Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Sinais mistos em meio a uma recuperação lenta

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Sinais mistos em meio a uma recuperação lenta

Abril 3, 2017

Devido a mudança de metodologia nos dados de Brasil, o desempenho inferior deste mês deve ser interpretado com cautela.

Nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade caiu ligeiramente de -0,05 em fevereiro para -0,06 em março. O Brasil teve mais um recuo, mas é necessário alguma cautela na interpretação negativa dos resultados, dado que houve mudanças metodológicas em alguns indicadores importantes. Na realidade, excluindo estas séries modificadas, o índice agregado teria subido para terreno positivo. O México permaneceu em território positivo, enquanto os índices das economias andinas apresentaram resultados negativos, embora o Chile e o Peru tenham melhorado em relação a fevereiro. Os resultados reforçam o contexto de uma recuperação lenta da atividade.

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice do Brasil ficou em -0,23 em março, ante -0,15 no mês anterior. Já era antecipado uma queda expressiva do PIB no 4T16. De fato, o PIB recuou 2,5% em relação ao mesmo trimestre de 2015, em linha com as expectativas, o que levou a uma contração de 3,6% do PIB em 2016. A perspectiva é melhor para o 1T17: a produção industrial teve seu primeiro crescimento positivo em janeiro na comparação anual desde dezembro de 2014, subindo 1,4%, acima da expectativa de 1,0% do mercado. Os dados apontam para um ligeiro aumento na produção em fevereiro (em relação ao mês anterior). A criação de empregos formais também foi positiva pela primeira vez em vinte e dois meses em fevereiro, com 36 mil novos empregos formais (líquido), superando as estimativas do mercado, em 26 mil. Em termos de surpresas negativas, as vendas no varejo recuaram 7% em relação ao ano anterior, abaixo das estimativas de mercado de -4,3%, contribuindo fortemente para o desempenho negativo do índice agregado. No entanto, uma mudança na metodologia da pesquisa de varejo (PMC) que ocorreu este mês pode ter distorcido os dados, portanto o resultado negativo deve ser interpretado com cautela. Da mesma forma, o índice IBC-Br de atividade mensal decepcionou as expectativas, mas o desempenho fraco provavelmente é resultado de uma mudança na série histórica, já que dois índices que compõem a série tiveram mudanças de metodologia (pesquisas de varejo e serviços). Concluindo, a perspectiva para o Brasil é melhor do que o índice sugere, com os dados melhorando na margem e os fundamentos apontando para uma recuperação, embora lenta.

O índice surpresa do México ficou em 0,39 em março, ante 0,28 em fevereiro. A atividade tem se mostrado resiliente apesar de todos os choques sobre a economia mexicana, mas ainda assim projetamos crescimento menor este ano em relação ao ano passado. Do lado positivo, o PIB mensal (IGAE) aumentou 3,0% em janeiro sobre um ano atrás, acima das expectativas do mercado, em 1,9%. A confiança dos consumidores também subiu mais do que o esperado, de 68,5 para 75,7 em março, mas permanece em níveis historicamente baixos. Do lado negativo, as vendas no varejo começaram o ano em ritmo lento, crescendo 4,9% sobre o ano anterior em janeiro, abaixo da estimativa de 5,5% do mercado. A resiliência de alguns setores da economia, principalmente serviços, e uma recuperação da produção, estão sustentando a economia. No entanto, projetamos uma desaceleração do PIB para 1,6% em 2017, vindo de 2,3% em 2016, com ambos consumo e investimento mais fracos.

O índice surpresa do Chile ficou em -0,34 em março, comparado a -0,47 em fevereiro. A melhora veio de surpresas positivas da manufatura e do indicador de atividade mensal (Imacec). A produção manufatureira caiu 1% em fevereiro em relação ao ano anterior, melhor do que os -2,8% esperados pelo mercado. O Imacec cresceu 1,45% em janeiro, acima das expectativas do mercado, mas permanece fraco. Uma vez que o crescimento econômico continua frágil, a taxa de desemprego continua subindo (para 6,4% em fevereiro, pior do que as estimativas do mercado, em 6,3%) e a qualidade do emprego se deteriorou ainda mais. De maneira geral, esperamos uma recuperação da atividade em 2017 para 2,0% , acima dos 1,5% antecipados para 2016; no entanto, o viés permanece negativo.

O índice surpresa da Colômbia piorou de 0,18 em fevereiro para -0,07 em março,. Todos os números divulgados em março decepcionaram as expectativas: a produção industrial caiu 0,15% em janeiro sobre um ano atrás, enquanto o consenso estava em 1,8%. As vendas no varejo voltaram a cair após uma breve aceleração, recuando 2,2% sobre o ano anterior, quando o mercado esperava um crescimento de 3%. O mercado de trabalho continuou piorando em fevereiro, com o desemprego chegando a 11%. Como o Chile, nossa expectativa de uma leve recuperação para 2,3% este ano comparado aos 2% de 2016 traz riscos de queda.

O índice surpresa do Peru ficou em -0,16 em março, ante 0,07 em fevereiro. O PIB teve um bom começo de ano, impulsionado pelos setores de recursos naturais - o índice de ativiade mensal cresceu 4,8%, comparado à estimativa de crescimento de 4,5% do mercado. No entanto, o mercado de trabalho permaneceu fraco em fevereiro, com desemprego maior e crescimento lento do emprego. Para 2017, projetamos um crescimento de 3,8%, sustentado pelos termos de troca mais altos e uma recuperação gradual da demanda doméstica.

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 

Luka Barbosa
Lourenço Paiva



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