Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas negativas em abril

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas negativas em abril

Maio 4, 2018

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade recuou para -0,24 em abril (ante 0,08 em março)

Nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade recuou para -0,24 em abril (ante 0,08 em março). O componente referente ao Brasil recuou para -0,35 devido aos resultados abaixo das expectativas, tanto para as vendas no varejo quanto da produção industrial, e uma taxa de desemprego acima do esperado. O componente chileno recuou em abril devido a uma recuperação ainda gradativa da atividade não-mineira, e vendas no varejo abaixo das expectativas. O componente da Colômbia também recuou, com os indicadores de atividade abaixo do esperado, apesar de uma base de comparação baixa. O índice do México melhorou na margem, apesar das incertezas relacionadas ao NAFTA e as eleições. Por fim, o índice do Peru aumentou em abril, embora ainda permaneça em território negativo.

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil recuou para -0,35 em abril (0,18 no mês anterior), influenciado por um crescimento mais fraco no início de 2018. As surpresas negativas foram predominantes na margem, especialmente a produção industrial, as vendas no varejo e os dados do mercado de trabalho. A produção industrial registrou um crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior, abaixo das expectativas do mercado (3,9%). As vendas no varejo restrito também decepcionaram, crescendo 1,3%, consideravelmente abaixo do consenso de mercado (3,5%). Além disso, a taxa de desemprego aumentou para 13,1% em março (acima das expectativas, 12,9%), ante 12,6% no trimestre encerrado em fevereiro, impulsionada principalmente pela sazonalidade do mercado de trabalho. Os diversos indicadores do mercado de trabalho (PNAD, CAGED, DIEESE/SEADE) mostram uma desaceleração do emprego e dos salários reais, afetando as perspectivas para o consumo das famílias neste ano e reforçando o viés de baixa para o crescimento do PIB em 2018.

O índice surpresa do México avançou para -0,11 em abril, ante -0,15 em março. A proxy mensal do PIB ganhou força nos primeiros meses de 2018, influenciada por uma produção industrial mais sólida e na robustez do setor de serviços. A proxy do PIB (IGAE) expandiu 2,4% em fevereiro, acima da mediana das expectativas de mercado (2%, segundo a Bloomberg). A formação bruta de capital fixo aumentou 4,1% em janeiro em termos anuais, ligeiramente acima das expectativas (3,5%). Na mesma linha, após uma forte desaceleração em 2017 e um início de ano fraco, as vendas no varejo melhoraram em fevereiro com expansão de 1,2% em relação ao ano anterior, também acima das expectativas (0,4%, segundo a Bloomberg). De modo geral, nossa projeção de crescimento de 1,8% para o PIB de 2018 (ante 2% em 2017), agora tem um viés de alta, mas aguardaremos os dados finais do PIB do 1T18 antes de fazer uma revisão. Embora as incertezas sobre o NAFTA estejam diminuindo, as eleições presidenciais ainda podem ser um entrave ao investimento, e as políticas macroeconômicas contracionistas (tanto fiscal quanto monetária) continuarão limitando o crescimento da demanda doméstica. Contudo, também observamos que o cenário favorável à atividade em 2018 parece estar resultando em um efeito mais significativo do que esperávamos. Destacam-se neste cenário: a aceleração da economia norte-americana, impulsionando as exportações mexicanas de manufaturados; a queda da inflação (que sustenta os salários reais, e pode estar por trás da dinâmica mais favorável do setor de serviços), e os cortes orçamentários menores (em relação a 2017), implicando um entrave fiscal menor.

O índice surpresa do Chile recuou para -0,30 em abril, ante 0,21 no mês anterior. Apesar de surpreender negativamente o mercado, a atividade de fevereiro segue consistente com uma recuperação sólida neste ano. A mineração é o principal motor do crescimento (diante de uma base de comparação baixa), mas a atividade não-mineira continua em recuperação gradual. A proxy mensal do PIB, Imacec, cresceu 4,0% (3,5% em janeiro), abaixo dos 4,5% esperados pelo mercado. As vendas no varejo (incluindo vendas de automóveis) cresceram 4,0%, também abaixo do consenso de mercado de 5,1%. Por fim, a taxa de desemprego ficou em 6,7%, 0,3 ponto percentual acima do registrado um ano atrás, e acima das expectativas de mercado de 6,6%. Apesar dos resultados mais fracos do que o esperado, projetamos um crescimento do PIB de 3,6% este ano, mais do que dobro dos 1,5% registrados no ano passado. A inflação baixa, combinada com uma política monetária expansionista e um mercado de trabalho em recuperação ajudarão a impulsionar o consumo.

O índice surpresa da Colômbia recuou para 0,08 em abril, de 0,17 no mês anterior. As vendas no varejo cresceram 5,0% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano anterior, abaixo do consenso de mercado de 5,7%. A produção industrial cresceu 1,5% na mesma comparação, em linha com o consenso de mercado (1,6%). O mercado de trabalho apresentou sinais distintos no início do ano: a taxa de desemprego nacional recuou para 9,4% em março (ante 9,7% há um ano), com a taxa de desemprego urbano permanecendo estável (10,6%), abaixo das expectativas do mercado. Desta forma, a taxa de desemprego no 1T18 foi de 10,7%, praticamente estável em relação ao ano anterior (10,6%), enquanto que a taxa de participação continua recuando e a geração de empregos permanece fraca. Apesar destes resultados distintos no mês, continuamos esperando uma recuperação da atividade este ano. A inflação e as taxas de juros baixas, o crescimento global sólido e os preços elevados do petróleo, apoiariam uma aceleração do crescimento para 2,5% (de 1,8% em 2017).

O índice surpresa do Peru se recuperou, avançando para -0,12 em abril, ante -0,30 em março. A atividade ganhou algum impulso nos primeiros meses de 2018, impulsionada pelo setor de recursos não-naturais mais forte. A proxy do PIB aumentou 2,9% em fevereiro em termos anuais - ligeiramente abaixo da mediana das expectativas do mercado (3%, segundo a Bloomberg) - elevando a média móvel de três meses da taxa de crescimento para 2,3% sobre o ano anterior (de 2% em janeiro). Em nossa visão, a surpresa foi explicada pela queda do setor de recursos naturais (que recuou 0,9% em fevereiro em relação ao ano anterior), afetados pela forte queda na produção de hidrocarbonetos (-24,6% em relação ao ano anterior) – dado o rompimento temporário de um gasoduto importante de gás natural - e uma contração inesperada da manufatura primária. Esperamos que o crescimento do PIB acelere para 4% em 2018 (de 2,5% em 2017), impulsionado pelo aumento dos preços dos metais e de políticas macroeconômicas expansivas (principalmente fiscal, mas também monetária). Um risco importante para as nossas projeções, no entanto, é a possibilidade de uma nova escalada nas disputas comerciais entre EUA e China (os dois principais parceiros comerciais do Peru). Uma guerra comercial poderia levar a uma queda dos preços dos metais e, consequentemente, um choque negativo de termos de troca para o Peru. Domesticamente, no que diz respeito aos riscos, destacamos os problemas microeconômicos no setor da construção (ou seja, a investigação do “Clube da Construção”) e os dados do mercado de trabalho, que permanecem fracos (com ligeiro crescimento do emprego e dos salários reais). No entanto, a aceleração do setor de recursos não-naturais (mais intensivo em mão-de-obra que o setor de recursos naturais) provavelmente terá impacto positivo no mercado de trabalho à frente.

Nossos Índices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:
 

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos índices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego.



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