Itaú BBA - A crise na Turquia e seu impacto na América Latina

Macro Visão

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A crise na Turquia e seu impacto na América Latina

Agosto 24, 2018

Economia turca deve desacelerar sem mudança de política, mas efeito sobre emergentes é limitado

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.

A Turquia vive uma crise de balanço de pagamentos, com evidente falta de dólares para financiar seu elevado déficit em conta corrente (o maior entre emergentes pares), ao mesmo tempo em que pioram fundamentos internos, com inflação acelerando e uma postura fiscal expansionista. Tudo isto ocorre em paralelo a um quadro de maior centralização de poder após a reeleição de Erdogan.

Como forma de corrigir estes problemas e recuperar a credibilidade na política monetária, o BC deveria elevar fortemente sua taxa de juros (na ordem de 700 bps, segundo nossas estimativas), ao mesmo tempo em que o governo deveria buscar uma postura fiscal conservadora à frente. Porém o governo não tem demonstrado a intenção de fazer correções na política macroeconômica, e por isso a economia deve sofrer uma forte desaceleração para corrigir esses problemas.

O impacto da desaceleração sobre a economia global parece pequeno, dado o baixo peso da Turquia no PIB mundial. Ainda assim, a Europa é a região mais afetada pela desaceleração da Turquia, tanto pelas relações comerciais como bancárias entre as duas regiões. Para mercados emergentes, o contágio direto deve ser limitado, mas o indireto, caso a fragilidade financeira na Europa aumente, pode se tornar mais relevante.

Apesar da baixa exposição comercial da América Latina à Turquia, países potencialmente vulneráveis a um aperto de condições financeiras externas, como Brasil e Argentina, têm maior chance de sofrer contágio da crise. No entanto, mesmo nesses países há razões para diferenciação em relação à Turquia.

 

Bernardo Dutra
Julia Gottlieb
João Pedro Resende

 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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