Itaú BBA - Alteramos nossa projeção de PIB para 1,0% em 2017

Macro Visão

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Alteramos nossa projeção de PIB para 1,0% em 2017

Janeiro 13, 2017

PIB deve apresentar novo recuo no 4T16

No curto prazo, a atividade econômica tem mostrado fraqueza maior que a esperada, sobretudo na indústria, a despeito de alguns indicadores setoriais mais promissores. Dessa forma, o PIB deve ter tido novo recuo no quarto trimestre de 2016 (-0,6%, antes esperávamos estabilidade). Isso implica uma piora da herança estatística para 2017 (que passará de -0,4% para -0,8%). Apesar disso, os fundamentos de demanda seguem estáveis na margem, o que deve possibilitar uma pequena expansão da economia em 2017. Então, revisamos nossa projeção de PIB em 2017 para 1,0% (antes, 1,5%).

PIB deve apresentar novo recuo no 4T16

As divulgações recentes mostram um nível de atividade econômica abaixo do que esperávamos anteriormente. Em novembro, a produção industrial aumentou apenas 0,2%, surpreendendo negativamente as nossas expectativas (2,6%) e as de mercado (1,3%). O resultado foi consistente com a difusão das atividades, não sendo concentrado em algum setor específico. Embora os indicadores preliminares (produção de veículos, fluxo de veículos pesados nas estradas, expedição de papelão ondulado, entre outros) apontem para uma alta da produção industrial em dezembro, esse desenvolvimento não deve compensar a decepção do mês anterior.

No setor de serviços, a receita real ficou praticamente estável em novembro (0,1%) após uma queda significativa de 2,3% em outubro, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS-IBGE). Embora a pesquisa não tenha abrangência sobre todo o setor de serviços (como calculado nas Contas Nacionais), o resultado mostra fraqueza adicional no setor, com destaque negativo para o setor de informação e comunicação.

As vendas no varejo restrito surpreenderam positivamente em novembro (alta de 2,0%, ante nossa projeção de 0,0% e de 0,3% das expectativas de mercado). Contudo, avaliamos que este aumento deveu-se a uma antecipação das compras de final de ano (efeito Black Friday, ainda não capturado de forma satisfatória pelos algoritmos de ajuste sazonal). Assim como ocorreu nos dois últimos anos, esperamos queda em dezembro que mais que compense essa surpresa positiva.

Dessa forma, esse quadro aponta para queda de 0,6% do PIB no quarto trimestre de 2016 ante o terceiro trimestre após ajuste sazonal (antes esperávamos estabilidade). Tudo o mais constante, a herança estatística passará de -0,4% para -0,8%, ou seja, um impacto de 0,4 p.p. no crescimento de 2017.

Adicionalmente, os estoques na indústria apresentaram alguma piora na margem. Embora a demanda tenha permanecido estável em patamar acima do nível de utilização da capacidade instalada (NUCI), os estoques voltaram a subir. Assim, o ajuste cíclico dos estoques deve se estender além do esperado, fazendo com que a alta da produção na indústria seja um pouco mais lenta. No entanto, haja vista o comportamento já observado no setor automotivo, ainda enxergamos o término do processo de redução de estoques nos meses à frente, o que ajudará na recuperação da economia.

Finalmente, embora os dados tenham sido mais fracos na margem, os fundamentos seguem estáveis. Em particular, o preço de commodities (que deve ter alta em 2017 ante 2016 em média) e a continuidade da flexibilização da política monetária devem possibilitar um crescimento moderado em 2017. Dessa forma, estamos revisando nossa projeção de PIB de 2017 para 1,0% (antes 1,5%).


 

Rodrigo Miyamoto


 

 



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