Itaú BBA - Elevamos a projeção do PIB no 2T17 de -0,2% para 0,0%

Macro Visão

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Elevamos a projeção do PIB no 2T17 de -0,2% para 0,0%

Agosto 16, 2017

Revisão incorpora dados de atividade mais fortes em junho

A alta é consequência dos dados mais fortes em junho. As surpresas positivas envolvem a produção industrial, as vendas no varejo, a receita real de serviços e o mercado de trabalho.

Avaliamos que o 2T17 foi marcado por crescimento subjacente mais forte do que o resultado projetado para a primeira divulgação do PIB. Simulações sugerem que o resultado vai ser revisado para cima quando da divulgação do PIB do trimestre seguinte.

Resultado agregado “fraco”, crescimento subjacente melhor

O PIB do 2T17 será divulgado pelo IBGE em 1º de setembro, em uma sexta-feira.

A partir dos dados do PIB mensal Itaú Unibanco e de outros indicadores de atividade econômica, projetamos estabilidade do PIB no 2T17, após ajuste sazonal. Por coincidência, também projetamos estabilidade na comparação anual, ante recuo de 0,3% do 1T17 ante o 1T16.

Dois fatores ajudam a explicar a aparente desaceleração em relação ao 1T17.

Primeiro, projetamos ligeira contribuição negativa do PIB agropecuário para crescimento trimestral dessazonalizado do 2T17, após forte contribuição positiva no trimestre anterior. Tal contribuição negativa é causada pela metodologia de distribuição da produção agropecuária entre os trimestres, e não muda o fato de que a forte alta da produção agrícola vai impulsionar a economia ao longo de todo o ano.

Segundo, a fraqueza dos dados de atividade no mês de março gerou um carrego estatístico desfavorável para o trimestre seguinte, afetando mais o crescimento do PIB do 2T17 do que do 1T17. 

Os indicadores mensais sugerem um crescimento subjacente mais forte ao longo do trimestre. A produção industrial, as vendas do varejo (conceito ampliado) e a receita real de serviços apresentam altas acumuladas de 2,5%, 3,7% e 3,1% entre junho e março, respectivamente. O mercado de trabalho seguiu mostrando melhora gradual.

Desse modo, projetamos um resultado agregado “fraco” para o 2T17, mas com crescimento subjacente disseminado. Trata-se do oposto ao observado no 1T17 (resultado agregado forte, mas muito concentrado no setor agropecuário).

A abertura dos componentes da oferta da projeção é de recuo de 1,9% do PIB agropecuário e de 0,4% do PIB da indústria, compensados por alta de 0,4% do setor de serviços.

Finalmente, nossas projeções preliminares sugerem que o crescimento trimestral dessazonalizado do 2T17 vai ser revisado para cima com a primeira divulgação do PIB do 3T17, em 1º de dezembro. Essa mudança seria consequência da metodologia que o IBGE utiliza para dessazonalizar a série do PIB. Com a série de PIB bruto que projetamos para cada trimestre, o modelo escolhido para preparar a série para o ajuste sazonal deve mudar entre a divulgação do 2T17 e a 3T17, alterando o crescimento dos trimestres anteriores ao projetado.

Alta da projeção é consequência dos dados mais fortes no mês de junho

A elevação da revisão em 0,2 pontos porcentuais reflete as três principais pesquisas mensais acima das nossas expectativas e da mediana do mercado:

O mercado de trabalho também surpreendeu, com a taxa de desemprego recuando no trimestre terminado em junho. Ainda que a surpresa seja consequência do aumento da informalidade, o trabalho informal também contribui para o aumento da massa salarial, impulsionando o consumo das famílias.


 

Artur Manoel Passos

 

 



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