Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Chile lidera o grupo

Macro Visão

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Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Chile lidera o grupo

Novembro 1, 2016

A recuperação do Chile foi o destaque do mês, enquanto a Colômbia continua ocupando a última posição do ranking.

Nosso Índice Itaú de Surpresa de Atividade registrou 0,01 em outubro, uma recuperação em relação aos -0,16 de setembro. Todos os países melhoraram em relação ao mês anterior. A recuperação do Chile foi o destaque do mês, enquanto a Colômbia continua ocupando a última posição do ranking, afetada pelos dados ruins de setembro. O índice agregado vem apresentando alguma volatilidade nos últimos meses, sem uma tendência clara.

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil ficou em -0,02 em outubro, acima dos -0,17 de setembro. O índice surpresa do Brasil segue volátil em torno do nível neutro, o que também se reflete no índice agregado. Em outubro, a maioria dos indicadores de atividade decepcionou: as vendas no varejo registraram queda de 5,5% em agosto em relação ao ano anterior, abaixo da projeção de mercado de -5,0%. A produção industrial para o mesmo mês contraiu 5,2% na comparação anual, decepcionando a estimativa de -4,8%. A criação de empregos permanece negativa, somando -39 mil em setembro, pior do que as expectativas (-7 mil). Do lado positivo, a taxa de desemprego para setembro ficou 0,1 p.p. abaixo das estimativas de mercado, mas segue em tendência de alta, aumentando de 11,7% para 11,9%. Da mesma forma, o índice IBC-Br de atividade econômica registrou uma contração ligeiramente menor do que o esperado (-2,7% contra a estimativa de -2,9% do mercado). De maneira geral, a fraqueza dos dados de atividade em agosto e dos indicadores coincidentes de setembro apontam para uma contração mais pronunciada do PIB no 3T16. O desempenho um tanto instável do índice surpresa do Brasil pode ser um reflexo da volatilidade de curto prazo dos dados econômicos, o que não é incomum na fase atual do ciclo econômico. Os fundamentos ainda são consistentes com uma recuperação gradual da atividade econômica à frente.

O índice surpresa do México registrou 0,09 em outubro, ante 0,01 em setembro. O IGAE, proxy mensal do PIB, foi o dado que mais contribuiu para o lado positivo, crescendo 2,9% em agosto - superando as estimativas de mercado (em 2,1%). Ajustado para efeitos de calendário e sazonalidade, no entanto, o número mostra moderação da atividade econômica em agosto. Analisando a composição, observamos que o crescimento continua sendo liderado pelos serviços, enquanto a atividade industrial - principalmente nos setores de petróleo, manufatura e construção – continua contida. As vendas no varejo aumentaram 8,9% em agosto, acima das expectativas do mercado (5,8%), o que sugere que o consumo privado permanece forte; no entanto esperamos que as vendas percam fôlego à frente. Do lado negativo, a confiança dos consumidores caiu para seu nível mais baixo em 6 anos em setembro, ficando abaixo das estimativas do mercado. O investimento fixo contraiu 3,6% em julho sobre o ano anterior, abaixo do consenso (ambos em -1,5%). Olhando à frente, acreditamos que a composição do crescimento deve mudar, com contribuições mais equilibradas entre serviços e manufatura. Uma moderação do consumo privado é provável, uma vez que os consumidores serão afetados pelo aperto das políticas macroeconômicas.

O índice surpresa do Chile registrou 0,22, melhorando em relação aos -0,04 de setembro e marcando um retorno em relação aos desempenhos fracos dos últimos meses, devido aos dados melhores do que o esperado de manufatura e vendas no varejo. As vendas no varejo aumentaram 7,4% na comparação anual, bem acima do consenso de mercado, em 3,8%. O mês foi marcado por uma aceleração significativa nas vendas de veículos, com a manutenção dos descontos nos preços e promoções relacionadas ao giro de estoque. A manufatura registrou alta de 1,4% em setembro, superando as expectativas (-2,0%). A taxa de desemprego e o índice Imacec de atividade econômica também trouxeram surpresas positivas. De maneira geral, a atividade está acelerando na margem, mas ainda esperamos um crescimento de 1,5% do PIB para o ano (2,3% em 2015).

O índice surpresa da Colômbia ficou em -0,21, uma recuperação em relação aos -0,86 registrados em setembro devido ao resultado melhor do que o esperado do setor de manufatura, mas ainda negativo por conta da influência de setembro sobre a média móvel. A manufatura se recuperou em agosto, após o término da greve dos transportes, com alta de 9,4% sobre o ano anterior (bem acima dos 3,8% estimados pelo mercado). O resultado forte do setor manufatureiro não veio apenas das atividades de refino de petróleo, que registram um crescimento robusto, mas também das outras categorias. Por outro lado, a atividade de varejo continua fraca - as vendas caíram 1,9% em agosto sobre o ano anterior, aproximadamente em linha com o consenso de -1,2% do mercado. Olhando à frente, esperamos que a atividade expanda 2,0% este ano, comparado a 3,1% em 2015.

O índice surpresa do Peru registrou 0,11 em outubro, ante -0,06 em setembro. O PIB mensal do Peru cresceu 5,5% em agosto na comparação anual, acima das expectativas do mercado (em 4,9%), consolidando um desempenho positivo no 3T16. A narrativa continua a mesma: os setores de recursos naturais - liderados pela mineração - estão crescendo em ritmo forte, com a temporada de pesca fornecendo um impulso extra. A taxa de desemprego em setembro ficou em 6,5% - surpreendendo positivamente as expectativas do mercado (em 6,9%) - principalmente devido a uma queda na taxa de participação, sem melhora visível na dinâmica do emprego. Olhando à frente, projetamos taxas de crescimento do PIB de 3,8% e 4% para 2016 e 2017, respectivamente.

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 

Luka Barbosa
Lourenço Paiva


 



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