Itaú BBA - Volatilidade dos mercados, quais os riscos para a região?

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Volatilidade dos mercados, quais os riscos para a região?

Fevereiro 5, 2016

O crescimento permanece fraco em toda a região, mas a dinâmica na margem é mista.

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.

Economia global
Bancos centrais reagem; riscos permanecem
Os principais bancos centrais estão reagindo à turbulência nos mercados financeiros. Essas ações devem manter os riscos financeiros sob controle. Na nossa visão, a China continua sendo o principal risco para a economia global.

América Latina
Navegando em águas turbulentas
O crescimento permanece fraco em toda a região, mas a dinâmica na margem é mista, com algumas economias em recuperação, algumas se deteriorando e somente o Chile se mantendo relativamente estável. As moedas mais ligadas ao petróleo enfraqueceram significativamente durante o mês passado.

Brasil
Projetamos queda de 4% do PIB e juros menores em 2016
A economia ainda não se estabilizou, projetamos agora uma recessão mais intensa este ano. Dado o nosso cenário de queda da atividade e inflação, esperamos que a taxa Selic termine 2016 em 12,75%.

Argentina
Em reforma
Apesar da depreciação acentuada do peso, os indicadores preliminares sugerem que a inflação está bem comportada. Houve progressos no acesso a financiamento externo.

México
Mais uma vítima do petróleo barato
Apesar de uma dependência menor do petróleo em relação ao passado, a queda do preço da commodity está prejudicando a atividade, as receitas fiscais, as exportações e a taxa de câmbio.  

Chile
Um começo desfavorável para o ano
O desempenho fraco da economia no fim do ano passado resultou em uma herança estatística desfavorável para este ano. Diante da confiança em baixa, reduzimos também nossa projeção de crescimento para 2017.

Peru
Eleição definida?
Esperamos que o crescimento econômico acelere em 2016, impulsionado por mineração, investimento público e menor contração investimento privado.  Keiko Fujimori continua liderando com folga as pesquisas para a eleição presidencial.

Colômbia
As consequências de longo prazo do choque do petróleo
A economia colombiana passa por ajustes diante da queda do preço do petróleo. No cenário base, a Colômbia continua com desempenho favoravel. Em um cenário de estresse para o preço do petróleo, o crescimento cai e potencial aumento do endividamento é um risco.

Commodities
Fundamentos indicam reversão do preço do petróleo a partir do meio do ano
Avaliamos que o excesso de oferta no mercado de petróleo deve acabar em meados do ano, sustentando uma recuperação do preço. Reduzimos as projeções de preço de açúcar e café devido a condições favoráveis para a próxima safra no Brasil.


 


Volatilidade dos mercados, quais os riscos para a região?

A volatilidade nos mercados continua sem trégua neste começo de ano. Para tentar acalmá-los, os principais bancos centrais do mundo estão reagindo. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) afirmou que está monitorando a situação econômica e financeira mundial. Acreditamos que não deverá mais subir os juros em março, como esperávamos anteriormente. O Banco Central Europeu (BCE) sinalizou que fará novas medidas de estímulo e o Banco do Japão (BoJ) passou a adotar uma taxa de juros negativa.

A ação dos bancos centrais tende a deixar os riscos financeiros mais controlados no curto prazo, mas não deve evitar que os mercados sigam voláteis. Os mercados devem acalmar-se à medida que forem divulgados dados bons (ou estáveis) de atividade no mundo.

O principal risco para a economia global, no entanto, continua sendo a China. No curto prazo, a diminuição das saídas de capitais e uma moeda estável são necessárias para reduzir a percepção de risco. No médio prazo, a China precisa manter a agenda de reformas para permitir o reequilíbrio da economia e garantir uma desaceleração gradual da atividade.

Nesse ambiente, a América Latina vai continuar navegando em águas turbulentas. As taxas de câmbio seguem voláteis, embora apenas aquelas mais correlacionadas com o preço do petróleo – como as da Colômbia e México – tenham se depreciado significativamente no último mês.  A atividade na região segue fraca, mas a perspectiva é mista entre os países, com sinais de melhora no México e no Peru, e de recessão mais profunda no Brasil. A inflação pressionada ainda mantém o viés contracionista na política monetária. No entanto, a piora global pode levar alguns BCs a desistir de ajustes adicionais, como aconteceu no Brasil.

No Brasil, a atividade econômica ainda não se estabilizou. Projetamos agora uma contração de 4,0% do PIB em 2016 (antes, -2,8%). As contas públicas continuam sendo o núcleo do problema. Além da recessão, que pesa sobre as receitas tributárias, existe uma tendência estrutural dos gastos obrigatórios de crescer mais que o PIB. Com as incertezas globais, inflação mais baixa e a recessão profunda, acreditamos agora que Banco Central reduzirá os juros no segundo semestre deste ano.

Na Argentina, os ajustes continuam. O governo abandonou a maioria dos controles e deixou o câmbio flutuar. A forte depreciação não teve ainda impacto na inflação. O banco central vem reduzindo o ritmo de expansão monetária para atingir a meta de inflação deste ano (no máximo, 25%). Mas o ajuste de preços relativos, especialmente de energia e câmbio, sugere que a tarefa não será fácil. Projetamos contração de 0,5% do PIB este ano, e recuperação de 3,0% em 2017.


 


Economia global

Bancos centrais reagem; riscos permanecem

• Os principais bancos centrais estão reagindo à turbulência nos mercados financeiros. O receio é de que a piora das condições financeiras afete a recuperação da economia global. O Banco do Japão (BoJ) baixou os juros para o território negativo e o Banco Central Europeu (BCE) sinalizou nova rodada de estímulos monetários. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) enfatizou que está monitorando de perto as condições financeiras. Acreditamos agora que o Fed manterá inalterada a taxa básica de juros em sua reunião de março.

• As ações dos bancos centrais devem manter os riscos financeiros sob controle. 

• Para 2016, esperamos crescimento moderado do PIB nos EUA (2,2%), na zona do euro (1,7%) e no Japão (1,0%).

• A China continua sendo a principal preocupação para a economia global. No curto prazo, a diminuição das saídas de capitais e uma moeda estável são necessárias para reduzir a percepção de risco. No médio prazo, o país precisa manter a agenda de reformas para permitir o reequilíbrio da economia e garantir uma desaceleração gradual da atividade (mantemos a projeção de crescimento do PIB de 6,3% em 2016).

• Entendemos que os fundamentos sustentarão uma recuperação do preço do petróleo a partir de meados do ano. Até lá, o risco ainda é de baixa.

EUA – Fed monitora de perto os desdobramentos econômicos e financeiros globais

O Fed deve manter os juros estáveis em sua reunião de março, enquanto monitora de perto os efeitos da incerteza global sobre a economia americana. Em janeiro, o comitê manteve o intervalo da taxa básica inalterado em 0,25 - 0,50%, como esperado. No comunicado que acompanhou a decisão, o Fed indicou que precisa reavaliar o impacto do ambiente econômico e financeiro global sobre o balanço de riscos para a economia americana.

A abordagem prudente do Fed é consistente com sua mensagem de que o ciclo de contração monetária será gradual, dependente dos dados, e levará em conta as condições financeiras gerais. Assim, acreditamos que o Fed vai adiar a segunda alta de juros de março para o meio do ano, uma vez que as incertezas tendem a ser mais prolongadas do que se antecipava.

Esperamos que a próxima alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros aconteça em junho. Projetamos agora três elevações de juros em 2016, em vez de quatro. Assim, o intervalo da taxa básica deve terminar o ano em 1,00% - 1,25% (antes, 1,25% - 1,50%).

No entanto, a economia americana continua se recuperando, e algumas das preocupações dos investidores tendem a se dissipar. Mantivemos nossas projeções de expansão do PIB inalteradas em 2,2% em 2016, e 2,1% em 2017.  

Entendemos que o desaquecimento observado no quarto trimestre de 2015 foi temporário, e a economia deve acelerar nos primeiros três meses de 2016. A expansão trimestral real do PIB recuou para uma taxa anualizada de 0,7% no quarto trimestre, bem menor do que o ritmo anual de 2,4% observado em 2015 como um todo. Para a frente, as exportações líquidas devem continuar pesando sobre a atividade, mas a demanda doméstica tende a ganhar fôlego.

O investimento não residencial deve se recuperar no primeiro semestre de 2016, dado que o recuo do fim do ano passado foi concentrado em segmentos da cadeia petrolífera. A continuidade da retomada do consumo, se confirmada, tende a impulsionar o investimento não residencial (excluindo energia) adiante.

A queda recente na cotação do petróleo deve estimular o consumo nos próximos dois trimestres. O consumo desacelerou para uma taxa anualizada de 2,2% (vindo de 3,0%), principalmente por conta do baixo consumo de energia durante o inverno, que foi brando. Os fundamentos econômicos para o consumo permanecem favoráveis, com sólida criação de empregos, crescimento da renda real e boa disponibilidade de crédito. Esses fatores vêm mantendo a confiança do consumidor em alta.

Os problemas de crédito do setor de energia podem ser absorvidos pelo sistema financeiro e dificilmente se propagarão para o resto da economia. O crédito ao setor de energia representa somente 1,5% do mercado de crédito dos EUA. A exposição dos bancos americanos é ainda menor: 1,0% do total de ativos. É uma situação diferente da crise financeira de 2008, quando as hipotecas representavam aproximadamente 30% do mercado de crédito do país. De fato, os spreads de crédito para instituições financeiras seguem contidos, apesar do estresse no setor energético (ver gráfico).

Expansão longa demais para continuar? O atual ciclo de expansão já dura 26 trimestres, comparados a uma média de 20 trimestres de expansões anteriores (desde a Grande Depressão). Para alguns analistas, é um sinal de que a economia está prestes estagnar. Porém, não existe uma teoria que argumente que os ciclos econômicos são dependentes do tempo. De fato, diversos indicadores importantes, como a alavancagem moderada do setor privado, sinalizam que a chance de recessão nos EUA segue pequena.

Quando a incerteza diminuir, e ficar claro que o crescimento da economia americana segue ao redor de 2,0%, o Fed deve retomar o ciclo de ajuste monetário. Mas o ritmo precisará ser gradual, uma vez que o crescimento segue baixo para padrões históricos; e os riscos globais, especialmente envolvendo a China, continuarão significativos.

Europa – Estímulo monetário adicional

O BCE sinalizou a possibilidade de expandir ainda mais sua política em março, em resposta aos riscos de deflação. O presidente da instituição, Mario Draghi, destacou o aumento das incertezas nas economias emergentes e a volatilidade nos mercados financeiros e de commodities. A queda de preços do petróleo reduz a inflação corrente e produz riscos de efeitos secundários para além deste ano. Nesse contexto, o BCE indicou que iria “possivelmente reconsiderar” a postura atual da política monetária.

Neste contexto, é provável um novo corte de 0,10 p.p. na taxa de depósitos para -0,40% na próxima reunião de política monetária. Também é possível a extensão do programa de compra de ativos por mais seis meses (para durar até, pelo menos, setembro de 2017). Essas medidas tendem reduzir o risco de deflação por meio da depreciação cambial e das expectativas de inflação, além de contribuir para estabilizar os mercados financeiros e evitar uma piora das condições financeiras.

Os dados de atividade econômica continuam consistentes com crescimento moderado. Mantemos nossas projeções para o PIB em 1,7% em 2016, e 1,6% em 2017.

Japão – Banco central adota juros negativos (o que é positivo)

O Banco do Japão levou a taxa de juros para o território negativo (de 0,10% para-0,10%), reforçando seu compromisso de acabar com a deflação. A decisão de seguir os passos da Europa e adotar juros negativos (ver gráfico) veio em um momento de sinais mistos para a economia, queda das expectativas de inflação e instabilidade dos mercados financeiros. O banco central enfatizou que pode cortar ainda mais os juros se necessário, reafirmando que ainda tem ferramentas disponíveis e que fará o que for preciso para combater a “mentalidade deflacionária” japonesa. A ação do banco central surpreendeu as expectativas de mercado.

Junto com as ações do Fed e do BCE, a decisão contundente do Banco do Japão deve ajudar a estabilizar os mercados financeiros e a evitar um aperto das condições financeiras. 

Mantemos nossas projeções para o PIB do Japão em 0,6% em 2015, 1,0% em 2016 e 0,9% em 2017.

China – Um (necessário) passo para trás

Dados de atividade econômica divulgados em meados de janeiro indicam alguma estabilização do crescimento. A expansão anual do PIB no quarto trimestre recuou para 6,8%, de 6,9% no trimestre anterior, mas apenas por causa de uma contribuição menor (e menos distorcida) do setor financeiro. A indústria e outros serviços mantiveram o ritmo anterior. Os dados de dezembro também mostram que a economia manteve praticamente a mesma taxa de crescimento ao longo da segunda metade do ano.

Mantemos nossa perspectiva de desaceleração gradual do PIB de 6,9% em 2015 para 6,3% em 2016.

Apesar de sinais de estabilização da atividade, os riscos de desaceleração mais intensa da economia chinesa voltaram a preocupar os mercados. As expressivas saídas de capitais recentes vêm sendo interpretadas como sinais de problemas no país.

No curto prazo, achamos que o governo focará em manter a moeda estável e evitar saídas de capitais, mesmo se isso representar um passo para trás na agenda de reformas. Há sinais de que esta passou a ser a prioridade no momento.

Primeiro, o Banco Popular da China (PBoC, na sigla em inglês) tem mantido a moeda estável desde meados de janeiro, depois das mudanças no início do ano.  A autoridade monetária está definindo a taxa de câmbio entre renminbi e dólar abaixo da cotação de fechamento anterior no mercado à vista, e está fazendo intervenções nos mercados à vista e a termo. Essas medidas também sinalizam que a intenção do banco central é manter o renminbi estável em relação a uma cesta de moedas, e não promover depreciação adicional do câmbio.

Segundo, o banco central está evitando estímulos monetários, os quais ampliariam a pressão de saída de capitais. Em vez de cortar a alíquota de depósito compulsório, que representaria uma injeção ampla de liquidez e sinalização expansionista, a autoridade optou por medidas temporárias para atender à demanda por liquidez antes do ano- novo chinês.

Por fim, a China deu um passo para trás no processo de abertura gradual das contas de capital, com o consentimento discreto dos principais bancos centrais e do FMI. Isso ajuda a melhorar a perspectiva de curto prazo (reduz a chance de desvalorização do renminbi), mas é outro sinal das dificuldades de se promover um reequilíbrio da economia sem um pouso forçado do crescimento.

Acreditamos que a China conseguirá estabilizar as saídas de capitais e reduzir a pressão sobre as reservas internacionais. Um ritmo sustentável de saídas de capitais seria consistente com a venda de reservas de US$ 20 bilhões por mês, comparados a US$ 133 bilhões em dezembro. Esse ritmo levaria a uma diminuição das reservas (excluindo o efeito da variação cambial) de US$ 250 bilhões em 2016, comparados a US$ 342 bilhões em 2015. Considerando o superávit da conta corrente e o investimento estrangeiro líquido direto (que somam US$ 385 bilhões), a saída líquida de capitais se reduziria para US$ 630 bilhões, comparados a US$ 742 bilhões em 2015. Além das medidas já mencionadas, uma queda estimada do passivo externo (excluindo investimento direto e posições acionárias) de US$ 1,6 trilhões em 2014 para cerca de US$ 1,2 trilhão em 2015 já deve reduzir parte da pressão da saída de capitais. Enquanto isso, as remessas de residentes podem ser limitadas por uma combinação de controles e ordens a empresas estatais.

Commodities – Fundamentos sugerem recuperação dos preços do petróleo no segundo semestre

Os preços das commodities subiram 5,0% desde meados de janeiro (de acordo com o Índice de Commodities Itaú – ICI), puxados por petróleo e metais. Os preços agrícolas não acompanharam a alta, mas também apresentam desempenho superior ao das commodities energéticas e metálicas no acumulado do ano. O aumento agregado foi insuficiente para compensar as perdas do começo de janeiro, e o ICI acumula queda de 3,8% em 2016.

O mercado de petróleo tem sido um dos principais determinantes dos preços dos ativos ao redor do mundo este ano. A correlação diária entre o petróleo do tipo Brent e o S&P 500 avançou para 0,43 nos últimos 60 dias, comparado a 0,19 no primeiro semestre de 2015.

A cotação do barril do tipo Brent permaneceu entre US$ 30 e US$ 35 por barril, conforme o mercado continua com excesso de oferta. Uma tentativa de recuperação ocorreu devido às notícias referentes a um corte coordenado na oferta por grandes produtores e a dados econômicos melhores na China e EUA. A notícia de corte na produção veio de Rússia e Venezuela, países sem histórico de cortes efetivos na oferta. Assim, temos dúvidas de que a notícia reflita a estratégia da Arábia Saudita e de seus aliados mais próximos, países que de fato cortaram a oferta no passado. A resposta dos preços sugere excesso de posições vendidas, e não mudanças nos fundamentos.

Entendemos que os fundamentos — sobretudo a variação na oferta dos EUA — levarão a uma recuperação da cotação do petróleo ao longo do ano. Segundo nossas projeções, a queda de produção nos EUA (de 9,2 milhões de barris por dia, no quarto trimestre de 2015, para 8,7 milhões de barris por dia, no quarto trimestre de 2016) compensará o aumento das exportações do Irã (de 1,1 milhão de barris por dia, em 2015, para 1,7 milhão de barris por dia, em 2016). Essa dinâmica deve manter a oferta global estável, o que, combinado com o crescimento da demanda, deve eliminar o excesso de oferta no terceiro trimestre (ver gráfico). Nossas análises históricas também sugerem que o preço mínimo é atingido no trimestre anterior à transição do mercado de superávit para déficit (nesse caso, no segundo trimestre de 2016).

Assim, projetamos alta do barril do tipo Brent para US$ 55 no fim de 2016.

Para outras commodities, mantemos nossas projeções para os metais (implicando algum aumento a partir dos níveis atuais). Reduzimos as estimativas de preço para açúcar e café devido a condições climáticas favoráveis no Brasil e mantivemos as previsões para os preços de soja e grãos diante da ausência de notícias relevantes para esses mercados.


 


América Latina

Navegando em águas turbulentas

Com um cenário global incerto, a volatilidade continua afetando as economias latino-americanas. As moedas de países mais dependentes do petróleo enfraqueceram significativamente durante o mês passado. Esperamos que a maioria das moedas permaneça praticamente estável em relação aos níveis no fim de janeiro. A menor incerteza sobre o crescimento global e a recuperação esperada dos preços das commodities (especialmente do petróleo) devem compensar o impacto da alta de juros nos EUA.

O crescimento permanece fraco em toda a região, mas a dinâmica na margem é mista, com algumas economias em recuperação, algumas se deteriorando e somente o Chile se mantendo relativamente estável. Porém, entre os que estão se recuperando (México e Peru), ainda há fragilidade.

A inflação permanece alta apesar da atividade fraca, principalmente devido ao repasse da depreciação cambial.  A convergência da inflação para os centros das metas será gradual.

Com a inflação em níveis ainda desconfortáveis, a maioria dos bancos centrais na região ainda está elevando as taxas de juros. A exceção é o Brasil, onde esperamos agora cortes nos juros este ano. Para os demais países, um pequeno ajuste adicional da política monetária é provável. Mas qualquer alívio na inflação poderia levar a uma interrupção antecipada dos ciclos de alta de juros.

Na Argentina o governo vem conseguindo ajustar a economia até o momento. O mercado de câmbio está significativamente mais liberalizado e o câmbio está flutuando. A depreciação acentuada de dezembro afetou apenas moderadamente a inflação, e as taxas de juros estão agora abaixo de seu pico. O governo também anunciou mais recentemente uma série de outras medidas relevantes, como um corte nos subsídios à energia, um acordo com um grupo de holdouts italianos e uma linha de crédito junto a um consórcio de bancos internacionais.

Volatilidade persiste

As taxas de câmbio na região continuam voláteis, consistentes com as incertezas sobre o cenário global. Desde o início de janeiro, o peso mexicano e o peso colombiano – mais ligados ao petróleo - vêm apresentando desempenho pior que as demais moedas da região. Mas, diferentemente do que ocorreu durante grande parte de 2015, o peso mexicano se desvalorizou ainda mais que o peso colombiano, apesar de estar muito menos exposto ao petróleo (na margem, o México se tornou um importador líquido de energia, devido à queda contínua da produção de petróleo). As demais moedas da região terminaram janeiro em níveis próximos aos do fim de 2015.

Esperamos que a maioria das moedas da região termine o ano estável em relação aos níveis do fim de janeiro. A incerteza menor sobre o crescimento global e a recuperação esperada dos preços de commodities (especialmente petróleo) provavelmente irão neutralizar grande parte do impacto da alta de juros nos EUA.

Nem todas as recuperações são iguais

O crescimento na região segue fraco em praticamente todos os países, mas há diferenças importantes no crescimento na margem. No Brasil, a recessão continua. Na Colômbia, os dados de vendas no varejo e confiança sugerem que o consumo (que vem sustentando a economia) irá desacelerar, em função do aumento da inflação e das taxas de juros mais elevadas. Os indicadores de atividade no Chile mostram que o crescimento está se estabilizando em torno de 2%. Por fim, as economias de México e Peru estão se recuperando lentamente, impulsionadas quase exclusivamente por consumo privado e produção de minérios, respectivamente.

Alteramos nossas projeções de crescimento para o Chile, Peru e Brasil. No Brasil, esperamos agora uma recessão mais profunda (-4,0%) este ano. A economia se deteriorou mais fortemente do que esperávamos no fim de 2015, gerando uma herança estatística ainda mais desfavorável, e os indicadores antecedentes e coincidentes apontam para outra contração no 1T16. No Chile, esperamos agora um crescimento de 2,0% este ano, a mesma taxa estimada para 2015, ritmo apenas ligeiramente acima do registrado em 2014. No Peru, a produção de minérios aumentou muito mais rapidamente do que o esperado no fim de 2015, levando-nos a revisar para cima nossas estimativas para o crescimento do ano passado. Vemos também riscos de alta para nossa projeção para este ano. Por fim, continuamos esperando uma desaceleração moderada na Colômbia este ano, devido aos preços mais baixos do petróleo e ao aperto das políticas macro (que será apenas parcialmente compensado pelos investimentos associados ao programa 4G PPP). No México, esperamos que a economia continue se recuperando, mas existem riscos de baixa (a indústria nos EUA continua fraca, não está claro se a produção doméstica de petróleo está se estabilizando, e os preços mais baixos do petróleo limitam os benefícios da reforma energética).

Inflação continua preocupando

A inflação permanece acima do limite superior da meta na maioria dos países. A exceção é o México, onde a inflação está em níveis historicamente baixos, apesar de um ligeiro aumento, no início do ano, influenciado por uma base de comparação desfavorável e uma recuperação dos preços de alimentos. No Peru, na Colômbia e no Brasil, a inflação ainda não iniciou uma tendência de queda, com a depreciação cambial e a inércia continuando a pressionar os preços. Nos três países, as expectativas de inflação continuam em níveis altos para os horizontes relevantes para a política monetária.

A inflação na região cairá apenas gradualmente. De fato, no Peru e na Colômbia a inflação ainda não atingiu seu pico. Já no Brasil, os efeitos de base favoráveis gerados pelos aumentos acentuados de preços administrados no 1T15 provavelmente irão levar a uma queda na inflação acumulada em 12 meses já no 1T16 (embora para um nível ainda muito acima do limite superior da meta). No Chile, a inflação continuará pressionada no curto prazo, também devido à inércia (os preços de educação e de energia serão reajustados de acordo com a inflação de 2015) e aos aumentos de impostos. Os preços mais baixos da gasolina compensarão apenas parcialmente esses fatores.

Taxas de juros não subirão muito mais

Com a inflação em níveis ainda desconfortáveis, a maioria dos bancos centrais da região está elevando as taxas de juros. No Peru e na Colômbia, os bancos centrais estão elevando os juros mais rapidamente, já que a inflação continuou deteriorando. O banco central do Chile está se movendo de forma mais gradual. No México, apesar da inflação baixa e da recuperação incipiente, as taxas de juros também estão subindo, junto com a taxa básica dos EUA. No Brasil, a deterioração acentuada da atividade juntamente com a incerteza sobre o crescimento global superaram as preocupações com a inflação, levando o banco central a repensar sua sinalização de alta dos juros, e, com isso, os juros foram mantidos inalterados em janeiro.

Esperamos agora cortes na taxa de juros no Brasil este ano, mas continuamos esperando alguma alta adicional nos juros nos outros países. No Brasil, com a inflação caindo, a economia em recessão e a taxa de câmbio permanecendo em torno dos níveis atuais, acreditamos que o banco central iniciará um ciclo de corte de juros em agosto. No entanto, se a taxa de câmbio se depreciar mais do que o esperado, devido a incertezas domésticas ou externas, o espaço para cortes de juros poderia desaparecer. No Peru e na Colômbia, esperamos dois aumentos adicionais de 0,25 p.p. no curto prazo, encerrando o ciclo. No Chile, o banco central está sinalizando alguma alta adicional, mas não no curto prazo. Também esperamos dois aumentos adicionais de 0,25 p.p., porém entre o 2T16 e 3T16. Com o crescimento fraco (doméstico e global), a inflação em queda e as expectativas de inflação bem ancoradas, o risco é de que o banco central encerre o ciclo antes do que esperamos. Finalmente, no México, reduzimos nossa projeção para a taxa de juros no fim do ano, em linha com a nossa revisão para a política monetária nos EUA.

Na Argentina, os ajustes continuam

Há progressos importantes nos ajustes econômicos na Argentina. O mercado de câmbio está significativamente mais liberalizado e a taxa de câmbio está flutuando. A depreciação acentuada dos últimos meses afetou apenas moderadamente a inflação, e as taxas de juros estão agora abaixo de seu pico. O governo também anunciou uma série de medidas relevantes, como um corte nos subsídios à energia, um acordo com um grupo de holdouts italianos e uma linha de crédito junto a um consórcio de bancos internacionais.


 


 

Para os demais textos, acessar o pdf em anexo.


 

 



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