Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas balanceadas em janeiro

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Surpresas balanceadas em janeiro

Fevereiro 2, 2018

O índice brasileiro ficou positivo, com praticamente todos os dados publicados em janeiro superando as expectativas.

Nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade ficou mais próximo da neutralidade em janeiro (-0,02), ante -0,24 em dezembro. O índice surpresa do Brasil voltou para território positivo, com praticamente todos os dados econômicos publicados em janeiro superando as expectativas. Da mesma forma, o componente chileno avançou, com a proxy do PIB surpreendendo para cima em meio a uma aceleração da atividade não-mineira. O subíndice da Colômbia também subiu no mês, uma vez que a produção industrial cresceu em novembro, surpreendendo a expectativa consensual de uma contração na base de comparação anual.
 


 

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses, de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil subiu para 0,08 em janeiro (-0,32 no mês anterior). Praticamente todos os dados econômicos em janeiro vieram mais fortes que as expectativas. As vendas no varejo restrito (excluindo veículos e materiais de construção) expandiram 5,9% em novembro ante um ano atrás, acima da mediana das expectativas do mercado (3,75%). A composição mostra que o desempenho forte foi disseminado entre os segmentos, mas aqueles mais influenciados por promoções (por exemplo, móveis e eletrodomésticos e artigos de uso pessoal) foram particularmente robustos, ressaltando a relevância da Black Friday para explicar a surpresa positiva. Analogamente, a produção industrial cresceu 4,7% em dezembro sobre o ano anterior (mercado: 3,8%). Os detalhes revelam que os segmentos relacionados ao investimento continuam crescendo de forma consistente com uma recuperação gradual da atividade. Os dados do mercado de trabalho também apresentaram surpresas positivas. A taxa de desemprego no trimestre findo em dezembro recuou para 11,8%, ligeiramente abaixo da projeção do mercado (11,9%). A contribuição da população ocupada informal segue relevante, mas vem perdendo força, enquanto o aumento da população ocupada no setor privado com carteira assinada está melhorando gradualmente. Na mesma linha, de acordo com o Ministério do Trabalho, 328,5 mil empregos formais foram fechados em dezembro, um resultado melhor do que a expectativa do consenso (-416 mil). É importante ressaltar que dezembro tem uma sazonalidade historicamente alta - sempre registrando resultados negativos. Dados ajustados para sazonalidade mostram criação líquida de 57,6 mil empregos em dezembro, levando a média móvel de três meses para +47 mil (de +22 mil). Este é o resultado mais forte nesta métrica desde o 1T14, a última vez em que a criação de empregos formais ultrapassou o ponto de equilíbrio para estabilizar a taxa de desemprego (aproximadamente 40 mil por mês). Olhando à frente, o emprego formal tenderá a desempenhar um papel cada vez mais importante na queda da taxa desemprego.

O índice surpresa do México caiu para -0,21 em janeiro, de -0,05 em dezembro. A formação bruta de capital fixo, que atualmente é o componente mais fraco da demanda interna, caiu 2,6% em outubro, surpreendendo negativamente as expectativas de mercado (mediana: -0,1%). De acordo com dados ajustados para efeito calendário publicados pelo instituto de estatística (INEGI), a queda foi ainda mais acentuada (-3,3% sobre o ano anterior). Na margem, houve piora em todos os componentes do investimento, provavelmente refletindo um efeito negativo sobre as decisões de investimento da incerteza relacionada ao NAFTA e às eleições. Além disso, as vendas no varejo contraíram 1,5% em novembro - a maior contração na base de comparação anual em mais de quatro anos. O resultado decepcionou a projeção do consenso (-0,9%, conforme a Bloomberg); a queda dos salários reais, o crescimento mais lento do crédito ao consumidor e as remessas mais fracas convertidas em MXN são os principais fatores por trás do desempenho fraco do consumo privado. Em contrapartida, o índice IGAE (proxy do PIB) superou as expectativas do mercado, expandindo 1,5% sobre um ano atrás (mercado: 1,2%). Olhando adiante, esperamos um crescimento do PIB de 2,1% para 2017 e 2018. As políticas macroeconômicas (monetária e fiscal) contracionistas, as incertezas relacionadas ao Nafta e as eleições presidenciais são fatores desfavoráveis no curto prazo. Por outro lado, observamos que o impacto da consolidação fiscal será menor em 2018 em relação a 2017. Além disso, dado o dinamismo indústria norte-americana, combinada a uma taxa de câmbio real competitiva, deverá sustentar as exportações de manufaturados. Por fim, em nossa visão, uma inflação mais baixa e um mercado de trabalho robusto sustentarão o consumo este ano.

O índice surpresa do Chile avançou para 0,08 em janeiro, ante -0,28 no mês anterior. O Imacec (proxy mensal para o PIB) cresceu 3,2% em novembro sobre um ano atrás (2,9% em outubro), acima do consenso de mercado de 2,5%. Pelo primeiro mês desde junho, a mineração não foi o componente mais dinâmico da atividade: o componente não-mineiro do índice cresceu 3,2% - a maior taxa de crescimento desde fevereiro de 2016. De fato, a atividade comercial foi robusta em novembro, registrando crescimento de 5,65% em relação ao ano anterior (mercado: 3,6%). Em 2018, o crescimento da atividade facilmente atingirá o dobro da taxa estimada para 2017 (1,5%). O crescimento global mais elevado, a melhora do sentimento privado e a política monetária expansionista impulsionarão a recuperação.

O índice surpresa da Colômbia subiu para -0,02 em janeiro (-0,37 em dezembro). A produção industrial em novembro cresceu pela primeira vez desde julho, superando a expectativa do mercado de uma queda na variação anual (0,3% vs  -1,1%). Apesar da surpresa positiva, a manufatura deve afetar negativamente o PIB de 2017, com uma contração de 0,7% no acumulado do ano. Da mesma forma, a taxa de desemprego ficou abaixo das expectativas em dezembro (9,8% vs 10,4%). No entanto, o resultado se deve a uma menor participação e crescimento do emprego rural e, portanto, continua refletindo a fraqueza do mercado de trabalho. A taxa média de desemprego para 2017 foi de 9,4%, ante 9,2% em 2016, com enfraquecimento do mercado de trabalho em meio à desaceleração do crescimento. No mesmo período, a participação na força de trabalho caiu de 67,5% para 67,1%, outro sinal da deterioração do mercado de trabalho. De modo geral, os dados mais fracos de emprego implicam que nosso cenário de recuperação do crescimento não está livre de riscos. Vemos uma aceleração de atividade para 2,5% este ano, em meio a salários reais mais elevados (à medida que a inflação cai), taxas de juros baixas e um ambiente externo favorável.

O índice surpresa do Peru recuou para -0,32 em janeiro, de -0,05 em dezembro. A proxy do PIB expandiu 1,8% em novembro sobre o ano anterior, abaixo das expectativas medianas do mercado (2,8%, segundo a Bloomberg). O atraso da temporada de pesca (cujo início foi adiado de novembro para janeiro de 2018) puxou o índice para baixo. A produção pesqueira caiu 45,6% em novembro na variação anual (de uma contração de 12,4% em outubro). Como resultado, a manufatura primária (que representa ¼ da manufatura total e é sensível à produção pesqueira) caiu 17,1% sobre o ano anterior. A taxa de desemprego atingiu 6,5% em dezembro, abaixo das expectativas medianas do mercado (6,8%). É importante ressaltar que o emprego enfraqueceu no 4T17 (para 1% na variação anual). De maneira geral, dada a surpresa negativa, nossa estimativa de crescimento do PIB para 2017 (2,7%) agora tem um viés negativo, mas ainda projetamos uma aceleração para 4% este ano. Dada informação disponível, estimamos que o PIB cresceu 2,3% em 2017, abaixo da nossa previsão anterior de 2,7%, mas ainda projetamos uma recuperação para 4% neste ano.

Nossos Índices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:
 

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos índices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 

Luka Barbosa
Eduardo Marza



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