Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas seguem balanceadas em fevereiro

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas seguem balanceadas em fevereiro

Março 6, 2018

O índice surpresa do Brasil apresentou poucas mudanças e segue no terreno positivo

Nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade segue próximo da neutralidade em fevereiro (-0,02), ante -0,03 em janeiro. O índice surpresa do Brasil apresentou poucas mudanças e segue no terreno positivo, que apesar de surpresa negativa vinda das vendas no varejo, esta foi parcialmente compensada por melhora na produção industrial. Também no terreno positivo, o componente chileno avançou, com surpresas positivas na manufatura e varejo. O subíndice da Colômbia se manteve praticamente estável no mês, com resultados mistos entre os indicadores de varejo, indústria e mercado de trabalho.

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses, de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil apresentou um leve melhora para 0,06 em fevereiro (0,04 no mês anterior). A principal surpresa positiva veio da produção industrial, que subiu 2,8% em dezembro ante novembro, acima da mediana das expectativas (2,0%). No entanto, o resultado acima do esperado no mês deve ser lido com cautela. A recessão recente mudou a composição da indústria, reduzindo a importância de setores cíclicos (que sazonalmente tendem a contrair mais em dezembro). Dessa forma, o filtro estatístico que corrige a série por fatores sazonais provavelmente ajustou o nível de produção (para cima) mais do que seria consistente com a nova composição da indústria. Na mesma linha, de acordo com o Ministério do Trabalho, houve criação de 77,8 mil empregos formais em janeiro, acima da mediana das expectativas (58 mil). Dados livres de sazonalidade apontam para a criação de 46 mil empregos no mês, o que leva a média móvel de 3 meses a oscilar de 48 mil para 46 mil empregos. O ritmo dos últimos 3 meses já está acima da geração líquida necessária para estabilizar o emprego sem aumento da informalidade (aproximadamente 40 mil/mês). Por outro lado, houve surpresas negativas nas vendas no varejo e taxa de desemprego. As vendas no varejo restrito recuaram 1,5% em dezembro, em termos dessazonalizados. O resultado foi abaixo da mediana das expectativas (-0,4%). As vendas no conceito ampliado (que inclui veículos e materiais de construção) recuaram 0,8% no mês, ligeiramente acima da mediana das expectativas (-0,9%). O desempenho fraco em dezembro foi disseminado, mas setores mais influenciados pelas promoções (móveis e eletrodomésticos e artigos de uso pessoal) foram particularmente importantes, ressaltando a relevância da Black Friday para explicar o resultado. Do lado do mercado de trabalho, a taxa de desemprego nacional subiu para 12,2% no trimestre concluído em janeiro, ante 11,8% no trimestre concluído em dezembro. A alta ocorre principalmente pela sazonalidade do mercado de trabalho, com as demissões do final do ano. 

O índice surpresa do México se manteve em -0,20 no mês de fevereiro, apesar dos números mais fracos na margem. A formação bruta de capital fixo, que atualmente é o componente mais fraco da demanda interna, continuou se deteriorando em novembro, influenciado pelo processo de consolidação fiscal e incertezas associadas às renegociações do NAFTA e eleições presidenciais. O indicador recuou 4,5% em novembro, surpreendendo negativamente as expectativas de mercado (mediana: -2,9%). De acordo com dados ajustados para efeito calendário publicados pelo instituto de estatística (INEGI), a queda foi de 4,2% sobre o ano anterior. 

Além disso, as vendas no varejo contraíram 2% em dezembro, abaixo da mediana das expectativas de mercado (-0,4%). Na mesma direção, o índice IGAE (proxy do PIB) surpreendeu negativamente as expectativas do mercado, expandindo 1,1% sobre um ano atrás (mercado: 1,2%).Em linhas gerais, as incertezas relacionadas à eleição presidencial e à renegociação do Nafta estão  paralisando as decisões de investimento, mas esperamos que a economia cresça no mesmo ritmo observado em 2017 (2,1%), sustentada pela aceleração da economia dos EUA e pela queda da inflação.

O índice surpresa do Chile avançou para 0,26 em fevereiro, ante 0,10 no mês anterior. O Imacec (proxy mensal para o PIB) iniciou 2018 acima das expectativas, com crescimento de 3,9% (mediana: 3,4%), a taxa mais alta em dois anos. O componente de atividade relacionada à mineração subiu 8,6%, enquanto o componente não relacionado à mineração surpreendeu o mercado ao apresentar crescimento de 3,5% (vs 2,5% no mês anterior). O desempenho deste último foi influenciado pelos indicadores de serviços, comércio e produção industrial. Em suma, as perspectivas de crescimento global mais forte, os preços altos do cobre, a recuperação da confiança e a política monetária expansionista impulsionarão a atividade este ano.

O índice surpresa da Colômbia se manteve praticamente estável no mês (-0,03). Os dados de atividade se deterioraram no final de 2017: tanto a produção industrial quanto as vendas no varejo recuaram em doze meses, e estão em linha com os dados mais fracos do último trimestre do ano. A produção industrial em dezembro recuou 0,8%, um resultado melhor que a mediana das expectativas (-2,3%). Apesar do resultado, o setor industrial ainda apresenta sinais de fraqueza. Já as vendas no varejo recuaram 3,8% em dezembro, abaixo das expectativas (-1,6%). Os principais componentes que explicam o resultado mais fraco no mês são as vendas de veículos e combustíveis. Por fim, a taxa de desemprego atingiu 11,8% em janeiro, 0,3 p.p. acima das expectativas. De modo geral, os dados mais fracos de emprego implicam que nosso cenário de recuperação do crescimento não está livre de riscos. Vemos uma aceleração de atividade para 2,5% este ano, em meio a salários reais mais elevados (à medida que a inflação cai), taxas de juros baixas e um ambiente externo favorável.

O índice surpresa do Peru recuou para -0,37 em fevereiro, ante -0,06 em janeiro. A proxy do PIB expandiu 1,3% em dezembro sobre o ano anterior, abaixo das expectativas medianas do mercado (2,0%, segundo a Bloomberg). O índice foi puxado para baixo pelo atraso da temporada de pesca (cujo início foi adiado de novembro para janeiro de 2018), e, em menor medida, pelas incertezas relacionadas à votação do processo de impeachment do presidente (que afetou os investimentos públicos nas duas últimas semanas do ano).

Nossos Índices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:
 

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos índices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


Eduardo Marza
André Matcin



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