Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas positivas, mas recuperação lenta

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas positivas, mas recuperação lenta

Fevereiro 2, 2017

A realidade sugere que a atividade na região está aquecendo, mas que a recuperação será mais lenta do que o esperado.

Nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade melhorou no primeiro mês do ano, subindo de 0,09 em dezembro para 0,14 em janeiro. O único país a ter um desempenho visivelmente superior foi o México, mas sua perspectiva de crescimento permanece desfavorável. Embora o Brasil tenha tido alguma melhora, as surpresas positivas foram relativamente concentradas e em função de fatores pontuais, e os dados apontam para um 4T16 fraco - assim como na Colômbia e no Chile. A realidade sugere que a atividade na região está se recuperando, mas de forma mais lenta do que o esperado.

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil ficou em 0,15 em janeiro, melhorando em relação aos 0,06 de dezembro. A surpresa positiva das vendas no varejo (devido a fatores pontuais) e a destruição menor do que a esperada de empregos formais foram motivos de melhora. As vendas no varejo caíram 3,5% em novembro sobre o ano anterior, acima da queda de 5,3% esperada pelo mercado. A surpresa positiva, no entanto, foi impulsionada por uma antecipação das compras de fim de ano (Black Friday), que ainda não foi totalmente capturada pelo ajuste sazonal. Os indicadores preliminares de vendas em dezembro indicam uma queda que poderá compensar esta melhora, padrão observado nos últimos dois anos. No setor industrial, a produção enfraqueceu em novembro (queda de 1,1% em relação ao ano anterior, contra a estimativa de mercado de +0,1%). Este resultado piorou a herança estatística para o PIB de 2017, o que nos levou a reduzir nossa projeção do PIB em 2017 de 1,5% para 1,0%. No entanto, os indicadores da indústria estão reagindo positivamente na margem, com um aumento de 2,3% (variação mensal, com ajuste sazonal) na produção industrial em dezembro, a ser discutido no próximo relatório, e um aumento de 5,1% na confiança dos empresários da indústria em janeiro. Portanto, uma recuperação da produção industrial à frente ainda é o nosso cenário base.

O índice surpresa do México melhorou de 0,20 em dezembro para 0,40 em janeiro, sustentando resultados robustos. Surpresas positivas foram disseminadas nos diversos setores da economia. A produção industrial cresceu 1,3% em novembro sobre um ano atrás - acima das expectativas do mercado (0,5%). As vendas no varejo e a confiança dos consumidores cresceram acima das expectativas. A atividade no 4T16 teve bom desempenho, ao contrário dos pares latino-americanos. No entanto, as perspectivas para 2017 se deterioraram, considerando que a inflação mais alta, as políticas macroeconômicas mais contracionistas e as incertezas em torno das relações comerciais com os EUA que devem pesar sobre a demanda agregada. Projetamos um crescimento de 1,6% em 2017 (comparado ao crescimento projetado de 2,1% em 2016).

O índice surpresa do Chile piorou (-0.58) em relação aos -0.13 de dezembro, dada a frequente decepção da atividade. O Imacec (índice de atividade mensal) de novembro - publicado em janeiro - ficou bem abaixo das expectativas, subindo 0,8% na comparação anual enquanto o mercado esperava um aumento de 1,5%, sendo o principal fator pesando negativamente sobre o índice. Os dados da atividade foram mais uma vez mistos em dezembro, com surpresas para baixo no consumo e surpresas positivas no setor manufatureiro. Especificamente, as vendas no varejo aumentaram 4,1% em relação ao ano anterior, abaixo da estimativa de 5,8% do mercado, e a manufatura contraiu 0,3%, acima das expectativas do consenso (-1,2%). De maneira geral, a atividade tem sido fraca e decepcionante, mas esperamos uma recuperação do PIB de 2,0% este ano (comparado a 1,5% projetado para 2016), na medida em que os preços do cobre melhoram, a inflação diminui e as taxas de juros caem.

O índice surpresa da Colômbia caiu para -0,03, abaixo dos 0,11 de dezembro. A evolução mensal da atividade (e das surpresas) tem sido volátil, e por isso o resultado do mês foi relativamente neutro. A atividade manufatureira cresceu 1,7% sobre um ano atrás, abaixo das expectativas em 2,2%. As vendas no varejo aumentaram 4,9% na mesma comparação, muito acima dos 0,5% que o mercado esperava. O consumo foi impulsionado pelos bens duráveis (principalmente vendas de automóveis), surpreendendo dado o mercado de trabalho mais fraco e taxas de juros reais elevadas. Apesar da alta volatilidade mensal, a tendência da atividade permanece desfavorável. Projetamos uma expansão do PIB de 1,8% em 2016, comparado a 3,1% em 2015 após a deterioração dos termos de troca se consolida. Em 2017, esperamos que o crescimento acelere para 2,3%.

O índice surpresa do Peru deteriorou de -0,08 em dezembro para -0,45 em janeiro. O índice mensal de atividade cresceu 3,2% sobre o ano anterior em novembro - abaixo das expectativas do mercado (3,5%). O crescimento do PIB foi desequilibrado em novembro, com bom desempenho da atividade relacionada a recursos naturais (como tem sido a tendência) e fraqueza dos setores de recursos não-naturais (refletindo a demanda doméstica fraca). O crescimento ameno dos setores de recursos não-naturais também se reflete em condições piores do mercado de trabalho - o desemprego subiu para 6,2% em dezembro, acima dos 5,7% esperados pelo mercado. Olhando à frente, no entanto, esperamos que a taxa de desemprego do Peru caia em 2017, conforme o crescimento se torna mais equilibrado. Estimamos que o crescimento do PIB tenha alcançado 3,9% em 2016 (nossa projeção anterior estava em 3,8%). Para 2017, esperamos um crescimento do PIB de 3,8%.

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 

Luka Barbosa
Lourenço Paiva

 



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