço Paiva
Eduardo Marza


 



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