Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Melhora generalizada das surpresas de atividade

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Melhora generalizada das surpresas de atividade

Junho 1, 2017

O nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade subiu para 0,22 em maio (0,10 em abril) com melhoras em toda a América Latina.

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade subiu para 0,22 em maio, ante 0,10 em abril, com melhoras em toda a América Latina. No Brasil, os resultados melhores do que o esperado do mercado de trabalho compensaram a decepção na produção industrial e vendas no varejo. Os dados do Chile se mostraram melhores em maio, mas uma recuperação significativa não está no horizonte próximo. O Peru teve a melhora mais expressiva da região, dado que os choques de oferta relacionadas a eventos climáticos diminuíram ao longo do último mês.

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O componente de surpresa do Brasil subiu para 0,36 em maio, ante 0,30 no mês anterior. Os dados do mercado de trabalho foram as surpresas positivas do índice. A criação de emprego formal em abril (Caged) atingiu 60 mil, superior à estimativa do mercado (+40 mil). Usando nosso ajuste sazonal, 34 mil vagas foram fechadas, mantendo a criação de emprego em território negativo. No entanto, a média móvel de três meses melhorou para -56 mil (de -62 mil), moderando a destruição de vagas de trabalho. A taxa de desemprego nacional atingiu 13,6% - um pouco abaixo da mediana das expectativas de 13,8%. Por fim, o PIB do primeiro trimestre cresceu 1,0% em relação ao trimestre anterior com ajuste sazonal, correspondendo à expectativa do mercado. Esta é o primeiro PIB positivo desde o 4T14. Na margem, a agricultura liderou o crescimento (+13,4% na comparação trimestral, com ajuste sazonal), enquanto que a indústria avançou menos (+0,9%) e os serviços permaneceram estáveis. Os fundamentos econômicos estão melhorando, em especial no que tange à taxa de juros, o que viabiliza uma recuperação disseminada à frente. No entanto, para que esta recuperação seja robusta, é preciso que a agenda de reformas continue avançando. Neste contexto, o recente aumento da incerteza pode afetar a atividade por dois canais:  (1) aumentando a cautela de empresas e famílias, enfraquecendo portanto a demanda agregada e (2) reduzindo o ritmo de flexibilização monetária.

O índice de surpresa do México aumentou para 0,20 em maio, de -0,01 em abril. A produção industrial e as vendas no varejo de março vieram acima da mediana das expectativas. O investimento bruto em capital fixo de fevereiro registrou a principal surpresa negativa: queda de 3,1% sobre o ano anterior, enquanto o mercado esperava um pequeno ganho de 0,1%. Esperamos que a incerteza relacionada às negociações do Nafta e as políticas macroeconômicas mais contracionistas tenham um efeito negativo sobre o investimento.

O índice do Chile melhorou para 0,03 em maio, de -0,22 em abril. O destaque foi o crescimento do índice Imacec de março, de 0,2% sobre o ano anterior, o que constitui uma surpresa positiva em relação à projeção de consenso de uma contração na atividade (-0,4%). No entanto, a manufatura varou -7,5% em abril sobre o ano anterior – substancialmente abaixo da estimativa de -1% do mercado. No entanto, corrigindo-se para o efeito calendário presente em abril, a manufatura contraiu bem menos (0,8%). Apesar da melhora no índice, a atividade permanece fraca e a falta de um catalisador claro sugere que uma recuperação significativa não está no horizonte próximo. Esperamos um crescimento da atividade de 1,6% este ano - estável em relação à taxa registrada em 2016.

O índice surpresa da Colômbia subiu para -0,54 em maio, de -0,57 em abril. Ao contrário dos dados de fevereiro, os indicadores de atividade de alta frequência surpreenderam positivamente em março. As vendas no varejo ficaram em 1,9% sobre o ano anterior (mercado: 1,05%) e a produção industrial registrou alta de 4,77% (mercado: 2,5%). Do lado negativo, o desemprego urbano subiu para 10,73%, superando a mediana das expectativas (9,9%). Olhando adiante, a dinâmica do mercado de trabalho urbano provavelmente refletirá a atividade fraca e a necessidade de consolidação fiscal.

O índice de surpresa do Peru melhorou para 0,10 em maio, de -0,31 em abril. A proxy do PIB registrou crescimento positivo em março (0,7% sobre um ano atrás), enquanto o mercado esperava estabilidade. Da mesma forma, a taxa de desemprego para o mês de abril veio substancialmente abaixo das expectativas, mas esta surpresa se deve principalmente a uma diminuição da taxa de participação. Esperamos que o crescimento do PIB diminua para 2,9%, de 3,9% em 2016, devido a choques de oferta temporários. O “El-niño costeiro” já está desaparecendo, mas a interrupção de grandes projetos de infraestrutura continuará sendo um entrave ao longo do ano.

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 

Luka Barbosa
Lourenço Paiva
Eduardo Marza


 



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