Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas estáveis e recuperação lenta

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas estáveis e recuperação lenta

Março 3, 2017

Nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade recuou de 0,14 em janeiro para 0,03 em fevereiro.

Nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade recuou de 0,14 em janeiro para 0,03 em fevereiro. Os índices de México e Colômbia são os únicos em terreno positivo, enquanto o índice do Peru apresentou queda significativa. No Brasil, as surpresas foram negativas na maioria dos indicadores acompanhados, apontando para um 4T16 fraco. A realidade sugere que a atividade na região está se recuperando, mas de forma mais lenta do que o esperado.

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil alcançou -0,03 em fevereiro, um recuo em relação aos 0,11 de janeiro. A surpresa negativa das vendas no varejo, o resultado mais fraco que o esperado para a produção industrial, e a taxa de desemprego foram os principais fatores para a queda. As vendas no varejo caíram 4,9% em dezembro sobre o ano anterior (expectativa: -4,6%). Avaliamos que parte do resultado representa uma devolução da antecipação das compras de final de ano (devido ao Black Friday) ocorrida em novembro.No setor industrial, a produção de dezembro apresentou leve declínio na margem (0,1% em relação ao ano anterior), abaixo das expectativas do mercado (+0,6%). Para os próximos meses, esperamos que o ajuste cíclico nos estoques continue, uma vez que a demanda segue acima da produção. Juntamente com a continuidade da flexibilização da política monetária, esse quadro indica um cenário de crescimento na indústria à frente. Por fim, a taxa de desemprego apresentou nova alta em janeiro (12,6%), segundo dados da PNAD Contínua, acima das expectativas (12,5%).

O índice surpresa do México recuou de 0,42 em janeiro para 0,27 em fevereiro, mas mantém as surpresas positivas dos últimos meses. A surpresa negativa que puxou o índice para baixo em fevereiro se deve a um resultado muito abaixo do esperado vindo do índice de confiança do consumidor. As expectativas eram de um resultado de 83,5 para o mês, enquanto o realizado foi de 68,5. As principais razões para a deterioração na confiança são o aumento recente nos preços de gasolina ("gasolinazo") e a incerteza em relação às relações bilaterais com os EUA.

O índice surpresa do Chile melhorou (-0,34) em relação aos -0,52 de janeiro, apesar da contínua decepção com atividade econômica. O Imacec (índice de atividade mensal) de dezembro - publicado em fevereiro - ficou acima das expectativas, subindo 1,2% na comparação anual enquanto o mercado esperava um aumento de 1,0%, sendo o principal fator de melhora sobre o índice.

O índice surpresa da Colômbia subiu para 0,15, acima dos 0,11 de janeiro. Varejo e produção industrial surpreenderam positivamente, enquanto o dado de desemprego veio acima do esperado. As vendas no varejo aumentaram 6,2% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, acima dos 4,0% que o mercado esperava. A produção industrial aumentou 2,2% na mesma comparação (mercado: 1,2%). A surpresa negativa ficou por conta da taxa de desemprego (13,4%) que veio acima do esperado (12%).

O índice surpresa do Peru apresentou forte deterioração em fevereiro, recuando para -0,51 (ante -0,36 no mês anterior). O índice mensal de atividade econômica cresceu a taxa similar à esperada pelo mercado, mas a taxa de desemprego (7,2%) surpreendeu negativamente (projeção: 6,7%).

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 

Luka Barbosa
André Matcin

 



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