Itaú BBA - Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Alteração metodológica de dados no Brasil distorce resultado

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Índice Itaú de Surpresa de Atividade - Alteração metodológica de dados no Brasil distorce resultado

Maio 3, 2017

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade subiu para 0,12 em abril, vindo de 0,11 em março

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade subiu para 0,12 em abril, vindo de 0,11 em março, ajudado por uma distorção metodológica no resultado das vendas no varejo no Brasil. De maneira geral, o tom das surpresas é negativo em toda a região. As surpresas positivas do México estão moderando, mas os dados ainda mostram resiliência aos choques, enquanto a Colômbia volta a enfrentar dificuldade, apresentando deterioração semelhante à que foi observada em meados de 2016. Os resultados continuam sugerindo uma recuperação lenta na atividade.

O Índice Itaú de Surpresa de Atividade compara as tendências dos indicadores de atividade econômica com a expectativa de mercado formada antes da divulgação destes indicadores. O índice agregado é formado por índices separados para Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru, ponderados pelo PIB. Um resultado acima de zero significa surpresas positivas. Abaixo de zero significa que o resultado veio abaixo das estimativas de mercado. O índice é uma média de três meses de forma a evitar volatilidade excessiva. Surpresas na atividade muitas vezes desencadeiam revisões nas estimativas de crescimento do PIB.

O índice surpresa do Brasil registrou 0,28 em abril, ante 0,07 no mês anterior. As revisões positivas nas pesquisas de varejo (e serviços) geraram surpresas positivas em fevereiro: as vendas caíram 3,2% sobre o ano anterior, enquanto o mercado esperava uma queda de 7,0%. Caso não houvesse esta distorção, o índice agregado da América Latina teria se deteriorado. A surpresa positiva do IBC-Br, que incorpora as revisões positivas das pesquisas de varejo e serviços, também pode ter sido influenciada pela mudança. Ignorando este avanço, em parte artificial, os dados divulgados no mês de abril tivram um viés mais negativo. Houve destruição líquida de 64 mil empregos formais, enquanto o mercado esperava criação de 5 mil. A produção industrial de fevereiro também decepcionou, e o dado mais recente de março, a ser incorporado no relatório do próximo mês, veio novamente bem abaixo das estimativas. Uma retomada da produção industrial é essencial para que o PIB mantenha uma tendência positiva ao longo do ano, após um 1T17 que aparenta ser bastante positivo (projetamos crescimento de 1,4% na comparação trimestral com ajuste sazonal, com contribuição importante da produção agrícola). Ao todo, os dados recentes apontam para uma recuperação lenta da atividade econômica.

O índice surpresa do México caiu para 0,10 em abril, vindo de 0,39 em março. As surpresas positivas do México estão moderando, mas os dados ainda mostram resiliência aos choques. O principal destaque foi o resultado das vendas no varejo em fevereiro, surpreendendo para cima, expandindo 3,6% enquanto o mercado esperava alta de 3%. Apesar do crescimento, projetamos uma que o consumo e, portanto, as vendas no varejo, desacelerem nos próximos meses, em meio a uma deterioração dos fundamentos favoreceram o consumo nos últimos anos.

O índice surpresa do Chile melhorou para -0,18 em abril, de -0,34 em março, devido à dinâmica da média móvel. Enquanto a produção manufatureira, a taxa de desemprego e o índice mensal de atividade econômica não apresentaram surpresas de acordo com a nossa metodologia, as vendas no varejo registraram queda de 0,3% em fevereiro em relação ao ano anterior (mercado: +0,7%). Esperamos que o consumo modere à frente, na medida em que o mercado de trabalho se deteriora (especialmente o emprego assalariado) e os salários nominais desaceleram. Por ora, esperamos uma taxa de crescimento de 1,8% este ano com um viés de baixa (vindo de um crescimento de 1,6% em 2016).

O índice surpresa da Colômbia piorou para -0,55 em abril, de -0,08 em março. Os índices de atividade de fevereiro divulgados em abril revelaram-se bastante fracos e muito abaixo das expectativas do mercado, consolidando um começo de ano fraco. As vendas no varejo recuaram 7,2% em relação a um ano atrás, contra a estimativa do mercado de -1,6%. O mercado de trabalho menos pressionado e a confiança em patamares baixos não sugerem uma recuperação rápida das vendas à frente. A produção industrial contraiu 3,2% em relação ao ano anterior, bem abaixo do consenso de mercado, em -1,2%. Nossa perspectiva de recuperação da atividade – com o crescimento acelerando de 2,0% no ano passado para 2,3% em 2017 – tem riscos de baixa.

O índice surpresa do Peru caiu para -0,36 em abril, vindo de de -0,16 em março. O índice de atividade mensal de fevereiro veio abaixo das expectativas, avançando apenas 0,7% quando o mercado esperava uma taxa de crescimento de 1,8%, o que sugere que a atividade estava em ritmo fraco mesmo antes de a economia sofrer o impacto das inundações e deslizamentos de terra causados ​​pelo "El Niño costeiro". Atualmente, a atividade está sendo afetada pelo El Niño e pela interrupção de grandes projetos de infraestrutura (por conta de um escândalo de corrupção envolvendo governos anteriores e empreiteiras). Acreditamos que estes choques serão parcialmente compensados ​​por ganhos nos termos de troca (após cinco anos consecutivos de queda) e pelo pacote de estímulo fiscal do governo. No entanto, reduzimos nossa projeção de crescimento do PIB em 2017 para 3,3% (de 3,8%).

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Bloomberg:

LatAm: ITMRLAI

Brazil: ITMRBI

Mexico: ITMRMI

Chile: ITMRCHLI

Colombia: ITMRCOLI

Peru: ITMRPI

Nossos indices de surpresa estão disponíveis na Broadcast:

LatAm: ITSLA

Brazil: ITSBR

Mexico: ITSMX

Chile: ITSCH

Colombia: ITSCO

Peru: ITSPR

Nota Metodológica

Construímos o índice surpresa para cada país usando os indicadores de atividade que possuem estimativas na pesquisa da Bloomberg. O peso de cada indicador no índice depende de sua importância para a economia. Por exemplo, os números do PIB possuem um peso maior do que números de confiança do consumidor.

Utilizamos o desvio do número observado com relação à estimativa consensual de mercado (surpresa), subtraímos o resultado do desvio histórico médio, e, finalmente, dividimos este número pelo desvio padrão histórico das surpresas. Esta metodologia fornece um melhor senso de quão importante foi a surpresa em cada mês. O peso de cada país no Índice Itaú de Surpresa LatAm depende do tamanho do seu PIB. O Brasil tem o maior peso, seguido pelo México.

Indicadores a partir dos quais o índice é construído: 

Brasil: Emprego Formal Caged, Taxa de Desemprego, Exportações, Importações, Vendas no Varejo, Produção Industrial, PIB, IBC-Br.

México: PMI de Manufatura, PMI de Serviços, Confiança do Consumidor, Investimento, Produção Industrial, Vendas no Varejo, PIB mensal IGAE.

Chile: Produção Manufatureira, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, PIB mensal Imacec.

Colômbia: PIB, Produção Industrial, Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego.

Peru: PIB mensal, Taxa de Desemprego


 

Luka Barbosa
Lourenço Paiva



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